Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
O Naif
O nome do post dessa semana foi retirado de um texto escrito pelo jornalista e amigo António Luiz M.C Costa publicado essa semana em sua coluna no site da Carta Capital. O termo foi usado por ele para se referir, de forma muito carinhosa, a mim e a minha obra em um belíssimo artigo sobre os autores e a literatura fantástica no Brasil. O texto pode ser visualizado em http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=1825.
O termo Naif, segundo a santa Wikipédia, se refere a qualquer artista que exerça seu oficio sem possuir um profundo conhecimento técnico ou acadêmico sobre ele, sem que isso, no entanto, prejudique a qualidade final da obra. Traduzindo para um escritor, seria o mesmo que ser comparado aqueles velhos contadores de história que mesmo não tendo muitas noções de estilo, narravam aventuras em volta de uma fogueira, passando e repassando a tradição oral de geração em geração.
Isso não quer dizer que pretendo me contentar em ser um simples contador de histórias, mas estou ciente de minhas dificuldades em lidar com questões técnicas quanto o assunto é escrever. Venho aos poucos aposentando alguns vícios e aprendendo noções que me serão úteis no futuro.
A questão é que apesar do comentário elogioso no artigo, meu final de semana como escritor foi sem dúvida um dos piores pelos quais já passei. Não me sentia tão desestimulado e prestes a jogar tudo as favas desde os problemas que tive com a primeira edição do livro. A razão para tanto foi uma resenha publicada no site RedeRPG na Sexta Feira. O texto pode ser lido aqui: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=5583
Ai vocês se perguntam: "Quer dizer que você sempre pede para criticarem seu livro, sempre diz para seguir em frente e quando você sofre a primeira crítica negativa quer desistir?". Não é bem assim.
Durante todo o processo de escrita do livro, desde que era um simples manuscrito até se aproximar do que era hoje eu sempre quis e pedi que amigos e conhecidos exercessem seu poder de crítica. Acho que o comentário construtivo só tem a colaborar com o trabalho de um autor, ainda mais iniciante, a melhorar e lapidar sua obra. Eu enviei meu original a pelo menos vinte dessas pessoas (muitas que inclusive pediram para lê-lo) e o total de respostas que tive foi zero.
Eu ainda não tinha os mesmos contatos que tenho hoje com outros escritores e profissionais do mercado e me arrependo disso não ter acontecido. Sei que hoje, caso precise de uma leitura crítica, encontrarei mais pessoas dispostas a fazê-lo.
Na época do lançamento resolvi arriscar. Na certeza de que tinha algo bom em mãos, vendi meu carro, investi meu dinheiro nesse sonho e publiquei a primeira edição do livro. Todos que aqui acompanham sabem dos inúmeros problemas que tive com a editora e não vou entrar nesse mérito novamente. De lá para cá, mais de um ano se passou e durante todo esse tempo eu trabalhei muito para conseguir conquistar um pequeno espaço no mercado. Não tem sido uma briga fácil, mas aos poucos tenho conseguido conquistar pequenas vitórias.
Então surge essa resenha que fez críticas realmente muito duras sobre todo o meu trabalho. Entendam que não quero aqui desacreditar o crítico ou choramingar por uma crítica ruim, mas apenas passar-lhes, como sempre foi a proposta desse diário, o que passa na minha cabeça nesses momentos.
O texto ataca todos os aspectos da obra, sem poupar praticamente nada, criticando e apontando problemas que eu não havia detectado antes. As pessoas tem me aconselhado a aprender com essa crítica, extrair o que há de melhor nela, mas com tantos problemas eu simplesmente não sei sequer por onde começar. Fiquei com minha confiança como escritor totalmente abalada e tive vontade mesmo de jogar o livro novo no lixo e desistir, pois apesar de acreditar que ele esteja melhor do que o primeiro, ainda acho que está muito longe de ser o ideal.
O que tem me salvo e ajudado a me recompor é sempre incondicional apoio da minha esposa, meu pequeno Pedro e o apoio de alguns amigos escritores que assim como eu entendem a importância das críticas, mas sobretudo entendem que existem formas diferentes de fazê-las.
