Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

Lá e de Volta Outra Vez

    Chega a ser irônico quando esse tipo de coisa acontece. Você trabalha duro, adentra madrugadas e mais madrugadas escrevendo e quando acha que esta tudo pronto, percebe que terá de reescrever muita coisa.

    Dizem que publicar o primeiro livro é fácil, a maior dificuldade esta em publicar o segundo. Isso sem dúvida é uma verdade universal. Olhando hoje o processo de publicação de Pelo Sangue e Pela Fé e o que esta acontecendo com O Vento Norte, vejo o quanto isso é verdade. O mais interessante no entanto, é que esse original nem chegou nas mãos de uma editora ainda.

    Ontem fui a uma reunião com dois de meus amigos. O jornalista e também autor Sérgio Pereira Couto e o Gianpaolo Celli, esse último editor da Tarja. O motivo da reunião, o começo do meu livro que segundo alguns leitores critico (e o próprio Gian), esta chato, arrastado e pedante.

    Desde que comecei a escrever O Vento Norte, senti que havia a necessidade de contar toda a história da personagem, Colleen Northwind, numa tentativa de explicar seu comportamento. Isso se tornou ainda mais forte quando após a primeira leitura beta, alguns leitores disseram que o comportamento dela era inconsistente, que eu precisava explicar melhor como uma jovem nobre acaba se tornando uma pirata. La fui eu, de volta ao original, para criar mais cenas que justificassem esse comportamento.

    Agora a situação é outra. Parece que essas explicações exageraram na dose e tornaram o livro chato. A sugestão agora é mudar o foco, é iniciar a história com mais ação, relegando a história da personagem a lembranças de seu passado.

    Como fazer isso? Bem, isso implica em reesscrever boa parte do começo do livro, e só de pensar nisso fico desanimado. As vezes tenho vontade de fazer como outros autores que escrevem o que querem, dão na mão do editor e seja o que Deus quiser.

    A verdade é que cometi muitos erros no PSPF, erros que não quero voltar a cometer nessa nova obra. Um segundo livro é sempre um comparativo. A oportunidade de reforçar o contato com quem gostou do primeiro ao mesmo tempo que me redimo com quem não gostou. O Vento Norte tem de ser um bom livro, senão espetacular ao menos melhor e mais interessante que o primeiro.

    Se soubesse que daria tanto trabalho, talvez não o tivesse escrito. Mas hoje sei que muitos dos problemas se devem a uma extensa falta de planejamento, erro que não cometerei no terceiro.

  por Claudio Villa


Ceres
Terça-feira, 25 de Maio de 2010
É complicado ouvir opinião dos outros o tempo todo. Sempre vai ter alguém que vai achar que seu livro devia ser sobre coisa X e nao Y.

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