Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Direito de Leitura
Eu sempre acreditei que qualquer pessoa tem o direito de conhecer bem algo antes de sair por ai comprando, e com um livro isso não poderia ser diferente. Atendendo a pedidos, resolvi que seria mais do que justo postar um trecho de meu livro no blog para que quem se interessasse por ele tivesse alguma base para decidir pela sua compra ou não.
A razão de não ter feito isso anteriormente é porque minha intenção com esse diário, nunca foi a de publicar textos literários mas sim de passar a meus leitores as experiências que venho tendo como escritor. Essa idéia ganhou força quando ao ler um blog de um autor americano chamado Tracy Hickman, percebi que muitos do que ele relatava em seu dia a dia como autor se assemelhava às minhas experiências pessoais. Pensei então: "Será que existem mais escritores por ai, que como eu tem essas experiências? e o que minha visão sobre elas pode ajudar outras pessoas a encarar os mesmos problemas de forma diversa?"
Sei que existem muitos autores que utilizam seus blogs para publicar seus textos, mas esse não é o propósito do Diário de Bordo. Estou no entanto desenvolvendo um novo projeto que vocês deverão conhecer em alguns meses e que permitirá que meus leitores conheçam um pouco mais do Cláudio Villa autor de fantasia.
Decidi postar aqui o prólogo do livro, por acreditar que ele é o que melhor representa meu estilo e o que traz mais elementos para que o leitor saiba o que o espera nas próximas páginas. O que espero, e sempre peço a todos aqueles que leram o meu livro e que de alguma forma me contatam, é que façam sim suas críticas, que apontem aquilo que os desagradou e que ressaltem aquilo que lhes pareceu coerente. Não existe algo mais broxante para um autor do que ao perguntar para um de seus leitores, o que este achou do livro, ele responder algo como "legal" ou "gostei".
A crítica quando bem construída se torna a principal ferramenta do escritor que muitas vezes enxerga pontos falhos que era incapaz de ver. O bom autor não é aquele que aceita todas as críticas e muda sua história para agradar seu crítico. Tão pouco é aquele que estufa o peito e brada aos quatro ventos de que o crítico é um ser invejoso, incapaz de compreender sua arte. O verdadeiro autor tem de aceitar o fato que não é uma unanimidade e a humildade de jamais admitir que seu livro é sua "obra definitva", pois se isso ocorrer não podemos esperar mais nada de seus futuros trabalhos. O equilibrio, para variar, está no meio.
Mas chega de falar e vamos à leitura. Abaixo segue o prólogo de meu primeiro livro "Pelo Sangue e Pela Fé", disponível nas principais livrarias. Peço desculpas pela diagramação ruim, mas as ferramentas que tenho disponível no blog não me dão muitas opções.
Seguem os relatos que contam parte da história de Mirr, de suas terras e suas lendas, passada geração após geração.
Essas histórias,mantidas pela tradição oral ou pelos relatos oficiais, podem divergir em alguns pontos, pois as histórias escritas nos livros, diferentes das passadas nas noites frias em volta de uma fogueira, são escritas pelos vencedores e nunca pelos derrotados. Os vencedores insistem em engrandecer seus feitos e esconder suas perdas.
Lendas sempre serão lendas e nunca se poderá ter certeza de sua veracidade, porém são as lendas que alimentam a cultura de um povo, que muitas vezes lhe dão força para seguir em frente. As lendas são as forças primordiais da civilização.
Essas lendas nos contam um pouco sobre o nascimento de Aldarian, uma nação cujo povo lutou pela liberdade e que desbravou lugares que nenhum mirran ousou pensar.
Um último suspiro foi o último som audível antes que as travas fossem removidas. As dobradiças já oxidadas pelo tempo não resistiram ao peso imposto sobre elas, fazendo com que a porta do cadafalso cedesse ante o peso de sua vítima.
