Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
O Peregrino
Hoje quero falar um pouco sobre o início do que posso considerar a parte mais difícil dessa jornada que venho empreendendo nos últimos anos. Fazer com que meu livro chegue às mãos de seus potenciais leitores.
Como já havia dito antes, e apesar de todos os contratempos, hoje percebo que o grande desafio não está em publicar um livro propriamente, mas sim em fazer com que as pessoas tomem conhecimento dele. Diariamente dezenas de livros são lançados no mercado, cada um visando objetivos e públicos específicos. Dos calhamaços jurídicos aos livrinhos de receitas, cada um busca seu lugar no espaço, o que se torna muito difícil quando levamos em conta a quantidade monumental de títulos disponíveis.
Se esse já não fosse um desafio imenso, os livros ainda têm de lutar contra as grandes editoras que com dinheiro, divulgação e pessoal especializado inunda livrarias e seus vendedores com livros de qualidade muitas vezes duvidosa. Ser um autor independente no Brasil exige perseverança e sobretudo sola de sapato.
Assim, iniciei minha peregrinação essa semana. De barba feita, roupa arrumada e pasta debaixo do braço parti para o confronto com algumas livrarias, dar a cara a tapa e ver o que eu conseguiria. Minha editora, como sabem, é pequena e não conta com um promotor especializado para visitar cada livraria, assim sendo assumi esse papel.
Meu primeiro destino foi a livraria Saraiva de onde havia conseguido um contato e onde estava mais confiante. Ao chegar na loja descobri que meu contato estava almoçando e que voltaria dali a uma hora. Com o tempo extra sobrando resolvi adiantar o dia e visitar a Livraria Cultura do outro lado da rua. Quando lá cheguei, sem exatamente saber onde ir perguntei pelo comprador da área de literatura da loja e poucos minutos depois fui apresentado ao Rodrigo.
Desde o início de nossa conversa o Rodrigo foi extremamente solicito e interessado no que estava lhe apresentando. Estou certo de que a capa do livro, que ele elogiou, ajudou em muito a causar uma boa impressão e dez minutos de conversa depois ele já estava com um release do livro na mão e telefonando para a editora para consignar algumas peças para sua loja. Ele ainda comentou que havia alguns atendentes por lá que adoram esse tipo de literatura e que estava certo que eles não se importariam em ler o livro e indicá-los a seus clientes.
Sai de lá confiante e descobri no dia seguinte que meu livro já estava disponível para venda no site deles, incluindo a capa e a mesma resenha que havia lhe entregue. Mas voltando à peregrinação, como havia meia hora até a compradora da Saraiva voltar do almoço, aproveitei para eu mesmo almoçar e então colocar a mala no ombro e seguir viagem.
Chegando na Saraiva, a compradora de nome Marcia (que me foi apresentada dias antes por um colega da Fnac) me recebeu igualmente solicita e sorridente e após uma breve conversa também se comprometeu a consignar algumas peças para a loja dela, expor os livros e medir os resultados. Caso a venda na loja da Saraiva Morumbi (a menina dos olhos da rede) tiver uma venda expressiva, será o momento de buscar a sede da empresa e tentar distribuir o livro em outras lojas.
Desde aquele dia (a quase uma semana) venho aguardado e cobrando da minha editora as negociações com as livrarias (incluindo, é claro, a Fnac). Posso dizer que essas primeiras visitas me trouxeram bastante confiança em seguir com o trabalho e a certeza de que estou no caminho certo. Agora venho lentamente trabalhando na divulgação do livro nos meios de comunicação (sites em especial), buscando é claro que as pessoas saibam que ele existe.
Enquanto isso sigo com meu trabalho de peregrino, andando pelas livrarias e vendendo meu peixe. É claro que esse trabalho só dará frutos se também contar com a ajuda de vocês leitores que queiram conhecer algo além do Cláudio Villa blogueiro.
Quem foi que disse que o trabalho de um escritor é fácil?
por Claudio Villa
Coslei
Terça-feira, 07 de Julho de 2009
Muito bom o registro do colega, com certeza serve de motivação para nossa raça de escritores anônimos.
DOUGLAS MCT
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Parabéns, Villa.
Ser escritor não é somente escrever e criar mundos, mas também divulgá-lo e desgastar a sola do sapato! Fazer com que outros o conheçam e indiquem, expandindo assim, o universo que criou e tornando-o acessível para todos - afinal, um livro que não tem leitores, não pode ser chamado de "livro", não.
Mais uma vez parabéns!
Você merece.
E domingão estarei lá! ;)
Abx.
Rogério Henrique
Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
É Claudio vida de escritor não é fácil. Espero que nesse caminho você consiga ter um reconhecimento grande como escritor.
Abraços...