Terça-feira, 25 de Março de 2008
Memórias de Infância
É realmente curioso como uma simples mudança de ambiente pode trazer a tona certos sentimentos e hábitos antigos que você acreditava fazer parte do passado. Nas últimas duas semanas, por conta do trabalho, não pude acompanhar minha esposa e filho a uma viagem que ambos fizeram para a casa da minha sogra em São José dos Campos. Por conta disso, para não ficar sozinho em casa, acabei vindo passar esse período na casa de minha mãe (que além disso, fica a dez minutos do trabalho).
No último ano, e em especial nos últimos nove meses, minha vida mudou radicalmente já que tive de deixar o conforto da casa da minha mãe para assumir o papel de marido e de pai junto a minha esposa. Já se passou quase um ano desde que sai de casa para morar com minha doce Aninha e esses dias passados com minha mãe tem me trazido certas lembranças sobre como e porque acabei escolhendo a carreira de escritor.
O primeiro hábito que achei que estaria no passado é exatamente o que estou executando agora, as 01:22 da madrugada de uma terça feira, levantar da minha cama com uma necessidade quase física de escrever. Enquanto tentava adormecer em meio ao calor, comecei a ter lembranças curiosas sobre como lentamente fui me desenvolvendo como escritor e o longo caminho para chegar até aqui.
Eu sempre adorei escrever e esse hábito foi por muitas vezes minha válvula de escape para os problemas cotidianos. Haviam noites insones onde eu simplesmente levantava, pegava um pedaço de papel e caneta e começava a escrever uma carta ou algo semelhante, mesmo que isso se mostrasse sem sentido. Não sei quantas vezes fiz isso, mas sei que de todas essas, apenas uma delas sobreviveu e a encontrei por acaso a alguns dias. É fato que a maioria de meus textos eram bastante melancólicos na época, mas acho que como tudo serviram para lentamente me acostumar a expressar sentimentos e idéias sobre o papel.
Acho que como a maioria dos escritores adolescentes, comecei com poesias, versinhos rimados sobre diversos assuntos que ao ler hoje percebo quanta imaturidade eu ainda tinha, mas que ainda guardo com carinho por representarem uma fase de transição na minha vida. Apesar disso, ainda existem alguns poucos textos que ainda gosto e que quem sabe, um dia, não possam chegar até vocês como uma mera curiosidade sobre quem eu fui antes de chegar aqui.
Lembro-me inclusive da primeira vez em que expus meu trabalho ao público, durante uma feira cultural na minha escola. Eu estava no terceiro colegial e acabei entregando um conto e algumas poesias para uma professora que acabou expondo meu trabalho no pátio da escola, colado nas colunas que sustentavam o andar superior. Curiosamente não me lembro de nenhuma reação positiva e muito menos negativa sobre essa exposição, o que me faz pensar que naquela época meus colegas estavam pouco ligando para papéis alheios colados na parede.
A primeira tentativa de escrever um livro aconteceu quase na mesma época, iniciado na última folha de um caderno escolar. Lembro-me de ter trabalhado nele por meses e ao conclui-lo, com aproximadamente cem páginas, achei ter escrito algo fantástico. Lendo esse velho manuscrito hoje o que eu vejo são cenas de ação desconexas, frases de efeito e uma trama solta que serve apenas como desculpa para apresentar personagens de que gostava na época. Curiosamente no entanto, decidi recentemente que usarei o exato mesmo mote desse velho livro no trabalho que venho desenvolvendo agora, remodelando e colocando nele a experiência que adquiri até aqui. Acho que isso servirá de certa forma para fechar um ciclo, uma transição definitiva da adolescência à vida adulta.
Parece que realmente, certos hábitos são dificeis de largar. O artigo dessa semana semelhante a tantos textos escritos a mão no passado, está cheio de pensamentos e idéias, mas carecendo um pouco de coerência e objetividade. Essa semana promete grandes mudanças e espero ter novidades para vocês na próxima atualização.
por Claudio Villa
Thais
Sábado, 29 de Março de 2008
Eu me lembro que na 2 série, depois de um ano que a gente já se conhecia, conversamos no recreio sobre o "gostar de escrever" e depois de tantos anos de amizade, muitos dos hábitos são os mesmos. Lembro das peças que a gente escrevia na escola. E que nem todas foram grandes sucessos de público... mas muito mais que isso é o fato de eu guardar esses textos das nossas lembranças com muita saudade, carinho, admiração e orgulho do que vocêm feito...