Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
Direito de Resposta
Eu não costumo reagir a críticas, ainda mais aquelas que não estão fundamentadas em nada além de uma opinião pessoal. Já recebi alguns comentários do gênero aqui no blog e fiz questão de publicar todos, mas um deixado na semana passada me chamou particularmente a atenção. O comentário em questão foi deixado no artigo de 07/04/2008 intitulado "A Página em Branco". Reproduzo o comentário abaixo para uma melhor visualização.
James - 16/04/2008 18:48
Conselho de amigo: vai procurar outra coisa pra fazer vc não serve pra escritor! ainda nao se tocou que escrever nao é a tua praia e que só quem compra teu livro são teus amigos e tua noiva, mesmo assim certamente nem lêem se tu fosse de fato um escritor brilhante, como deixa ímplicito nas postagens, tu já tinha saído do anonimato (porque, apesar de ter o livro publicado, ninguém te conhece, porque o livro quase nao vende) Dica: abre uma pequena empresa, vai fazer uma faculdade, deixa esse sonho pra lá.. é só um sonho... um dia tu acorda
A primeira coisa que vem a minha mente ao ler algo assim é uma pergunta: o que leva uma pessoa a deixar um comentário desses?. Alguns poderiam utilizar a saída da inveja, mas eu particularmente não gosto dessa afirmação. Alguém que chama um crítico de invejoso está simplesmente tomando a saída mais fácil. Tão pouco conheço essa pessoa a ponto de imaginar que seria por raiva ou qualquer coisa que eu já tenha lhe feito. Fica a opção da crítica pela crítica, a pessoa que quer ser ouvida sem ao menos saber exatamente do que está falando.
É curioso notar o tom adotado na mensagem, em especial a afirmação que diz que deixo implícito ser um escritor brilhante. Nunca, em nenhum momento me propus a ser algum tipo de gênio literário. Se escrevo é porque gosto de contar história e gosto de fazer com que as pessoas deixem um pouco o mundo real para viajar pelo universo da imaginação. Isso sempre me fez muito bem e não vejo porque não compartilhar com outras pessoas. Acho que se um dia me propuser a ser alguém brilhante, provavelmente tentarei uma carreira acadêmica em alguma área das ciências.
Outra afirmação curiosa é sobre as vendas dos livros e sobre quem os compraria. É fato que o livro não está entre os dez mais vendidos, mas o que as pessoas esquecem de considerar é que o sucesso comercial de um livro envolve muitas coisas, especialmente de bons contatos e uma excelente mída.
Editoras grandes podem pagar por espaços privilegiados em livrarias (que podem custar até R$5.000,00) além de terem assessorias de imprensa dedicadas em tempo integral a colocar seu livro em evidência. Um autor independente como eu depende sim de muita perseverança e sobretudo de bons amigos e contatos. Sem nenhuma ajuda especializada consegui colocar o livro nas principais livrarias de São Paulo, em destaque, o que tem ajudado na venda. Tenho conseguido pouco a pouco um espaço na mídia, como algumas reportagens em sites e revistas e até mesmo uma matéria na televisão.
Não sei que grau de acesso meu caro amigo possui para afirmar tão categoricamente que o livro simplesmente não vende. O que posso dizer dos meus contatos em livraria (sendo que já trabalhei em uma) é que o livro tem sim uma venda modesta, mas seus compradores não se resumem aos meus amigos e minha noiva. Posso não ser o mais novo bestseller, mas de livro em livro tenho conseguido me fazer lido.
Por fim, eu devo agradecer ao meu colega pelo conselho, mas dizer também que meus verdadeiros amigos não me desencorajam de perseguir meus objetivos. Fico pensando o que seria de nosso mundo hoje se todas as pessoas que ousaram não aceitar ter uma vida igual a milhares de outras, tivessem desistido de seus sonhos através do conselho de algum "amigo". Já tenho a minha faculdade, a minha familia e a minha vocação que é escrever.
Espero que algum dia meu crítico possa ler o meu trabalho e criticar sim, fundamentando suas idéias. Nesse meio tempo eu pretendo continuar trabalhando (pois nenhum livro é escrito apenas se sonhando, existe sim muito trabalho envolvido).
Eu poderia optar pelo caminho mais fácil, o de trabalhar em um lugar comum, ganhar meu dinheiro, consumir como um bom capitalista, para um dia, na minha velhice, olhar para trás e perceber que não deixei nenhum legado pelo qual ser lembrado. O futuro a Deus pertence e pode ser que realmente eu nunca venha me tornar um escritor campeão de vendas.
