Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

O Motim do Bounty

    Fazendo uso mais uma vez do meu direito de tomar livros emprestados na Fnac, escolhi um titulo que certamente me chamou a atenção. A primeira menção que tive sobre esse livro foi na Folha de São Paulo, sendo que uma semana depois o livro estava em minhas mãos.

    O livro conta a história do HMS Bounty, um pequeno navio inglês que nos idos de 1780 foi enviado ao Taiti em uma missão oficial para se coletar mudas de Fruta Pão. A fruta pão é uma planta cujo fruto (como próprio nome já diz) possui gosto e textura semelhante ao pão e era visto pelo almirantado inglês como uma solução barata para alimentar os escravos das colônias do caribe.

    O navio foi entregue a um certo William Blight, um experiente navegador que outrora havia navegado sob o comando do Capitão Cook (o primeiro homem a circunavegar a Austrália). Assim como seu mestre, Blight era um homem metódico que acreditava firmemente na necessidade de se manter uma tripulação saudável, limpa e bem disposta.

    Após uma tentativa desastrada de tentar contornar o cabo Horn em direção ao Pacifico, Blight se viu cada vez mais comandando uma tripulação insatisfeita, sendo que suas punições gradativamente aumentaram. Após meses de viagem, seus homens chegaram ao Tati onde passaram alguns meses colhendo a tal fruta e se preparando para voltar.

    Quando tudo estava pronto, os homens de Blight apegados a vida exuberante e paradisiaca vivida no Taiti seus se amotinaram, tomaram o navio e largaram o tenente Blight em um pequeno bote (junto de alguns homens fiéis) no meio do pacifico para morrer. Blight milagrosamente, conseguiu voltar a Inglaterra dando inicio a uma busca aos amotinados.

    Para aqueles enfurecidos com os spoilers que descrevi, lhes digo que tudo isso é descoberto apenas lendo-se a contra-capa do livro e o que realmente fascina na história é a forma como os acontecimentos vão tomando forma.

    Com um texto agradável de ler, semelhante ao que encontrei nos livros Piratas, Uma História Geral de Crimes e Roubos de Piratas Famosos e A Viagem do Pirata Richard Hawkin (ambos do autor E. San Martin), além de mapas e desenhos que ilustram os protagonistas da história, a autora Caroline Alexander nos mostra como era o dia a dia a bordo desses navios a partir dos diarios de bordo e das cartas enviadas pelos tripulantes.

    Apesar de ser muito detalhista algumas vezes (o que cansa um pouco), seu texto esta longe de ser a linguagem chata e altamente técnica de Patrick O´Brian (Mestre dos Mares). Ainda não acabei de ler o livro (afinal são mais de 500 páginas), mas estou adorando e sentindo aquela vontade de voltar a escrever.

    Porém minha relação com o Bounty vai além desse simples livro e mesmo temendo me alongar no post, quero contar duas histórias rapidamente. Nos idos de 1995 eu tive a oportunidade de viajar para Portugal com minha familia. Já sendo um amante dos navios de madeira por conta do hobby de meu pai, fiquei contagiado com aquela idéia de estar numa nação de navegadores e ainda mais animado em conhecer a famosa Escola de Sagres.

    Sobre a escola eu lhes conto outro dia, mas eis que num dos passeios por Lisboa entramos em uma loja que vendia quadros e posters. Eu estava ansioso por comprar um poster que tivesse o desenho de um belo navio a vela (meu pai tinha usado um desenho semelhante alguns anos antes para fazer um modelo em escala). Fuçando em meio aos vários desenhos de mapas e outras coisas, achei um que possuia um navio de perfil além de detalhes sobre as velas e outros pontos de interesse. Adorei aquele poster e o comprei na hora. O navio ilustrado no quadro era o Bounty.

    O mesmo poster encontra-se até hoje enquadrado e pendurado no meu quarto e é bem curioso ler esse livro olhando para ele. Um detalhe sobre esse desenho é que ele possui escrito em quatro linguas (Espanhol, Inglês, Francês e Português) um breve resumo sobre a história do Bounty, sendo que só fui me dar conta disso e ler o que dizia aquele poster muitos anos depois dele estar na minha parede.

    Se coincidência pouca é bobagem, no ano seguinte tive a oportunidade de ir fazer intercâmbio nos EUA e fiquei um mês alojado em uma pequena universidade localizada em St Petersburg (Flórida). Numa das noites de folga, nosso instrutor nos levou para passear em um pier local (um lugar com um misto de lojas, restaurantes e ponto de encontro) e eis que para minha surpresa e alegria havia ancorado ali um lindo navio a vela. Imediatamente saquei minha câmera e comecei a bater fotos dele. Me aproximando mais da belonave (que aquela hora estava fechada a visitação) pude ver uma placa que dizia ser aquela uma réplica do HMS Bounty. A tal réplica fora construida e usada em um filme sobre ele em 1986. Pesquisando na internet esses dias descobri que essa mesma réplica foi usada em um dos filmes do Piratas do Caribe, apesar da fonte não mencionar em qual deles.

    Sou um pouco supersticioso com essas coisas e tenho fé que esse livro não caiu em minhas mãos por acaso. Quem sabe após tantos encontros e desencontros com esse navio, não seja a sua história que irá me trazer novos ventos, renovando minha inspiração na história de minha pirata Colleen.

  por Claudio Villa


1 comentário esperando autorização.

romar antonio
Segunda-feira, 03 de Outubro de 2011
li o lvro em 1980 e me apaixonei. Dai conseguí os outros 2 e lí toda a saga. Dias destes li que existe uma ilha prospera nonde todos são cristhian no sobre nome

vanessa fernandes
Terça-feira, 29 de Abril de 2008
legal otimo

one pice
Sexta-feira, 03 de Agosto de 2007
fuffy um jovem admidor de piratas que queria ser um deles e comeu a fruta do diabo.anos depois estará um grande tomar pirata e em contra o tisouro``one pice...

Bel
Quinta-feira, 26 de Abril de 2007
Oi, Paul! ^_^ Faz um tempinho que não entro aqui, por isso li vários posts seus de uma vez. Só queria apontar uma inconsistência no que vc falou e que talvez seja relevante pro seu livro: em um posto (acho que no que leva maçonaria no título) vc diz que a religião é um dos quatro poderes da nação que você criou, mas nesse último, se não me engano, vc diz que a igreja não tem mais poder nela, que a ciência está muito mais forte (medieval X vitoriano). Só um toque prá você ver prá onde vai levar essa esfera da sua história. De repente pode até ser um dos pontos de intriga. O velho poder deixando de ser importante, a simbologia de ser retirado da bandeira, a guerra civil que isso poderia desencadear... ;D Fica a idéia! Beijos, beijos!!

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