Segunda-feira, 05 de Fevereiro de 2007

O Vendedor de Sonhos

    Eu sempre fui partidário de que qualquer trabalho que se faça, deva ser de alguma forma recompensador. Não digo na questão financeira (ser bem pago também ajuda), mas de uma forma pessoal e espiritual também.

    Trabalhar com livros, algumas vezes me dá a oportunidade de satisfazer essa necessidade. É fato que a grande maioria das vendas que faço são de livros populares ou que estão "na moda", mas é verdadeiramente recompensador quando tenho a oportunidade de vender um livro que acredito carregar dentro de si um significado especial.

    Outro dia atendi uma cliente bastante incomum. Carregada de sacolas de compras e possuindo um forte sotaque francês a mulher me pediu um livro, para uma menina com aproximadamente quinze anos, que tivesse uma característica muito especial: "a fizesse ter vontade de sonhar".

    Aquelas palavras me pegaram de surpresa e tamanha responsabilidade me deixou verdadeiramente sem ação. A clliente me dizia que queria um livro que desenvolvesse a imaginação da presenteada, que a fizesse ter vontade de sonhar e de viver aventuras, enfim que a fizesse sair um pouco de nosso mundo cruel e material.

    Fiquei muito feliz de ouvir aquilo e de perceber que ainda existem pessoas que acreditam na fantasia e na inocência que um livro pode trazer. Minha mente funcionava a mil por hora e eu não conseguia pensar em um título que carregasse essa habilidade. Eu ofereci Diário da Princesa mesmo sabendo que aquilo não estava nem próximo do que gostaria de passar.

    Passados cinco minutos, minha colega Julia veio com a salvação em suas mãos e ao ver o livro que ela trazia fui obrigado a me desculpar com ela por não ter pensado naquilo. Aquele era o livro perfeito para o cliente perfeito e ela com um sorriso me disse: "Agora vai lá e venda"

    O livro não podia ser outro a não ser o "História Sem Fim" e com ele em mãos fui oferecê-lo à cliente. Como alguns de vocês já sabem, o livro trata (resumidamente falando) de um jovem que órfão de mãe e atormentado pelos colegas da escola se vê um dia em uma situação que todos gostaríamos de estar, a possibilidade de enveredar por um mundo de fantasia onde você passa a ser um herói. Bastian no decorrer do livro aprende no entanto que a fantasia deve ser uma válvula de escape e que o contato com a realidade é também fundamental.

    Com esses argumentos, consegui fechar a venda e ver minha cliente sair satisfeita com o livro em mãos. É curioso como estou conseguindo, vendendo livros, sentir o mesmo prazer que sinto quando estou escrevendo, o de mexer com a imaginação alheia. Enquanto luto para publicar meu primeiro livro, tento me contentar em mover as pessoas com títulos alheios. Talvez seja essa a razão pela qual goste tanto de trabalhar na sessão de literatura da Fnac.

    Vender livros de negócios ou de auto ajuda podem ser bons para a empresa, mas nada é mais gratificante do que saber que uma indicação sua poderá mudar a mente de uma criança.
    Pode parecer um tanto egocêntrica essa minha afirmação, mas foi o que aconteceu comigo há muitos anos quando pela primeira vez pus as mãos em um livro do João Carlos Marinho. Se hoje sinto prazer em escrever é porque primeiro aprendi a ter prazer em ler e sonho com o dia em que algum de meus livros possam fazer o mesmo pelos outros.

  por Claudio Villa


1 comentário esperando autorização.

pedro augusto denovo
Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
só aceita comentarios q falem bem? quem não aceita uma critica não cresce.. é meu amigo.... vc escreve mal pra cacete.. de boa

Pedro augusto
Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
q bosta cara... arruma um emprego

Ana Lúcia Merege
Sexta-feira, 09 de Fevereiro de 2007
Já gosto da Julia sem conhecê-la. "A História Sem Fim" não é apenas meu livro preferido. Foi o livro que mudou minha maneira de ver a mim mesma e à vida. Ótima indicação! Parto de viagem em breve. Deixei sugestões de leitura na Estante, algumas de Fantasia - dê um pulo lá se puder. Na volta a gente põe os papos em dia! Abração, Villa! Ana

Julia (não a do post)
Terça-feira, 06 de Fevereiro de 2007
Quando você começou a descrever a cliente, História Sem Fim foi o primeiro livro que me veio à mente... E agradeço sempre que lembro (mesmo que internamente) pelo dia que resolvi comprá-lo para participar de suas conversas com a Julie sobre o livro e ver do que tanto vocês falavam... É maravilhoso ver o quanto um livro pode nos mudar e levar-nos a outros mundos... E é esse o tipo de livro que sempre busco: o que me dá esperanças, novas perspectivas e gera aqui dentro vontade de fazer mais, de ser uma pessoa melhor (em todos os sentidos que for possível). Confesso que fiquei bem emocionada lendo esse post... É maravilhoso saber que ainda temos clientes, mesmo dentro de um shopping (onde supostamente não há muitas pessoas de alto nível cultural/intelectual)... E agora não vejo a hora de chegar sábado e buscar um desses clientes!

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