Segunda-feira, 02 de Abril de 2007
Pedigree para ser um Escritor
Gostaria de começar esse post agradecendo a todas as visitas e comentários deixados no post da semana passada. Acho que nunca um post foi tão comentado e visitado como esse. Quero que saibam que se vocês postam algum comentário, ele só vai ao ar depois que eu o aprovo. Isso não serve para coibir a opinião de ninguém, mesmo porque todos os comentários são aprovados, mas sim para que eu leia todos eles. Se seu comentário não apareceu no blog, aguarde um pouco pois ele com certeza aparecerá. Apesar de não ter como respondê-los saibam que são esses comentários que me fazem ter certeza de que minhas palavras são lidas e servem como estímulo para os posts das semanas seguintes.
Mas chega de bate papo e vamos ao que interessa. Hoje estava lembrando de uma conversa que estava tendo com um amigo acerca do lançamento do meu livro nas livrarias. Estava comentando com ele sobre como a sala de literatura estrangeira na Fnac sempre está mais cheia que a de literatura nacional e como as pessoas parecem sempre ter mais interesse nos autores de fora do que nos daqui. Ele então me fez uma sugestão no mínimo inusitada: "Assuma um pseudônimo estrangeiro e você terá seu livro colocado lá".
Concordo que é uma forma de se enxergar as coisas, mas não acho que será enganando meus leitores que irei alcançar o que eu busco. Afinal de contas o que é necessário para ser um escritor nacional lido? É claro que se você tem dinheiro para investir você pode fazer como o Orlando Paes Filho que investiu pesadíssimo em divulgação e assim alcançou seu público. Divulgação e propaganda com certeza fazem diferença, mas há alguns dias acabei criando uma teoria sobre a sala de literatura brasileira.
Como toda teoria que envolva livros e autores, esta é altamente especulativa e controversa, mas ainda sim vou enunciá-la e deixar que vocês julguem se faz algum sentido ou se não passa de bobagem da minha parte. Uma coisa que sinto às vezes na literatura nacional (baseado nos nomes e sinopses dos livros que eu leio) é que muitas vezes os autores brasileiros padecem do mesmo mal que muitos diretores de cinema tupiniquim, a necessidade de elevar sua obra ao status de arte.
Parece que diferente dos autores estrangeiros, o autor brasileiro é incapaz de escrever uma obra apenas para que o leitor se divirta com a leitura. Tudo o que se escreve parece ser dotado de uma profundidade infinita, como se todo autor almejasse o status de um Machado de Assis ou de um Nelson Rodrigues. Eles confeitam livros com nomes pesados e cheios de significado, recheando-os com critica social e recobrindo com um sentimento de artista profundo e incompreendido.
Fico pensando quantos do público médio têm paciência para toda essa complexidade (sim, existem pessoas que adoram isso). Será por isso que os filmes hollywoodianos assim como os livros menos pretensiosos vendem bem? Será essa a razão de alguns filmes nacionais assim como alguns livros ficarem restritos aos cultos e literatos?
Concordo também que somos muito preconceituosos em relação ao que produzimos aqui, mas como combater essa visão se não se sai desse círculo vicioso? Entendam que não estou defendendo a massificação a lá novela da Globo e que sim concordo que existe muita porcaria enlatada que vem do exterior. Mas por que não escrever livros de ficção científica e aventura situados em São Paulo? Por que tudo tem de ser sobre traficantes, favela, policiais e mundo cão? Esses livros de aventura vendem na sala ao lado, o que impediria que fossem vendidos desse lado também?.
Talvez tenha divagado um pouco no artigo dessa semana mas o que quero dizer é que acredito que para ser um escritor lido não é necessário comer atum e arrotar caviar. Sejamos despretensiosos ao escrever e pensemos que do outro lado do livro tem muita gente que vai querer comprá-lo para esquecer o nosso dia a dia e viajar por algumas horas em uma aventura diferente.
por Claudio Villa
Ana Paula
Quarta-feira, 04 de Abril de 2007
Concordo plenamente como que você disse. Os autores brasileiros escrevem coisas muito complexas, cheias de realidade e significados. Também não vejo o porque de se escrever um bom livro de suspense ou ficção ambientado aqui mesmo, no Brasil.
Mas também se tem que vencer esse preconceito contra os escritores brasileiros! Ai ai...
É isso aí. Abraço.
Denise
Quarta-feira, 04 de Abril de 2007
Nossa, concordo 100% com a sua teoria...
E eu axo q dá sim, pra termos uma mensagem final, ou um recado legal em um livro que não seja ao estilo de "obras literárias"...
E quanto a divulgação... boca-a-boca; internet.. enfim, pra tudo dá-se um jeito ^^
Parabéns pelo blog
;*
Anderson
Terça-feira, 03 de Abril de 2007
A melhor divulgação é o boca-a-boca, cara. Se for bom, os leitores mesmo vão se encarregar de divulgar. Você não vai precisar fazer nem esforço.
Babi
Segunda-feira, 02 de Abril de 2007
Pra mim, o que vale na escolha é um livro que prenda a atenção e tenha uma história interessante e divertida. Já lido com tanta coisa no trabalho, que quero me distrair quando leio. Claro, existem os autores que nos ensinarão muitas coisas, mas no seu devido momento. Acho que cada um deve buscar o melhor de si. Uns saberão escrever para o grande público, outros para intelectuais e por aí vai. Só não adianta querer ser o que não é!
Bjs