Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Um Livro de Cada Vez

    Devo desculpas mais uma vez aos meus leitores por mais uma semana de afastamento do blog. Com o aumento cada vez maior da pressão no trabalho, mal tenho tido tempo de cumprir minhas obrigações básicas, que o diga arrumar tempo para escrever.

    De qualquer modo, esse breve afastamento foi bom pois o assunto que quero dividir com vocês hoje ocorreu ao longo dessa semana, de formas variadas, mas todas muito legais. Como já lhes disse antes, mais difícil do que publicar um livro, é efetivamente divulgá-lo e vendê-lo, especialmente quando você é desconhecido do público e este nunca viu seu nome em nenhum lugar na mídia. Estou ciente de que o projeto gráfico do meu livro ficou muito bacana (a capa sempre recebeu elogios) e de que consegui expô-lo relativamente bem nas livrarias Cultura e Fnac, mas ainda sim é preciso, algumas vezes, algo mais para fazê-lo sair da prateleira para a casa do leitor.

    Eu, ao contrário da imensa maioria dos escritores, possuo um certo privilégio que muitas vezes pode ser uma benção ou uma maldição, estar oito horas por dia em um dos locais onde meu livro está sendo vendido. Por conta disso, é inevitável que eu fique vez ou outra, observando quantas pessoas o pegam e quantas efetivamente lêem um trecho. Esse pode ser um exercício extremamente frustrante, uma vez que você observa uma quantidade imensa de pessoas que passa diariamente em frente ao livro (algumas até param, mas ficam observando o livro ao lado) e quase nenhuma delas se interessa em ver do que se trata.

    A parte boa no entanto é exatamente a possibilidade de indicar o livro para determinados clientes, fazer uma mídia pessoal que quase nenhum livro usufrui. É claro que existe uma questão ética por trás de tudo isso e eu busco segui-la a risca. Eu sempre ofereço o livro para clientes que queiram ser atendidos e que estejam buscando algo que possua uma temática semelhante (como um dos livros do Senhor dos Anéis e do Bernard Cornwell, por exemplo). Eu sempre lhes pergunto se tem interesse pela temática da literatura fantástica, se me permitem que lhes indique um livro e deixando claro desde o início de que eu sou o autor daquele romance que agora eles têm em mãos.

    É curioso como essa informação muitas vezes se torna um fator quase decisivo para a pessoa optar em levar meu livro para casa. O primeiro livro que vendi pessoalmente foi para um rapaz que chegou na loja em busca de um presente para a namorada. Ela havia lido todos os livros do Harry Potter e ele buscava algo semelhante. Indiquei diversos livros como Bussola de Ouro e História sem Fim e aproveitando a deixa comentei que era escritor e mostrei-lhe o meu livro. De cara ele não se interessou muito, e certamente, não havia entendido que eu era o autor, sendo que prometeu voltar no sábado para comprar os outros dois. Ele apareceu no dia seguinte para efetivar a compra e no meio de nossa conversa perguntou sobre o livro que eu comentara ter escrito, e foi só então, que ele se deu conta de que era o mesmo que eu havia lhe indicado. Depois de mais alguns minutos de conversa sobre livros de fantasia e RPG ele acabou decidindo levar meu livro.

    Outra venda que preciso lhes contar que foi sem dúvida divertida aconteceu alguns dias depois (como podem ver, foi uma semana produtiva), quando um cliente veio em busca de um livro chamado "O Crânio e o Corvo". Nós não temos esse livro em loja, mas na hora me lembrei se tratar de um romance de fantasia escrito pelo autor Leonel Caldella e ambientado no mundo de Tormenta. Percebendo o gosto do cliente, pedi licença para lhe indicar um livro e assim como o primeiro cliente, acredito que não tenha percebido de cara quando lhe disse ser eu o autor.

    A parte curiosa, no entanto, aconteceu segundos depois, quando voltei ao balcão para atender uma outra cliente que aguardava. No mesmo instante ela me olhou e disse:

     - Eu me lembro de você!

    É claro que atendendo dezenas de pessoas todos os dias, por mais que eu esforce minha memória, não consigo lembrar de todas as pessoas que atendi ao longo do ano. De qualquer forma ela tinha um rosto familiar e de cara me perguntou:

     - Cade o seu livro?