Toda a estrutura rangeu quando a grossa corda de sisal alcançou o máximo de sua tensão, interrompendo a queda do corpo e partindo seu pescoço. A execução fora perfeita e limpa e apesar de muitos concordarem que a morte fora mais um alívio do que uma punição para ele, a justiça finalmente havia sido feita pondo fim a mais uma era de terror e incerteza.
O reino de Aldarian fora construído ao custo de muito sangue e vidas, alternando períodos de paz e prosperidade com longos períodos de guerra. Fosse lutando contra invasores externos ou contra inimigos em seu próprio seio, este povo nunca se deixou abater pelo medo, pegando
em armas sempre que sua liberdade era ameaçada.
O povo de Aldarian, porém, nem sempre foi conhecido por essenome, sendo que suas origens remontam uma antiga e próspera civilização originária do reino de Myrtakos, pátria mãe e vizinha da ilha. Costara era o nome desta cidade e de seu povo e por muitas eras eles buscaram incansavelmente por sabedoria e prosperidade. O povo de Costara era composto totalmente pela raça dos homens e mantinha um estreito relacionamento comercial com os povos anões das montanhas de Teros.
Costara era uma das mais belas cidades conhecidas do mundo em sua época, suas ruas eram pavimentadas com mármore e adornadas com ouro, seus habitantes gozavam de saúde perfeita e todos, sem exceção, prosperavam com tesouros que pagariam o resgate de um rei centenas de vezes.
A grande cidade era repleta de bibliotecas, salões e templos dedicados a vários deuses, entre eles Alberon. Seu comércio com os anões e com os outros povos vizinhos enriqueceu Costara, que no auge de sua influência construiu uma formidável fortaleza a alguns quilômetros de sua cidade. Uma gigantesca estrutura destinada a se tornar um bastião de sabedoria e riqueza, um local que serviria para ostentar seu poder por toda a eternidade
e mostrar que era o centro cultural do mundo. Sem perceber, o povo de Costara começava a sucumbir com a doença dos homens, a doença dada por seu deus criador como uma dádiva que os ajudaria a prosperar. Pouco a pouco Costara era infestada pela ganância e pela cobiça.
A Fortaleza de Sofia como foi batizada a estrutura, era composta por grossas paredes de pedra e continha uma infinidade de salões, quartos, bibliotecas e câmaras, muitas delas enterradas no subterrâneo. Por anos a fortaleza se tornou um centro de pesquisa em todas as áreas e ofícios conhecidos, da antiga arte da forja ao complicado caminho da magia, uma arte pouco conhecida pelos homens.
Costara prosperou ainda mais, seu povo criou produtos melhores e mais valiosos e despertou a atenção de todo o reino e logo dos reinos vizinhos. Pessoas viajavam centenas de quilômetros para obter seus finos artigos e aprendizes de todos os lugares eram enviados para saber mais sobre a antes indomável arte da magia. Pouco a pouco, os anões, antigos parceiros de Costara perderam sua importância e logo se tornaram apenas um incômodo
A ganância logo impregnou Costara e muitos poderosos começaram a formar opiniões divergentes sobre os povos anões. Os senadores de Costara passaram a proclamar que era injusto e absurdo que um povo rude e primitivo como os anões tivessem acesso às montanhas Teros e suas riquezas. A riqueza de Mirr deveria ir para os sábios e iluminados,
deveria ser usada para erradicar o mal do mundo e não para se empilhar em seus cofres subterrâneos
Logo se iniciou uma discussão, e desta partiu para um conflito e finalmente para uma guerra. O mal conseguira vencer novamente e logo homens e anões se digladiavam pela posse de Teros. A guerra se estendeu por anos, e no início Costara com suas tropas bem treinadas e motivadas por uma causa maior venciam batalha após batalha. Porém, a qualidade dos povos anões vai além de sua habilidade como artífice e como guerreiro, os anões são um povo tenaz que jamais se renderia, e logo essa coragem mudou o rumo da guerra.
