Segunda-feira, 17 de Março de 2008
O Refúgio
Essa semana quero falar sobre um aspecto de ser escritor que estranhamente nunca abordei no passado. Dizem que o que faz um homem é o ambiente onde ele esta inserido, então nada mais natural que o mesmo valha para alguém que se propõe a criar novos mundos.
Esse artigo foi na verdade inspirado por um e-mail que meu amigo Igor me enviou no comecinho de Dezembro e que no final das contas acabou inclusive mudando todo o planejamento das minhas férias. O e-mail em questão era sobre uma matéria muito curiosa publicada no site do jornal inglês The Guardian, que mostrava os estudios de alguns dos maiores escritores da atualidade. Foi curioso perceber como o local de trabalho de cada um pode variar de um verdadeiro ambiente tipico da Casa Cor até praticamente um estudio montado em meio a um depósito de velharias. Para quem estiver curioso para ver essas variantes o link para a matéria é o http://books.guardian.co.uk/writersrooms
Mas voltando ao assunto, imagino que estejam se perguntando como raios essa simples matéria acabou por alterar o planejamento das minhas férias? Antes vale abrir um pequeno parênteses.
Meu primeiro livro, "Pelo Sangue e Pela Fé" foi escrito ao longo de seus quatro anos em um único lugar, meu quarto na casa de meus pais. Era lá, onde nas madrugadas sonolentas quando todos já estavam dormindo e a casa ficava em silêncio, que eu colocava uma trilha sonora baixinho e soltava minha imaginação. Meu quarto sempre me foi acolhedor e por mais que tentasse, dificilmente conseguia escrever ou ter idéias em outros lugares. Foi no meu quarto também, onde dei início a meu segundo romance, escrevendo a primeira das três partes que planejei para ele.
Porém, em Junho de 2007 as coisas mudaram de figura e minha vida deu um giro de 180 graus. Foi nessa época em que decidi ir morar com minha esposa, então grávida de dois meses. Rapidamente acabei por sair da casa de meus pais, desmontar meu computador e me mudar para o apartamento dela. Nessa época o irmão dela vivia conosco e acabei instalando meu computador no escritóio improvisado que exisitia ali. Durante esses meses, o bloqueio que já vinha me atingindo a algum tempo permaneceu e, por mais que tentasse, não consegui progredir em nada no novo livro.
Com a proximidade do nascimento do Pedro, acabamos por desmontar o escritório e montar o quarto dele, o que me obrigou a transferir meu computador para uma escrivaninha em nosso quarto de dormir. Dali em diante, com a Aninha dormindo atrás de mim e o trabalho na Fnac, não consegui realmente criar nada de novo e acabei desistindo.
A coisa começou a mudar no início de Janeiro, quando o irmão da Ana decidiu retornar para São José dos Campos, o que acabou vagando um quarto na casa. Conversei com ela sobre o assunto e decidimos que eu iria reformar o quarto e prepará-lo para ser meu novo estudio de trabalho. A idéia inicial era só dar uma demão de tinta, mas conforme o projeto ia avançando, lentamente fui incorporando novas idéias para transformar aquele ambiente em um lugar que poderia voltar a escrever.
A primeira parte curiosa diz respeito a tinta que utilizei nas paredes. A minha intenção foi tentar tornar aquele escritório o mais parecido com meu quarto original e para isso fui até a casa da minha mãe e munido de uma espátula arranquei um diminuto pedaço da tinta do meu quarto. Com esse pedacinho de tinta em mãos fui até uma daquelas bancas de misturar tintas da Suvinil que com o uso de um scanner conseguiu determinar a cor exata da tinta utlizada no meu quarto (um marrom bem claro).
Durante os dias que se seguiram a isso, descobri que além de escritor também tenho certos talentos para a pintura de paredes, instalação de lustres e conduites de eletricidade, além é claro de aprender na marra a furar paredes e prender prateleiras. Durante a minha pequena reforma, todo o cuidado era pouco sendo que deixava as tarefas mais barulhentas para fazer quando o pequeno Pedro estava acordado. Foi um longo esforço, e duas semanas depois o estúdio estava pronto. Encerrei a arrumação roubando os velhos móveis do meu quarto juntamente com meu quadro favorito do HMS Bounty e colocando tudo em um carreto para levar até meu novo refúgio.
Três meses se passaram desde então e admito que até o momento ainda não consegui prosseguir com o livro em si, mas agora com meu espaço já tenho conseguido reorganizar algumas idéias e pretendo dar continuidade à história da Colleen o mais breve possível.
A ironia, no entanto, não poderia ser maior pois, devido a alguns fatores que ocorreram essa semana, estou escrevendo esse artigo para o blog não em meu novo estudio, mas sim em meu velho quarto, que por tantos anos me ajudou a dar prosseguimento ao meu sonho.
por Claudio Villa
Leandro Radrak
Quarta-feira, 19 de Março de 2008
hueheuehue, Cara teu cantinho é muito parecido com o meu. por causa do móvel e computador.
A única diferença é que o meu está beeem bagunçado com anotações para todos os lados. Muito interessante.
Gostei do artigo.
[]´s
Ceres
Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Uau! Ficou chique hein? Desde pequena sempre gostei muito de escrever também. Com 12 anos eu tinha terminado um livro de romance policial, e meus pais fizeram uma surpresa para mim editando algumas cópias e me dando de natal. Foi o melhor presente de natal que eu já ganhei!
Mas voltando ao assunto do lugar para escrever, eu lembro como era aqui em casa: um escritório beeem pequenininho, cabia só o computador e uma cadeira, mas era tão tranquilo e silencioso que só lá eu tinha inspiração para escrever. =D
PS: Que monitor liiindo *__* heheheh
PS2: Quero conhecer o Pedrinho logo tbm \o/
Julia
Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Nossa, Pico... Realmente o "refúgio de escrita" é essencial para qualquer escritor...
Enquanto eu ia lendo, fui lembrando dos meus e de como certos momentos da minha vida foram mais (ou menos) inspiradores do que outros justamente devido a essa questão...
Espero que realmente você consiga continuar a sua (ou da Colleen) jornada, pois estou curiosíssima pela próxima aventura...
E peço novamente desculpas por não ter terminado seu livro... Minhas professoras certamente pensam: "Ah, é? Vocês fazem Letras e gostam muito de ler??? Então vocês lerão até não poder mais!!!"... Assim, só pego meu livro à noite, quando já estou indo dormir e leio meras 5 páginas por dia...
Adorei seu cantinho, viu? Quando nós (eu e o Ric) formos te visitar e ver o Pedrinho (já não tão "inho" pelo que pude ver nas fotos), espero poder ter a honra de conhecê-lo pessoalmente.