    Fiquei surpreso com a pergunta e enquanto levava ela até a ponta de gôndola, conversei brevemente com a cliente e me lembrei de onde ela me conhecia. Durante o Natal, essa cliente apareceu na loja com dois de seus três filhos em busca de livros para presentear cada um. Fiquei quase uma hora atendendo-a e indicando diversos livros para os meninos e no meio da conversa comentei que estava para lançar um livro (na época, ele estava acabando o processo de impressão). Ela levou diversos livros, lhe passei o endereço de meu blog e desde aquele dia não a vi mais na loja.

    Foi sem dúvida uma surpresa gratificante que tenha se lembrado do meu livro depois de tanto tempo e que ainda por cima o tenha levado para presentear seu filho mais velho. Passados alguns minutos, o cliente que me perguntara a pouco sobre o livro do Caldella se aproximou e perguntou meio surpreso se era verdade que eu era o autor e se fosse ele só levaria se eu autografasse.

    Eu poderia ficar aqui e narrar para vocês cada uma das vendas que realizei do livro (e cada uma delas tem suas peculiaridades), mas acho que mais importante do que a ação em si é a gratificação em ver seu trabalho de tanto tempo sendo comprado por pessoas que diferente da maioria daquelas que foi ao lançamento, não possuem uma ligação pessoal comigo.

    Sem contar com o apoio da mídia (e não é por falta de tentativa), a propaganda boca a boca tem sido a minha mais forte ferramenta de divulgação. Tendo a oportunidade de acompanhar a venda livro a livro na Fnac, gosto de acreditar que os livros vendidos fora da minha loja (e a quantidade tem me surpreendido) seja fruto não só da exposição, mas sim dessas indicações .

    Agora o que realmente espero é que essas pessoas possam ler e sobretudo criticar o que lerem e se gostarem do meu trabalho o indiquem para seus amigos. É vendendo livro a livro que aos poucos pretendo galgar meu espaço na carreira literária , mas o mais curioso disso é que, pela primeira vez, essa conquista não depende diretamente de mim.

  por Claudio Villa


Thiago Gounford
Quinta-feira, 13 de Março de 2008
O livro realmente ficou bom, como disse o Nardis, mas tenho algo mais a falar sobre ele. É de um nível superior, diga-se de nível extrageiro, não que brasileiros não sejam bons escritores, mas, por que as maiores obras literarias não são brasileiras. Quero dizer que é uma história empolgante, que da vontade de devorar uma página atrás da outra sem parar. Uma história com um sentido muito forte, se comparado á outros trabalhos brasileiros. Um livro de acontecimentos previsíveis, sim, mas não sem a mágica que temos em suas página. Espero pelos outros livros, que tenho certeza será algo muito bom e terá um nível superior por ser um segundo trabalho de um autor experiente. Belo livro e boa sorte amigo, que tenha uma carreira de sucesso, e que tenha o prazer de ver seus livros irem embora de sua vista, para vista de outros intereçados. E que como eu, os que lerem ajudem você com as vendagens. Obrigado!!! PS: valeu por ter comentado sobre mim em seu depoimento, e sou grato por ter seu primeiro autógrafo fora do lançamento(tomara que isso venha á valer muito futuramente, hahahaha)

Nardis
Quarta-feira, 12 de Março de 2008
É isso aí, Villa! Primeiramente, informo a todos que eventualmente lerem este comentário que o livro realmente ficou muito bom após a revisão e tenho certeza que todos terão chance de de se encantar com este trabalho, como ocorreu comigo! Villa, tenho certeza que terá sucesso nesta fase de sua carreira literária e saiba que, ao contrário do que possa imaginar, acho que é muito importante que você se exponha (e peça ajuda para isso também aos colegas na loja) como autor do livro aos clientes, pois tenho certeza que para os clientes será, no mínimo, uma experiência muito interessante e que isso deverá abrir outras portas para você conhecer outras pessoas que venham a se tornar importantes em sua carreira. É isso aí, Cavaleiro! Lute com todas as armas que tem! Um grande abraço, muita sorte e sucesso nas vendas! Nardis

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