Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Uma Questão de Nome

    Caros leitores,

    Mais uma vez atrasando a atualização do blog. Meu final de ano tem sido uma loucura na Livraria Cultura, sendo que estou fazendo um horário diferente e por conta disso chegando em casa depois das 22:00, mal tendo forças para vir para o computador.

    Outra questão pelo qual gostaria de me desculpar é pelos insistentes spams que vocês devem estar recebendo vindos do endereço informativo@mundosdemirr.com. Mesmo só o utilizando para enviar a atualização, ele foi capturado por um maldito spammer que o tem usado para disparar mensagens. Eu mesmo venho recebendo uma média de 30 mensagens vindas desse endereço diariamente.

    Para evitar maiores problemas, estou retornando o envio das atualizações pelo mundosdemirr@gmail.com. Pode não ser o mais profissional, mas os filtros do Google são melhores e as chances de spam diminuem. Peço que coloquem o e-mail anterior na sua lista de spam. Outra novidade é que agora o blog pode ser acompanhado via RSS, bastando apenas adicionar o feed em seu programa favorito.

    Finalmente, o assunto que quero tratar essa semana remete novamente a velha questão do preconceito com os autores nacionais. A seguinte cena aconteceu na loja da Cultura no Shopping Bourbon (onde estou trabalhando).

    Um casal se aproximou de meu livro que estava exposto em um móvel e eis que a mulher pegou meu livro na mão e perguntou ao marido:

     - Esse aqui você já leu?
     - Não
     - Também, autor brasileiro não dá

    Eu me pergunto porque as pessoas ainda olham com desdém para qualquer livro que tenha sido escrito por um autor nacional. Por que alguns autores argentinos, americanos, ingleses e africanos são tão exaltados enquanto os nacionais são vistos com tanto desprezo.

    Certas coisas são imutáveis. Basta que um livro entre na moda, para vender que nem pão quente. Livros que antes juntavam poeira na estante só precisam de um prêmio ou uma aparição na midia para gerarem um súbito interesse por parte do público leitor. Cada dia mais vejo que a maioria das pessoas não compra os livros por seu interesse pessoal ou por um tema que as agrade, mas sim pelo "que há de novidade" ou pelo "o que esta vendendo mais".

    Nessa época de Natal, essa falta de critério é ainda mais forte. As pessoas avançam sobre os mais vendidos para presentear amigos e parentes somente para esses livros virem ser devolvidos no mês seguinte "pois o presenteado ganhou dois iguais".

    Acho que o trabalho de livreiros como eu é sim de direcionar o leitor a aquilo que melhor atende suas expectativas, seja o autor brasileiro ou não. É praticamente um trabalho de detetive, uma investigação minunciosa em busca de pistas que ajudem a formar o perfil do leitor. No final, o resultado costuma ser gratificante, com leitores satisfeitos retornando em busca da próxima indicação de sua parte.

    Precisamos parar de olhar tanto para os nomes nas capas e buscar ler mais suas orelhas e sinopses. O cinema nacional surpreendeu nos últimos anos, porque a literatura não poderia fazer o mesmo?

  por Claudio Villa


mauricio vieira dias
Sexta-feira, 27 de Março de 2009
PICO ME EMOCIONEI EM VER VOCE, ESTAVA PROCURANDO SEU PAI QDO VI SEU NOME, É VOCE MESMO............. QTO TEMPO.................

Tiago Castro
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Olá Claudio ... Na verdade, a literatura já vem surpreendendo há algum tempo, principalmente falando da literatura fantástica. Só para citar alguns exemplos de excelentes autores, temos o André Vianco, que trouxe muitos leitores para o gênero de horror vampírico no Brasil, o Nelson Magrini, com seus livros Relâmpagos de Sangue e Anjo: a Face do Mal, esse último inclusive se tornando tese de mestrado e material de estudo universitário, Octávio Aragão com seus excelentes Intempol e A Mão que Cria, ambos no campo da ficção científica e que tem angariado fãs ao longo dos anos e os autores de fantasia, como o Raphael Draccon, Rober Pinheiro (mais atual, porém já fazendo algum barulho por aí) e você (apesar de ainda não ter lido seu livro, já ouvi ótimos comentários sobre ele). Penso que ainda falta um pouco (ou muita) de divulgação dessas obras e talvez um pouco de conhecimento mais aprofundado por parte dos leitores. Infelizmente no Brasil, temos muitos "leitores de oportunidade", que lêem livros como Código Da Vince, Crepúsculo, O Caçador de Pipas ou Harry Potter (não desmerecendo nenhum desses títulos, gosto de quase todos) apenas porque "todos estão lendo", mas não porque realmente se interessam pela leitura. Tento fazer um trabalho de divulgação nesse sentido, pois gosto muito da literatura nacional e acredito que temos excelentes autores no nosso país. E acredite, grande parte dos leitores do meu blog apreciam a literatura e os quadrinhos nacionais. São as áreas que mais fazem sucesso no blog. Acho que é isso! Grande abraço! Tiago Castro Blog Insônia

Não preencha este campo:
Nome:
Comentário:


Livraria Saraiva Livraria Cultura Livraria Sobrado Siciliano Fnac Livraria Nobel