A crítica possui sim muitos pontos válidos como quanto trata de alguns excessos no que diz respeito a adjetivações, pleonasmos e descrições e é com esses problemas em especial que tenho tido mais cuidado no novo livro.
No entanto existem pontos com os quais discordo, especialmente os que tratam de personagens planos, diálogos e motivações pouco convincentes. De todos aqueles que leram meu livro até hoje (de amigos a estranhos) ninguém nunca chamou minha atenção para essas questões. Estariam todos me poupando ou seriam essas opiniões muito pessoais do crítico?
De qualquer forma, deverei ficar alguns dias sem escrever nada novo até absorver toda essa questão. Pretendo fazer uma nova revisão da primeira parte (já concluída) em busca desses problemas, o que acabara por atrasar um pouco mais meu cronograma. Nesse meio tempo me resta levantar do chão e prosseguir o trabalho no interesse de remediar todos os problemas que essa crítica possa trazer.
por Claudio Villa
Jonas R. Nascimento
Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Bom, talvez nosso amigo ali não passe de um anti-literatura-brasileira; um daqueles que acredita que tudo o que é nacional é ruim, e já começa a ler o livro com esse pensamento na mente, o que faz com que ele realmente o ache ruim, e veja cada característica da obra como um defeito. Ou talvez seja dor-de-cotovelo mesmo; ele deve ter postado alguma história num blog, que não fez nenhum sucesso, e por isso agora se diverte falando mal das histórias dos outros. De qualquer forma, ele fez muitas críticas sem fundamento, julgo eu, e a pior delas é a de que "os personagens não têm vontade própria, e agem de tal forma porque o enredo precisa tomar aquele rumo." Ora, em toda história os personagens deverão agir de acordo com o rumo que o enredo deve tomar. É óbvio que o autor decide dar um rumo ou outro à história, e fará com que os personagens ajam de acordo com o que deve acontecer. Mas realmente algumas histórias nos passam a impressão de que o enredo foi todo arquitetado por uma "grande mente", digamos assim. Um bom exemplo é Star Wars. Tudo o que acontece nos três primeiros episódios parece estar caminhando para uma única direção: a criação do Império Galáctico e o domínio deste sobre todos os mundos. Mas isso não é um defeito. Realmente um dos personagens, Palpatine, estava planejando tudo aquilo, e tudo correu perfeitamente de acordo com seus planos. Porém é interessante notar que mesmo nos 3 episódios seguintes - os antigos, dos anos 80 - tudo parece caminhar na direção contrária: a de desfazer tudo o que foi feito por Palpatine. E aí não há ninguém conspirando. E como se tudo seguisse um enredo pré-determinado, e ainda assim não óbvio. O que estraga uma história é a obviedade do enredo, e não o fato de os personagens agirem de acordo com ele, ou de forma que o criem ou modifiquem. Voltando à crítica, convenhamos... É fácil criticar uma obra literária quando você não possui uma. As críticas realmente válidas, na minha opinião, são aquelas que vêm de outros escritores, e de preferência de escritores de sucesso. E nosso amigo ali não é um escritor, portanto não possui uma obra literária que possa mostrar a você e dizer: "Veja, é assim que se escreve. Eis o meu livro. Aprenda a escrever como eu." Se ele já tivesse escrito algo de sucesso, aí poderia dizer isso. Pois para mim, para criticar você deve antes fazer algo melhor do que aquilo que criticará. Se vo cê não pode fazer melhor, então cale-se até que possa fazê-lo, e então poderá criticar à vontade - ou melhor, não à vontade, pois críticas destrutivas como aquela jamais são bem-vindas. Ele não disse "Cláudio, você deve fazer etc., etc. e tal para melhorar seu livro." Não. Simplesmente disse "Seu livro é horrível e você não tem futuro", e tentou comprovar sua afirmação com teorias equívocas e infundadas, baseadas apenas em sua opinião pessoal, e não em algo científico, comprovado. Mas de qualquer forma, sempre haverá críticas, Cláudio, SEMPRE. É claro, você já deve saber disso. Portanto levante a cabeça, respire fundo e continue seu trabalho, pois, assim como críticas, também sempre haverá elogios.
