Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Uma Questão de Simplicidade

    Mais de um mês afastado do blog novamente e sem bons motivos dessa vez. O livro não avançou, a enciclopédia não ganhou novos verbetes e ando cada dia mais descrente que o livro esteja caminhando para um final que me agrade.

    Desde que comecei a tentar escrever uma história longa, sempre quis, em parte, mimetizar aquilo que meu mestre Frank Herbert conseguira. Criar um universo crível, onde as intrigas políticas se misturassem a aventura e os personagens parecessem com velhos amigos que de tempos em tempos desejamos revisitar. Sempre tive essa sensação quando lia Duna, a de que cada um daqueles personagens me era tão real que sentia como se os conhecesse desde sempre.

    Porém, na tentativa de recriar esse universo em um mundo fantástico, sinto que as vezes me perco em minha própria história. Crio detalhes que me causam problemas futuros e um mundo que para mim é real, mas que para meu leitor possa soar cansativo e enfadonho.

    Acabo de assistir a adaptação do livro de Neil Gaiman "Stardust". Não é como ler o livro, claro, mas deu para sentir algumas coisas ali. A história é fascinante, recheada de detalhes e magias e apesar de tudo é simples, direta, sem grandes devaneios. Não admira-se que ele seja uma referência em literatura de fantasia, um verdadeiro contador de histórias e talvez seja isso que eu esteja perdendo.

    Gosto muito da Colleen, a personagem do novo livro, sinto dentro de mim que ela é uma pessoa especial, fascinante. Gostaria de explorar mais a relação dela com sua familia que acredito ser um dos pontos centrais de sua história, mas a cada dia tenho mais medo que ela se torne rasa, perdendo-se em desventuras rocambolescas enquanto escrevo cenas de ação para o livro.

    Ainda falta um tempero pirata em minha história que não consigo encontrar. Uma pitada de pólvora ajudaria, mas não posso fazer uso desse artificio, o que torna a escrita desafiante e frustrante ao mesmo tempo. As vezes penso em recomeçar ou dividir a história, tenho ao mesmo tempo muito e pouco a contar e ainda não sei como equilibrar as coisas. Segue o desafio.

  por Claudio Villa


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