Segunda-feira, 16 de Abril de 2007
O Toque de Midas
Minha pobre Aninha deve estar sofrendo horrores ultimamente com minhas variações de humor. Apesar de contente pelas coisas em relação ao livro estarem lentamente se acertando, ao mesmo tempo venho sofrendo uma insegurança danada em relação ao meu trabalho e um bloqueio realmente incômodo.
Praticamente desde que entrei na Fnac em Outubro passado eu não tenho conseguido sentar para escrever. Já foram várias as vezes em que me sentei de frente para meu computador e ao olhar aquele texto nenhuma palavra veio à minha mente. Se a coisa já não estivesse ruim, minha mudança de horário para o período noturno (ocorrida nas últimas semanas) só tem me desanimado ainda mais para escrever. Eu sempre precisei de alguns momentos para relaxar e preparar minha mente para escrever e agora com esse horário não estou tendo mais esse tempo.
A sensação que tenho as vezes é a de ter perdido (ao menor por enquanto) o que posso chamar do "Toque de Midas" para escrever. Apenas para prestar um rápido esclarecimento histórico, Midas foi um rei da mitologia que certa vez adquiriu a capacidade de transformar tudo o que tocava em ouro. No começo esse novo poder soou como uma benção, mas logo se voltou contra ele quando percebeu que isso também ocorria em sua comida, sua água e seus entes queridos.
Mas saindo da mitologia e voltando à realidade, a impressão que tenho tido nessas vezes em que sentei no computador é que já não consigo mais escrever aquela história sem que ela se torne uma porcaria. Às vezes parece que aquele texto ali escrito simplesmente não é meu e que eu na verdade estou metendo minha mão na obra de alguém. Não são poucas as vezes em que me forço a tentar pensar na trama e como tirar meus personagens de onde os coloquei, mas logo me distraio e a idéia cai no esquecimento.
Tenho consciência de que preciso reler tudo e mudar alguns conceitos bases da história que na minha opinião estão frágeis e planos. Não se pode erguer um castelo com fundações fracas e é por isso que preciso voltar a me policiar e estabelecer horários para trabalhar no livro.
Minha Aninha insiste em que eu deixe um pouco o livro de lado e tente escrever contos ou histórias para crianças, mas eu sempre digo a ela que minha mente não funciona assim. Eu só me animo a escrever um conto quando alguma idéia específica vem à minha mente (acho que nos últimos anos escrevi uns quatro ou cinco contos) e não adianta eu me forçar a escrever algo a esmo.
O próprio T2G que você pode encontrar no menu ao lado esta parado há meses, sendo que a intenção era um capítulo por semana. É fato que minha colega Júlia não escreveu sua parte ainda, mas lhes garanto que a tenho pressionado quase diariamente.
Estou querendo pegar um livro novo para ler na Fnac chamado "O Motim do Bounty" que trata de um assunto próximo do que eu estava escrevendo no livro novo. Quem sabe assim não consigo alguma inspiração e livro meus personagens do marasmo que eles têm passado nos últimos meses.
por Claudio Villa
Alex
Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Thank You
Silvia Celani
Sexta-feira, 20 de Abril de 2007
Meu caro amigo... quer uma sugestão? Então me liga, vai e conversamos bastante. garanto que sou uma pessoa cheinha de idéias... você sabe!!! Mil beijos. Sil
Monica Solon
Terça-feira, 17 de Abril de 2007
Olá Cláudio
Também sou uma escritora amadora – não diria iniciante, pois venho fazendo isso a vida inteira e, aos 41 anos, não tenho mais esse direito… 
Pois é, não me lembro de ter vivido bloqueios verdadeiros, eu acho... Algumas coisas acontecem comigo que podem ser interpretadas como algo parecido:
. Ás vezes empaco em uma história e não consigo continuar a desenvolvê-la. Tenho que abandonar o ‘projeto’ por um tempo e ou iniciar outro ou dar continuidade a algum que estava meio à deriva.
Para não soar tão maluca, é o seguinte. Em geral, escrevo um livro de cada vez. Mas tenho alguns projetos inacabados, aos quais retorno periodicamente. Tenho uma saga iniciada por volta do segundo ano da facultade (os ‘idos’ 87/88, se não me engano) que não consigo terminar. Já finalizei outros livros e esse, em especial, volta e meia empaca de forma absurda!
. Também tenho certa dificuldade com contos. Como você disse, preciso ter uma idéia muito específica. Senão, minha tendência é querer transformar tudo em livro. Isso é uma questão que preciso desenvolver…
Não acho que possa dizer nada que realmente te ajude nesse sentido. Acho que essa sensação de insegurança, esses altos e baixos, fazem parte do processo de ser escritor. Não creio que possam ser evitados… Talvez eu tenha arrumado um jeito de driblar o problema, mas não resolvi, com certeza…
Também tem a questão do tempo. Só posso escrever nos finais de semana. Portanto, a minha vida social foi para o espaço! Escrevo a manhã inteira e depois fico exausta, não quero fazer mais nada. Se eu tivesse que mudar tudo e escrever à noite, acho que sofreria horrores para me adaptar.