Leonardo
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Nós precisamos cair para aprender a levantar!
Cláudio, antes de mais nada, foi um prazer conhecê-lo na bienal! Eu sou o peregrino de Mato Grosso do Sul, hehehehe.
Enfim, digamos que eu sou um pseudo escritor de fantasia (com muito esforço tive 30 cópias de meu livro publicadas pela CBJE), e outrora alguém me disse que "é preciso ler muitos livros bons para se escrever um livro ruim". Isso me fez e faz refletir bastante sobre a escrita e suas vertentes.
O ponto é o seguinte. Estou quase terminando a leitura de seu livro e digo que é excelente!!! Afinal de contas, quando um certo alguém me transmitiu a mensagem transcrita em linhas anteriores eu perguntei como saberia se um livro é bom ou ruim, e logo veio a resposta: Um livro bom é aquele que não importando a maneira como foi escrito te emociona e faz teu espírito ascender um pouco mais. E com toda certeza teu livro emociona e eleva o espírito. Ele nos transmite valores, quando vejo os elfos do teu romance, ao folhear as páginas é como se estivesse prostrado diante de um mestre iluminado que não vê bem ou mal e sim apenas e integralidade da existência! Isto só para citar um aspecto positivo de teu livro!
As pessoas caem em cima do Paulo Coelho, dizem que a linguagem dele é medíocre, mas medíocre ou não ela transmite bons valores. E é pelo mesmo motivo que o maior poeta ainda vivo, Manoel de Barros, recusa até hoje os milhares de convites que sempre recebe da Academia Nacional de Letras. Pois ele se preocupa em transmitir valores e não em exaltar uma pseudo-falsa "norma culta" da linguagem para se vangloriar de suas idiossincrasias gramaticais.
Teu livro é ótimo, você é um excelente escritor e não deve parar um segundo de escrever! Pois é fato, que quando você posterga o momento do encontro da tinta com a folha na forja de uma nova história, toda Fantasia (vide Michael Ende) se emaplidece e deixa a tristeza dominá-la!!!!
Lavanta-te nobre guerreiro! Ergua a espada da tua imaginação pois é fato que a esperança da colheita reside na semente!!!!!
Paz e inspiração, grande irmão!!!
Leonardo T.
www.liberimago.com
Ninja (akele da velha TM)
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Caro Paul
Estava eu aki na agência num raro momento sem fazer nada e topei com seu post aki. Oq eu posso te dizer é o q um grande publicitário americano disse uma vez em relação a uma das campanhas mais famosas da história: se 50% das pessoas que viram o anúncio gostaram, e 50% das pessoas odiaram, a campanha foi um sucesso pq vai gerar muita discussão em cima do produto.
Não q seu livro seja uma campanha publicitária, mas mesmo q vc seja o melhor escritor do mundo, sempre vai ter gente que vai falar alguma merda que você não concorda. Mas olha pelo lado bom: o Paulo Coelho tem uma legião de gente que odeia ele e o cara tá podre de rico.
Apesar de ainda não ter lido seu livro eu admiro sua atitude de colocar sua cara pra bater aí com sua obra no mercado e estar se dando bem. Parabéns e sucesso!
Aaraon
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Paul. A gente se conhece a anos.
Então é o seguinte, num desiste. Todos tem criticas ruins. Prum cara que num curte o estilo do Tolkien, você deveria relevar rapidamente esse texto.
Se voce pensar em desistir lembre que eu sei onde voce mora!
Abraço!!
Gotcha
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Claudio, algumas criticas são feitas com a intensão de destruir. Esse visivelmente é o caso. É claro que devemos prestar atenção as criticas, mas algumas não merecem nem esse nome, como é o caso dessa. Quando eu li a critica, a unica coisa que me veio a mente foi: "o que esse cara tem contra o Claudio?" pq para mim parecia mais um ataque pessoal do que resenha literaria.
Isso vindo de um site que elogia e parabeniza um lixo como Angus (e o seu, com toda a sinceridade já é superior a ele). Não desista dos seus sonhos e do seu talento porque uma pessoa má intensionada quer te derrubar. O tempo e suas vitorias é que irão servir para mostrar a ela o quanto estava errada.