Quarta-feira, 08 de Junho de 2011

O Furacão Sul - Recebido o Parecer da Editora

    O título acima não é criação minha, mas sim a forma como minha editora resolveu batizar o parecer sobre meu segundo romance, O Vento Norte.

    Não poderia ser mais apropriado, pois como o próprio nome diz tende a ser uma verdadeira e impeidos tempestade sobre tudo aquilo que criei.

    Admito que decidi escrever esse post antes de ler o parecer, exatamente para fazê-lo de forma neutra, sem deixar que sentimentos conflitantes influenciassem meu pensamento. É claro que nesse meio tempo, já tive algumas conversas com a editora pelo MSN, e mesmo sem ler o documento, já sei de algumas alterações importantes que ela solicitou.

    É a primeira vez desde que comecei a escrever que passo por processo semelhante e confesso, estou apavorado. O processo de edição de um livro é o momento em que o autor deve por de lado todo seu orgulho, todo seu sentimento "paternal" por seu texto e entender que nem tudo aquilo que ele escreve e se admira é necessariamente o melhor.

    A função de um editor é muito clara, é ler seu texto, enxergar os erros que passam longe do autor, cortar e remendar no interesse de fazer uma história que funcione não apenas na cabeça do escritor, mas da maioria das pessoas que decida gastar seu suado dinheiro naquela história.

    Não é um trabalho fácil e muitas vezes deve ser frustrante, pois muitos autores se recusam a aceitar críticas, a enxergar suas próprias falhas. Todos queremos ver o herói galante ao olhar no espelho e não o ogro, cheio de defeitos.

    Nas palavras da minha editora, que abrem o parecer:

    Antes de mais nada, lembre-se: estamos juntos nessa e eu quero o melhor para o livro. Por isso, provavelmente vou pegar muito mais pesado do que se fosse simplesmente uma leitora.

    É a essa verdade que estou me agarrando nesse momento, a certeza de que, pela primeira vez, existe alguém que está comigo no barco em meio a tormenta, alguém que tanto quanto eu quer ver esse livro ser um sucesso. Minha editora hoje é parte da minha tripulação, alguém que irá puxar os cordames, ajustar as vergas e lutar comigo nessa tempestade

    É fato que ao longo desses últimos anos, tive muitos, muitos amigos que foram imprescindíveis para chegar onde cheguei, pessoas sem as quais teria falhado miseravelmente nesse louco sonho de ser escritor. Todas elas me ajudara em muito, mas sempre se mantiveram no porto, rezando e torcendo ao me ver embarcar.

    Peço perdão se nos próximos dias sentir raiva, frustração, vontade de gritar e de desistir. Essa é a parte ruim do processo pelo qual estou me preparando para passar.

    Só existe uma coisa que me reconforta, saber que no final dessa tormenta, acharei um porto seguro onde todos vocês estarão prontos a e receber e onde poderemos comemorar mais uma viagem de sucesso. Estão prontos?

  por Claudio Villa


Igor Z
Domingo, 12 de Junho de 2011
Imagino como se sente. Como jornalista, já tive a experiência de escrever uma matéria, achar que estava abafando, só para receber o manuscrito de volta pingando tinta vermelha. No caso de escrever ficção a sensação deve ser ainda pior, pois o que está no papel não saiu da boca de um entrevistado ou de uma observação direta do mundo exterior; saiu de dentro de você! De certa forma, é uma parte de você. Nessas horas o melhor é respirar fundo e dizer para si mesmo que o editor está julgado aquele texto e não você e sua capacidade de escrever. Mas tem um porém. Os editores podem mudar minhas matérias o quanto quiserem, desde que não cometam erros factuais e conceituais. Da mesma forma, Cláudio, espero que os editores de seu livro estejam sendo fiéis à verdadeira história que você quer contar, sugerindo mudanças para melhor expressá-la e não para deformá-la.

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