Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
O Alto Custo da Fantasia Nacional
Outro dia recebi de meu amigo José Roberto, o release e a capa de seu primeiro livro, "O Baronato de Shoah". Sempre fico feliz quando vejo amigos conseguirem publicar seu trabalho, ainda mais em um mercado tão restrito como o de fantasia nacional, e sei que isso é fruto de meses, as vezes anos de esforço.
Porém quando fui ler o release, quase cai para trás. o livro tem formato 14x21 cm (padrão), 264 páginas e um preço de capa de R$46,90. Um valor altissimo para um livro desse tamanho.
Vamos traçar um paralelo. o livro "Guerra dos Tronos", do autor George R.R. Martin, um clássico da literatura estrangeira de fantasia (e um calhamaço de 592 páginas) tem preço de capa de R$49,90, apenas R$3,00 a mais que "O Baronato de Shoah". O dobro de páginas por praticamente o mesmo preço
Infelizmente essa realidade não acontece apenas com meu amigo José Roberto, mas parece ser um denominador comum em autores de fantasia nacional. Meu amigo Leandro Reis padece de problema semelhante, seu excelente "Filhos de Galagah" tem preço de capa de R$49,90 apesar do tamanho ligeiramente maior (352 páginas).
Vejam que a questão a ser discutida aqui não é a qualidade das obras ou de seus autores (conheço o trabalho do Leandro, que é fantástico), mas sim algo mais prático, a acessibilidade de nossos autores para o público em geral.
Escrever fantasia no Brasil já é um problema por si só. Primeiro porque tratamos de uma literatura de nicho, com um público a principío restrito. O segundo ponto é que os autores, como eu, somos ilustres desconhecidos, sendo apenas conhecidos em meio ao fandom. O terceiro problema, por mais absurdo que possa parecer é o fato de sermos brasileiros e sofrermos preconceito de nossos próprios leitores.
É fato que a escolha de valores é, em muitos casos, uma diretriz da editora e que o autor, ainda encantado com a publicação, quase nunca tem voz nesses assuntos. Sei que publicar é caro, que envolve custos de papel, impressão, distribuição e etc... mas como podemos ter alguma chance com o público em luta tão desigual
Publicar fantasia nacional no Brasil é e sempre será uma luta entre Davi e Golias. A questão é que nesses termos temos um Davi armado com uma funda e balões de água e um Golias municiado com uma .50.
Todo autor que leva seu trabalho a sério quer se expandir além do fandom, quer conquistar públicos diferentes, quer ser lido. Porém enquanto as editoras (e os próprios autores, pois sim, eles tem de brigar por cada aspecto de sua obra) não se conscientizarem disso, cada dia mais veremos talentos perdidos no fundo de prateleiras.
Vender mais caro, pode sim ajudar a recuperar o investimento mais rápido, mas será a melhor estratégia? Esse ano meu novo romance sai por uma editora séria e torço para que meu editor tenha a mesma consciência que eu. Eu vou fazer minha parte!
Meus dois centavos (gastos aqui ao invés de comprar algum livro de fantasia nacional) nesse assunto.
por Claudio Villa