Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
Eragon - O Dragão de Um Milhão de Dólares
Outro dia fui assistir Eragon nos cinemas e ao finalmente conhecer a história de tremendo sucesso de Christopher Paollini pude perceber algumas coisas realmente interessantes.
ATENÇÃO, ESSE POST CONTÉM SPOILERS DO FILME. CASO NÃO QUERIA SABER DETALHES DA HISTÓRIA, PARE POR AQUI
Em linhas gerais, o filme é sem dúvida muito divertido. Eu sou uma pessoa suspeita, pois adoro filmes de capa e espada. No entanto, quando deixei de lado o emocional e passei a racionalizar a história como escritor percebi algo que a princípio seria ambíguo aquilo que acredito.
Antes de me aprofundar mais vale lembrar que o autor começou a escrever Eragon quando tinha quinze anos e que a primeira edição do livro foi bancada de seu bolso. No entanto, o livro fez um tremendo sucesso nos EUA e logo Christopher Paollini já tinha em sua conta bancária seu primeiro milhão. Com o sucesso de seu primeiro livro, ele poderá dedicar o resto de sua vida a escrever sem se preocupar mais com dinheiro. A pergunta que fica é: "Por que Eragon, um livro de fantasia entre tantos outros existentes nos EUA fez tanto sucesso?". "Que tipo de elementos surpreendentes ele traz ao leitor para cativá-lo?" A resposta na minha humilde opinião é nenhum.
Sempre lembrando que estou fazendo essa análise baseada no filme que acredito ter mantido a estrutura básica da história. Não estou levando em conta a qualidade do texto de Christopher, mas tão somente o enredo de sua trama. A grande verdade é que Eragon simplesmente segue todos os clichês que se esperaria de um livro de fantasia, tornando a história totalmente previsível e simples.
O livro conta com três elementos, dos quais dois eu abomino na literatura . O primeiro é o conceito do messias, o jovem inapto e simplório que descobre no futuro ter sido predestinado a cumprir uma importante tarefa que irá salvar o mundo. Eu acho esse conceito tão batido e insosso porque fica óbvio desde o início que o "escolhido" irá cumprir seu papel de acordo com a profecia e se tornará um herói. É fato que em sua jornada ele tomará decisões precipitadas, quase colocará tudo a perder mas ao final ele se salvará.
O segundo conceito que também não me agrada é o maniqueismo do Bem X Mal. Em Eragon temos o jovem e predestinado herói que luta contra o maligno e tirânico senhor do mal. Para variar, o vilão é movido pela ganância de querer dominar o mundo, 'algo nunca explorado na literatura anteriormente'.
O terceiro e último conceito é a Jornada do Herói de Joseph Campbell que deve, na minha opinião, ser empregado com sabedoria para que não deixe a história previsível. Não é o que acontece em Eragon. E lá esta o jovem e imprudente herói que repentinamente se vê em meio a algo maior do que sua vida pacata. Sua vida estaria acabada se não fosse pela intervenção de um mestre, um companheiro leal que irá lhe ensinar tudo o que sabe antes de morrer tragicamente. A morte de seu mestre é o momento de maturidade do protagonista quando ele finalmente se sente preparado para enfrentar seu destino.
Como podem ver, Eragon em uma análise fria, é a mistura de regras clássicas da literatura fantástica. Um roteiro simples onde qualquer pessoa com um pouco de conhecimento literário consegue prever exatamente o que vai acontecer. Eragon não inova, pelo contrário, aplica todos os clichês possíveis e imagináveis.
Agora vem a parte curiosa. Como explicar o sucesso de algo tão plano e óbvio como Eragon? Muitos escritores de fantasia (eu incluso) buscam fugir desses paradigmas na tentativa de criar algo um pouco mais original, mas foi o óbvio que conquistou as multidões. Me pergunto se estarei no caminho errado para conquistar o interesse do público? Se o que os leitores de fantasia querem é o bom e velho café com leite ao invés de bebidas com sabores diferentes?
Não irei mudar meu estilo de escrever ou de criar por conta disso, pois acredito que antes de tudo minha história tem de me convencer. No entanto, esse acontecimento realmente me fez pensar...
por Claudio Villa
1 comentário esperando autorização.
Kaka
Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
li os 2 livros e achei muito bons, mas acho humanamente impossível que qualquer um deles seja integralemente reproduzido para uma apresentação quer fosse d 3hs ou mais,oq com certeza tornaria o filme enfadonho já que são muitas coisas para tratar.
o diretor terminou tendo q deturpar muitas coisas e isso compromete o desenlace do filme
o filme é uma prova de q naum e necessário aqueles enredos mirabolantes para que os fãs do gênero, e que naum precisamos nos abster dos valores comuns,
o nosso tempo está virando um clichê e nem por isso menos interessante
Cacau
Sexta-feira, 09 de Março de 2007
Não estou estou defendendo Christopher, nem sou nenhuma crítica mas, pelo que eu pude entender você só viu o filme e não leu o livro... pois bem, aí vai minha opinião: eu li os dois livros e tive a infelicidade de assistir o filme. O filme não retrata em nada o que acontece no livro... o que o produtor do filme fez foi pegar a base de história de ERAGON e transformá-la no que ele acha que agradaria ao público... O filme não tem qualidade em nada... nem em imagens nem em efeitos especiais nem temporalidade, nada! É como numa crítica que eu vi: "É um filme de péssimo gostou profissional, o qual só vale apena ver pela beleza do Dragão"... eu discordo até disso... Desde quando Dragão tem penas!!!
É verdade que Christopher usou alguns clichês em sua história sim, mas na minha opinião o que importa não são os clichês, e sim como a história foi desenvolvida e isso ele soube fazer muito bem... Afinal de contas, Harry Potter e O Senhor dos Anéis, usam esses mesmos clichês, apenas num espaço e tempo diferentes, e tem um sucesso até maior.
Mas ao contrário do que você falou, não é tão previsível quanto parece. Como disse Tzahal é só você lê o segundo livro para perceber isso... você não pôde perceber isso por ter visto somente 'aquilo' e não ter lido os livros. Aí vai uma dica: leia os dois livros, espere o terceiro e refaça a sua crítica.
Isabel
Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007
Oras, às multidões agrada o que é fácil, pronto, mastigado, facilmente assimilável... É só ver o ibope das novelas da Globo para saber que o que o povo quer é saber o que vai acontecer! ;) A galera não curte complexidades, pensar dói, cansa... ir com o fluxo é muito mais fácil. Não me surpreende nem um pouco tamanho sucesso. Não que com isso eu queira incentivar a mediocridade, longe de mim! A vida fica bem mais interessante quando algo novo se mete na nossa frente e nos dá um puta susto... Mas não se espante, a humdanidade é assim... vai pela lei do menor esforço... ;)
Tzahal
Sábado, 17 de Fevereiro de 2007
Outra coisa, já leu os dois livros? O segundo não fica tão óbvio, mas como diz um amigo meu, pra que complicar, se tá pronto é mais fácil do que preparar. acho que é comodismo!!!
Elisson
Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007
Antes de mais nada, ótimo texto.
Realmente é de impressionar que um livro clichê faz tanto sucesso, qual será a receita do autor para isso?!
Mas, vale salientar, ninguém pode ter opiniões só vendo o filme... Por isso, vou começar a ler o livro agora.