Posso dizer o seguinte: não desanime. Nunca! Aliás, não creio que seja possível não escrever. Portanto, acho que você também não corre esse risco. Sei que nessa profissão, tem muitos “nãos” e sei que posso:
. não terminar um livro
. não escrever bem
. não conseguir encontrar um bom título
. não ficar satisfeita com meu texto
. não querer publicar
. não conseguir publicar
Só tem um “não” que não é possível: não escrever.
Sua imaginação é muito fértil, tenho certeza de que é povoada com muito mais personagens do que consegue colocar no papel. Não consegue escrever o primeiro parágrafo? Escreva sobre os personagens, a história deles, um momento importante, um evento crucial, uma batalha, uma cena… Se não for dessa história, escreva de outra.
Você fala uma coisa interessante: “Às vezes parece que aquele texto ali escrito simplesmente não é meu e que eu na verdade estou metendo minha mão na obra de alguém.” Tirando a questão das influências naturais que todos sofremos, e acho que não é a isso que se refere, já pensou que a história que está criando tem vida própria e uma força motriz quase ‘independente’. Já me peguei pensando: que diabos está acontecendo? Não era isso o que eu queria que estivesse acontecendo, mas foi para onde a história ou os personagens me levaram.
E quantas vezes me pego lutando para visualizar a trama, antecipar eventos, relacionar fatos, solucionar crises… para em seguida cair fulminada, exausta de cansaço? Se não consegue colocar tudo no papel, coloque apenas fatos, frases soltas. Em algum momento, elas vão fazer sentido. Não as deixe cair nas frestas! Isso acontece mesmo, faça um esforço e coloque nem que seja uma notinha em algum lugar!
Vale, como disse a sua esposa, ‘descansar’ da história um pouco, pois te dá uma perspectiva mais realista: de fato as fundações são fracas ou estou sendo hiper crítico? A resposta parece fácil, mas não é. Se distanciar um pouco ajuda – não digo que resolve, mas ajuda.
Vi o filme “The Bounty” com o Anthony Hopkins, baseado nessa história ("O Motim do Bounty" ) e, quando vi o livro na prateleira, também me empolguei. Se decidir ler, depois me conta as impressões: msolonr@globo.com
Olha, não costumo falar tanto assim e muito menos dar conselhos, mas o fato que é o seu desabafo me fez refletir. Não sei se disse alguma coisa relevante ou que ajude de fato mas achei legal poder compartilhar um pouco da minha vivência nesse ofício.
Abraços,
Monica S
Anderson
Terça-feira, 17 de Abril de 2007
Reitero o que a Babi disse! :)
Babi
Segunda-feira, 16 de Abril de 2007
Pois é, todos nós temos momentos de bloqueio. Várias vezes eu já pensei que o que eu escrevo no meu blog é uma porcaria e que eu deveria apagá-lo pras pessoas não perderem tempo por lá. Mas aí passa uma pessoa por lá e faz um comentário bacana e eu já me animo de novo. Claro que com o livro é mais complicado ainda, pois além dos amigos e pessoas mais próximas não tem ninguém que saiba o que vc está escrevendo. Mas fica tranquilo que uma hr essa inspiração volta. Pra mim tudo depende um pouco do momento que vc está passando. E como vc msm diz que nem tudo está bem, isso pode te afetar. Bem... meu conselho é pensar positivo e distrair a mente. Talvez funcione!
Bjs
Igor Zolnerkevic
Segunda-feira, 16 de Abril de 2007
Grande Cláudio,
Sobre a sensação de escrever lixo, fique tranqüilo. Você está em boa companhia:
http://www.williamgibsonbooks.com/blog/2006_12_01_archive.asp#116520956176984363
Minha bíblia (http://www.press.jhu.edu/books/title_pages/1758.html)
diz o seguinte:
"Remember that you cannot tell how well you are writing by the way it feels. Most writers have an occasional day when writing feels like flying: Your mind is quick and clear, your verbs are active, the sun is out, and you feel like a minor deity, able to recreate the world (if not only re- and only on paper). Then there's the occasional day that feels like creeping along a trail in the dark, extruding each sentence slowly and with pain from somewhere near the umbilicus. In between those extremes come days when you feel like a carpenter, putting together a pretty darn good bookcase.
Naturally, we all prefer to fly. But flying, in my observation, is no more likely to produce excellent work than is creeping. Either can produce brilliance, windy trash, an ad-mixture, or good workmanlike prose, and you cannot know which till you look at it cold, later. Carpentry is less risky, though it may turn out flat.
In short, you should accept however the writing day goes, but don't get married to the results till you look at it later, cold. It's only a draft.
Remember that A DRAFT IS ONLY A DRAFT."