Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Usando P@£AV®O€$
Não sei se o título ficou muito legível, pois quis fazer uma brincadeira com o velho truque dos quadrinhos de escrever palavrões usando caracteres diferentes.
No artigo dessa semana quero abordar justamente isso, o uso de palavras mais pesadas em uma obra de fantasia. Digo isso pois recentemente comecei a ler o livro Azincourt do autor inglês Bernard Cornwell e tendo lido pouco mais de trinta páginas fiquei bem impressionado com a quantidade de palavrões que o autor utiliza. A cada duas linhas é possivel ler um m****, b**** e todas as suas variações possíveis. Se isso não bastasse, logo nos primeiros capítulos presenciamos uma cena de um padre estuprando uma menina o que me deixou bem impressionado.
Admito que no meu primeiro livro não usei palavrões. Não sei dizer se por receio ou por não saber como fazê-lo e isso me levantou a pergunta. Será que uma obra de ficção precisa estar recheada de termos chulos para ser considerada adulta? Será esse um dos critérios que separa a fantasia juvenil da fantasia adulta?
Acredito que uma das razões que fizeram meu estilo tender para uma linguagem mais "polida" se é que podemos chamar assim foi exatamente a "escola" que segui, os livros que até hoje inspiram meu estilo de escrever. A obra de Frank Herbert é vasta e repleta de situações delicadas, mas ainda sim não consigo me lembrar do uso de nenhuma linguagem chula digna de nota. Mesmo as referências sexuais são esparsas e pontuais e em nenhum momento ele explicita qualquer coisa.
Se Duna, que é considerado uma das maiores obras de ficção científica, com todas as suas intrigas políticas e religiosas não faz uso desse recurso, será que ele se faz realmente necessário?. Um dos contos que li da antologia Steam (do qual tive a honra de participar) também faz referências bem claras de sexo e eu fiquei me perguntando para que? A cena em questão contribuía pouco ou nada para a trama e poderia ter sido completamente descartada.
Nesse segundo livro que estou trabalhando tenho tentando deixar um pouco o conservadorismo de lado, usando algumas palavras mais fortes afim de dar mais realismo aos personagens. Ainda sim, a maioria delas seriam o que poderíamos classificar de ofensas "mais brandas", menos diretas e mais figuradas.
De qualquer forma não pretendo modificar meu estilo radicalmente para deixa-lo mais "adulto". Acredito na fórmula que Frank Herbert usou para escrever seus romances e apesar de estar deixando a "polidez" de lado ainda estou buscando um equilibro. Acredito que meu texto hoje já não possua mais a inocência de outrora, mas esta longe de me fazer ter vergonha de ver meu livro nas mãos de alguém mais jovem.
por Claudio Villa
Tiago Warst
Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Acredito que palavrões só venham a dar mais realidade aos personagens! Já que os mais bárbaros só o sabem fazer e os mais polidos o usam em momentos de fúria! Mesmo assim já li histórias muito boas onde palavrões poderiam incrementar, mas que, no entanto, não fizeram falta nenhuma no final!
O que conta mesmo é a qualidade do autor em reproduzir a cena! Em fazer o leitor imaginar e curtir o ambiente descrito!
Um grande abraço!