Domingo, 10 de Janeiro de 2010
O Pequeno Principe
Eu sempre uso esse blog para relatar a vocês experiências relacionadas a arte de escrever e ao oficio de ser um escritor de fantasia no Brasil. Porém algumas vezes certas situações acontecem conosco que precisam ser relatadas, mesmo que não estejam relacionadas diretamente ao ato de escrever
Aconteceu algo assim comigo na semana passada, uma daquelas situações inesperadas que nos pegam de surpresa e que não sabemos bem como agir. Estava trabalhando na livraria quando um homem acompanhado de um menino de não mais do que dez anos me abordou perguntando pelo gerente da loja.
Bem, lá na Cultura não temos propriamente um gerente e somos instruidos a analisar o caso para repassar para a pessoa competente. O homem foi direto, disse que queria muito que o garoto lesse o Pequeno Principe, mas adiantou que não tinha dinheiro para comprar o livro.
A Cultura é conhecida por manter diversos programas de incentivo a leitura, incluindo a doação de livros para instituições e ONGs. Na hora não soube exatamente como agir, apesar de saber que não conseguiria que a livraira doasse o livro para aquela pessoa. Fiz então o que tinha a meu alcance, acompanhei o homem até o infantil, entreguei o livro na mão dele e disse que ele poderia ficar quanto tempo ele quisesse ali lendo.
Ele agradeceu, disse que o menino era seu sobrinho e que o pai estava preso e que não queria que o menino aprendesse coisa errada. Por ironia do destino ou não, o garoto tinha o olho claro, cabelo loiro meio espetado, muito semelhante ao protagonista do livro que desejava ler. Reforcei ao homem que a livraria estaria sempre aberta e que ele poderia voltar sempre que quisesse ler algum livro. Não poderiamos lhe doar um livro, mas ele poderia utiliza-los a vontade.
Nesse pós Natal, quando durante dias presenciei centenas de pessoas consumindo desenfreadamente, comprando livros e mais livros muitas vezes sem nem saber do que se trata passei a refletir. Eu mesmo já adquiri inumeros livros ao longo desse ano e desses eu li poucos. Muitos estão guardados, comprados no impulso do momento e sequer sei se os lerei um dia.
A pilha do Simbolo Perdido do autor Dan Brown continua descendo freneticamente, impulsionado pela fama e pela midia do autor. Penso quantos desses livros "da moda" serão realmente lidos e absorvidos e quantos irão decorar a estante das pessoas. Poucas coisas em meu trabalho me incomodam tanto quanto a sede de alguns consumidores pelos "mais vendidos" ou os "indicados pela Veja". Uma coisa é a pessoa procurar por algo que lhe interesse a outra por algo que alguém alheio disse que ela deva ler.
Apesar da situação e da impotência, fiquei feliz em ver que aquele homem, mesmo desprovido de recurso, buscou de alguma forma adicionar fantasia e imaginação a aquela criança. Não consigo sequer imaginar como deva ser a vida dela, mas se ja se interessa pela leitura já está um passo a frente de muita gente que apesar do dinheiro, é incapaz de ter opinião sobre o que ler.
por Claudio Villa
ceres
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010
Muito legal sua atitude moço! Que bom que o homem encontrou você, e que vc teve a idéia de dar espaço para garoto ler o livro.
Agora, se um livro é best seller, de um autor pouco conhecido, significa que o livro é bom mesmo. Se muito gente gosta, o autor conseguiu fazer uma mistura que agradou tantos diferentes. O ruim é quando o autor tem nome, fez filme, e todo mundo compra porque o cara é bom. Eu caí nessa num livro do Sidney Sheldon e achei um lixo, E Dan Brown, já deu no primeiro livro. Foi legal, foi diferente, mas o resto é tudo igual ao primeiro.