Domingo, 19 de Outubro de 2008
O Contexto Histórico
Hoje quero lhes falar um pouco sobre uma questão que já vem sendo levantada a muito tempo em relação a meus trabalhos, o contexto histórico.
Nas últimas duas semanas, como vocês já sabem, venho arrumando a primeira parte de meu novo projeto: O Vento Norte. Ele atualmente vem passando por um processo de leitura crítica e apesar de ter recebido apenas dois retornos de leitores Beta até o momento, já fiz nele diversas alterações.
Um dos principais questionamentos levantados pelo Antonio até o momento são os anacronismos e inconsistências que o livro possui dentro do contexto histórico onde ele é baseado. Mas afinal, qual a importância desse contexto?
Existe um dito popular que diz que "nada se cria, tudo se copia" e nenhuma frase poderia ser mais real na literatura. Não consigo imaginar nenhum tipo de universo ficcional que não possua ao menos algum tipo de relação com a realidade, algum traço de nossas caracteristicas culturais seja do passado ou do presente.
A razão disso é muito simples, é impossível se criar qualquer tipo de história minimamente atrativa se você não conseguir criar uma empatia do leitor com seu mundo. Não há como jogar o leitor em um mundo completamente alienigena, sem que ele tenha algum tipo de referência histórica em que se apoiar. Essas referencias podem ser sutis, mas certamente estarão lá.
No meu caso, optei por apresentar um mundo de fantasia que se inspira em diversas culturas anacronicamente distantes, uma época com caracteristicas medievais e modernas. Meu ponto de inspiração seria a américa do séc XVIII, uma época onde o homem passava a romper as fronteiras de seu conhecimento, ampliando seus horizontes para além do velho continente.
Essa época se caracteriza por grandes embarcações a vela, viagens temerárias aos confins do mundo e o contato com povos desconhecidos.
Fica a pergunta: Quando se cria um universo ficcional, utilizando um contexto histórico, devemos nos ater a todos os seus pormenores? Na minha opinião, a resposta é não. Na minha visão, o contexto histórico deve servir como base, um norte para que o leitor consiga visualizar em sua mente os eventos descritos em palavras. É claro que quanto maior a pesquisa, mais "convincente" esse mundo se tornará, porém a inspiração histórica não pode servir para engessar um autor de fantasia, obrigando o a escrever seu mundo com um livro de história a seu lado. Se o Vento Norte fosse um romance histórico, ambientado na américa do séc XVIII por exemplo, ai sim certos anacronismos seriam praticamente criminosos.
Para ser sincero acho divertido brincar com anacronismos, adotar tecnologias e comportamentos que não são comuns a época utilizada. Explicar essas diferenças de forma convincente é sem dúvida o grande desafio, mas imagino que quando esse objetivo é alcançado, deixamos no leitor um pouco do famoso sense of wonder, aquela sensação de surpresa ao se conhecer um mundo diferente, mas ao mesmo tempo familiar.
Admito que fiz muitas modificações para adequar a história a seu contexto histórico, sem no entanto modificar seu "sabor" original. Sobretudo, minha pretensão literária é escrever livros que divirtam e encantem o leitor, que o inspirem de alguma forma e o faça refletir sobre a mensagem que quero passar. Que as minúncias históricas fiquem em seu devido lugar: a sala de aula.
por Claudio Villa
Ana Lúcia Merege
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
Simplesmente perfeito!!
É isso aí, Villa! Vamos pesquisar, criar uma estrutura bem-amarrada e convincente... em suma, vamos ser plausíveis, mas sem subordinar a imaginação à rigidez do fato histórico.
Chega da ditadura da cronologia perfeita e das ciências exatas. Vamos criar , sonhar, ousar!