Independente disso, meu livro está ai e enquanto existir ao menos um exemplar, esquecido em uma prateleira de livraria, em um sebo ou mesmo perdido em um armário qualquer, meu sonho ainda prevalecerá. Desculpe se não aceitei ser apenas mais um na multidão, mas sou assim mesmo: estranho, persistente e sonhador, algo normal quando se é escritor.
por Claudio Villa
Yukio
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
Escrever é legal.
Radrak
Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Cláudio, me espanta você ter se dado ao trabalho de respondê-lo... sequer é digno de atenção.
[]´s
Gounford
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
Ta aí, ele se pronunciou, e afirmou que nunca leu seu livro, algo que faz com que o comentario dele seja anulado.
Essas críticas são até normais, a levar em conta que somos brasileiros, e existe um grande preconceito no gênero.
Mas você está certo em não levar em conta e não deixar-se atingir por essas críticas.
Para mim você está de parabéns, LI sue livro e espero o próximo com afinco, não só o próximo, mas, os próximos.
Obrigado!!!
Rogério
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
Claudio tudo bem.
Vou deixar a minha opinião e venho falar desde então que além de seus amigos e da sua noiva, um cara como eu viu o seu livro e comprou no evento do EIRPG. Pois ai eu conversei com você e acabei indo no seu recal trocar o livro. Esses dias peguei o seu livro e começei a ler novamente acredita. Sempre acreditei no seu trabalho, se eu seguisse o mesmo caminho que você trilha, não seria para ser um escritor de sucesso, mas sim mostrar as minhas histórias.
É natural ver certas pessoas falar de que ser escritor não é um sonho em ser alcançado.
Somos dos mesmo signo e nascemos no mesmo dia, creio que tenhamos a mesma imaginação de criar essas histórias e eu penseo da mesma forma que você.
abraços...
D & D
Terça-feira, 22 de Abril de 2008
e aew
eu tenho u blog que criei há pouco que trata de livros como o teu ( inclusive uma dos poucos artigos é sobre vc) não se encabula com o titulo
sou fã desse tipo de literatura e estou em busca do teu livro
entra lá http://www.cenariomedieval.blogspot.com/
James
Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Direito de leitura:
Gostaria de ver o seu trabalho, para poder criticar fundamentado em alguma coisa; posta pelo menos um capítulo do teu livro aí no blog. além disso, pode despertar o interesse de outras pessoas e divulgar a tua obra.
Jonas R. Nascimento
Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Escrever histórias de fantasia realmente é um grande desafio hoje em dia. Depois do advento da ciência e do antropocentrismo na Idade Moderna, o interesse das pessoas por hitórias mitológicas e aventuras lendárias diminuiu significativamente, dando lugar à preferência por "aquilo que é real". A ficção dos contos medievais passou a ser considerada "infantil". Quem trouxe a popularidade dessas histórias de volta foi John Ronald Reuel Tolkien, principalmente com sua famosa obra "O Senhor dos Anéis", que, na minha opinião, é uma das principais fontes de inspiração de todos - ou quase todos - os RPGs que temos hoje. É o melhor livro que já li até hoje. No entanto, Tokien criou uma certa, digamos, dificuldade para todos os que ousam escrever histórias fantásticas hoje em dia. Ele quase que monopolizou lendas e criaturas mitológicas (como os elfos, orcs, trolls...); assim como a imagem que todos nós temos de um mago - um velho encapuzado de barba longa e grisalha, que usa um cajado para lançar seus feitiços. Por isso, o escritor de fantasia de hoje tem sempre que fazer algo inovador, algo que não pareça uma cópia de O Senhor dos Anéis, ou O Hobbit; algo que fuja desses velhos clichês. E mesmo que isso seja feito, o escritor ainda deve enfrentar um certo preconceito do público adulto, no qual ainda perdura a idéia de que a fantasia é "para crianças". Ainda mais no Brasil, onde as pessoas não gostam de ler, e quando lêem, é livro de auto-ajuda. Portanto eu sei - ou pelo menos faço uma idéia - de quão árdua é essa sua tarefa de escrever, publicar e divulgar Pelo Sangue e Pela Fé, e todos os outros livros. Mas, diferente do conselho infeliz que você recebeu de um certo "amigo" alguns dias atrás, eu o aconselho (apesar de eu não passar de um 'moleque' de 18 anos) a NÃO DESISTIR! É isso aí! Prossiga! Lute por seu sonho! Afinal, você não é mais um brasileiro-padrão (como eu os denomino), que tem como único objetivo na vida trabalhar a semana inteira para ter dinheiro o suficiente para fazer um churrasco no domingo, regado a cerveja e funk.