Dali em diante Costara passou a sofrer seguidas derrotas, os outros povos a quem consideravam aliados comerciais cruzaram os braços frente à sua desgraça, temerosos de serem os próximos alvos na linha dos anões. Hectare por hectare, colina por colina, os anões avançaram em direção à próspera cidade, que com a guerra se tornou um flagelo, comparado
ao que era em seus tempos de glória.
Logo os Costarianos não tiveram opção a não ser abandonar sua amada capital e rumar para o único lugar seguro que ainda conheciam, a inexpugnável fortaleza de Sofia, seu maior orgulho e última esperança de sobrevivência. Meses depois da migração, a cidade de Costara era varrida do mapa, pilhada e destruída pelos povos oportunistas que lá estiveram depois dos anões, todos seus anos de sabedoria foram reduzidos a cinzas.
O próximo alvo era a Fortaleza de Sofia, e foi para lá que os anões rumaram contra o orgulhoso e ambicioso povo de Costara. Sofia resistiu ao cerco dos anões por meses a fio, porém, nenhuma parede de pedra era tão forte quanto a determinação dos anões e pouco a pouco suas elaboradas máquinas de guerra começaram a penetrar a fortaleza. À medida que a esperança se esvaía, junto com cada porta, salão e muralha que os separavam dos anões, os que restaram do povo de Costara só enxergavam uma solução para sobreviver, a de fugir para longe dali, para um lugar que eles jamais os alcançassem, além da Costa de Myrtakos em direção ao mar.
Os magos de Costara se reuniram em um último esforço para salvar seu povo. Abriram um portal de transporte no grande salão da fortaleza, onde estavam alojados os últimos sobreviventes da guerra, e poucas centenas tiveram a sorte de cruzar o portal antes que os anões irrompessem pela pesada porta e pusessem de uma vez por todas fim a essa sangrenta guerra.
Os sobreviventes foram transportados através do portal para a costa de Nassir, onde se encontravam seus últimos navios mercantes. O povo de Costara não tinha muitas opções já que as águas sombrias começavam a tomar o grande oceano a oeste.
A grande viagem dos costarianos iniciou-se no ano de 2760 a.G (antes da guerra) e durou quase vinte gerações. Durante esse tempo, os humanos de Costara deixaram para trás seu passado, multiplicando-se e fundando diversas pequenas colônias por toda Altrarian.
Finalmente, em 728 a.G os povos nômades chegaram à Ilha de Libérus e deram início à construção de Aldarian. Sofia, por sua vez foi reduzida a ruínas, uma lembrança eterna, não
de sua prosperidade, como sonharam seus construtores, mas sim do que a ganância dos homens pode fazer.
A expedição prosperou, os poucos que ali chegaram atraíram outras centenas, que logo se tornaram milhares. As densas matas deram lugar a vilas e depois às cidades e logo o passado trágico de Costara era lentamente deixado para trás. Mais de setecentos anos se passaram e a pequena colônia se tornou um reino, uma potência na arte da exploração e da navegação, um reino muitas vezes temido e respeitado, adorado e odiado, uma terra de liberdade para uns e de martírio para outros.
Muitas foram as guerras que assolaram o reino ao longo de sua breve história, desde a sangrenta independência de Myrtakos, a repulsa dos Orcs invasores de Galaark, mas nenhuma foi tão traiçoeira como a que condenou o rei Joseph Hattcliff ao exílio.
Dezesseis anos se passaram desde então. São anos de perdição e violência, de arrogância e ambição, uma época na qual os oportunistas irão buscar a vitória e onde forças superiores se aproveitarão da fraqueza dos homens para impor sua vontade.
por Claudio Villa
D & D
Terça-feira, 29 de Abril de 2008
Muito bom o estilo empregado por voce
gostei
eu sou o do blog cenariomedieval
peco-lhe que visite ele e que divulgue tambem como tenho feito com seu diario de bordo