Segunda-feira, 07 de Maio de 2007
O Nascimento de um Personagem II
Há alguns meses lembro-me de ter escrito aqui como minha personagem Colleen (protagonista do livro que venho trabalhando no momento) nasceu. É curioso como alguns personagens nascem de forma espontãnea enquanto outros vão ganhando forma ao longo dos anos.
Antes de começar esse post, peço a meus leitores um pequeno favor. No artigo dessa semana quero tentar passar a vocês um pouco das sensações e dos pensamento que tive para começar a criar o personagem que vou lhes descrever. Por conta disso, vou precisar que vocês dediquem um pouco mais de tempo a esse post do que aos artigos normais. Se você estiver com pressa ou sem paciência agora, deixe para lê-lo em um momento de mais calma e concentração, de preferencia em um lugar calmo onde você não vá ser importunado a todo o instante. Feitas as recomendações, vamos ao que interessa.
Recentemente minha amiga Julia (a mesma que há meses vem nos devendo um novo capítulo do T2G) insistiu para que eu assistisse a um clipe que ela havia postado no Orkut. Por alguma razão, ela achou que eu me identificaria com ele, só que o que ela não imaginava era o quanto essa identificação seria profunda.
Para poder explicar, vou ter de retornar alguns anos no passado, precisamente no encerramento de uma sessão de cinema de um filme que passou longe de ser agradável. Há todo instante eu estou pensando e criando coisas novas para meu mundo e minhas histórias, mas essa época em particular é importante pois era o momento em que eu estava desenvolvendo as bases fundamentais de Aldarian (o reino onde se passa minhas histórias).
Por muitos anos ele não passou de um nome e algumas informações esparsas, mas conforme o primeiro livro ia ganhando forma, a necessidade de um cenário mais verossimil se fez presente.
Pois bem, eu estava saindo da sessão do filme "Falcão Negro em Perigo" (Blackhawk Down - 2001) quando a música que tocava no final dos créditos me chamou a atenção. Era basicamente uma marcha e como fã de trilhas sonoras fui tentar descobrir que canção era aquela. Após uma rápida pesquisa na internet descobri se tratar de uma marcha irlandesa chamada "The Minstrel Boy". Em seguida baixei uma MP3 e uma versão da letra sem saber o quanto aquela musica mudaria para sempre minha forma de escrever.
Somente para acrescentar um pouco de informação história, essa musica foi escrita por um certo Thomas Moore (1779 - 1852) com o intuito de homenagear alguns amigos que haviam lutado e morrido durante rebelião Irlandesa de 1798. A musica também se tornou uma das favoritas dos soldados Irlandeses que lutaram durante a Guerra Civil Americana (1861 - 1865).
Eis que a tal musica me inspirou a escrever uma parte da história de meu reino, pelo menos uma das mais significativas que foi a Guerra de Independência. Este conflito descrito em minha cronologia deverá ganhar um livro próprio nos próximos anos, sendo que seu protagonista será um jovem bardo de nome Aldar.
Até poucas semanas, Aldar não passava de um nome em um caderno de notas, mas desde que vi o video que a Julia me mandou ele estranhamente ganhou um rosto e até mesmo uma forma de ser. Eu tinha em mente algumas cenas e idéias para ele, mas nunca até então havia tido aquele "despertar de um personagem" que algumas vezes me ocorre.
O convite que lhes faço hoje é de exatamente tentar "vivenciar" um pouco desse despertar, mostrando-lhes como surgiu a idéia inicial (através da musica Minstrel boy) e como esse novo clipe acrescentou informações e idéias a esse personagem. É claro que esse tipo de experiência é altamente pessoal e subjetiva e dependera da sensibilidade de cada um para assimilar um pouco do que quero passar ou para apenas ver dois clipes musicais.
O primeiro clipe, é claro, é a musica The Minstrel Boy. Peço perdão pelo clima de patriotismo americano das imagens e apesar de existirem diversas versões dessa musica fiz questão que o arranjo que vocês ouvissem seria exatamente o mesmo que chamou minha atenção no cinema. Sugiro que ignorem as imagens e aproveitem para ouvir a música e acompanhar a letra que segue logo abaixo.
The minstrel boy to the war is gone,
In the ranks of death you'll find him;
His father's sword he hath girded on,
And his wild harp slung behind him;
"Land of Song!" cried the warrior bard,
"Tho' all the world betrays thee,
One sword, at least, thy right shall guard,
One faithful harp shall praise thee!"
The Minstrel fell! But the foeman's chain
Could not bring that proud soul under;
The harp he lov'd ne'er spoke again,
For he tore its chords asunder;
And said "No chains shall sully thee,
Thou soul of love and brav'ry!
Thy songs were made for the pure and free
They shall never sound in slavery!
Após ouvirem o video acima e acompanharem a letra, acho que conseguiram visualizar Aldar como o jovem menestrel da musica e perceber ao menos como idealizo o desenrolar desta guerra. É claro que essa música foi apenas a primeira fonte de inspiração para essa história, mas é também, sem dúvida, a mais significativa.
Abaixo esta o video que minha querida amiga Julia me mandou e caberá a cada um perceber a ligação que essas duas musicas possuem e como elas se conectam para dar uma "alma", ainda que tenue, a um personagem do qual ainda sei muito pouco. A grande dica é que o protagonista do video se assemelha muito a como visualizo meu personagem a partir de agora e estejam certos de que verei esse video repetidas vezes sempre que buscar inspiração para criá-lo.
Ufa, este foi um post incrivelmente longo e agradeço a paciência daqueles que chegaram até aqui e leram tudo. Espero ter conseguido passar um pouquinho do que é para mim o processo de criação de um personagem e de um mundo fantástico. Existem muitos elementos racionais e factíveis nesse processo, mas nunca podemos ignorar aquele fator emocional e porque não dizer subjetivo no momento da criação. São coisas assim que acredito muitas vezes fazem de meus personagens (ao menos para mim) mais do que letras sobre o papel. Jonathan e Colleen já passaram por isso e agora é Aldar que galga os primeiros degraus para se tornar real e humano.
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por Claudio Villa
Fabio
Segunda-feira, 14 de Maio de 2007
Fantástico, um personagem que tenha alma, e uma alma como essa é como um ente querido ou um filho que se deseja.
Os coadjuvantes são criados com razão e equilíbrio ... mas os nossos protagonistas são de fato um pedaço de nós. E estes são mesmo do domínio do coração !
Ótimo post Villa !
Abraços !
Julia
Segunda-feira, 07 de Maio de 2007
: )