Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

De Volta ao Mestre

Se existe alguma verdade universal sobre os escritores, é que todos eles, em algum momento, se inspiram em outros autores para criar suas obras. Desconheço algum escritor que não tenha um (ou muitos) mestres que o impulsionam a colocar suas próprias idéias no papel.

    Como já relatei antes, desde muito cedo sempre gostei de ler e especialmente de escrever, sendo que boa parte da minha juventude eu passei lendo a enciclopédia Conhecer e os livros do genial João Carlos Marinho. No entanto, foi somente em 1991 que eu acabei por encontrar o autor que me inspiraria dali em diante e cujo jeito de contar história moldaria o meu próprio estilo de escrever: Frank Herbert.

    Hoje eu lembro e imagino qual devia ser o pensamento de meus colegas de escola na época ao ver um moleque de doze anos carregando um tomo de quase 500 páginas debaixo do braço. Não me admira que achassem estranho eu ficar lendo esse livro nas aulas vagas enquanto eles ficavam fazendo aquela algazarra pela sala.

    A questão é que a primeira vez que li Duna me apaixonei pela história e pelo estilo de Herbert. A forma como ele descortina um universo repleto de intrigas políticas, de personagens fortes e marcantes em um mundo com questões mais complexas do que simplesmente a divisão entre o bem e o mal. É claro que na época eu não tinha toda essa percepção, mas a cada releitura meu entendimento da história foi se ampliando.

    Talvez tenha sido a forte influência dos livros de Duna que fizeram com que, ao me tornar um autor de fantasia, me afastasse cada vez mais da Alta Fantasia Épica, repleta de heróis invencíveis lutando contra monstros e disparando magias com um simples estalar de dedos para buscar aventuras mais "terrenas" e reais. Duna me ensinou a arte da sutileza, do personagem de caráter ambiguo, falível e sobretudo atormentado por seu próprio espirito.

    Lendo Frank Herbert me apaixonei pela possibilidade de criar meu próprio mundo (o que viria a se concretizar quatro anos depois, quando passei a integrar o grupo que desenvolvia Mirr) e de nele inserir minhas próprias intrigas politicas e conflitos sociais. Foram necessários mais de dez anos para amadurecer como escritor e pessoa e ir lentamente moldando Aldarian de forma a deixar de ser um reino cheio de heróis e bandidos (como era quando eu comecei a cria-lo) para algo mais profundo. É fato que o trabalho esta longe de terminar, mas hoje sinto que meu texto esta mais maduro do que quando comecei meu primeiro livro.

    Para variar um pouco ainda estou bloqueado para seguir com o novo livro, sendo que venho trabalhando em um novo projeto para tentar arejar minha mente. Vocês conhecerão o resultado disso no dia 07/07 quando a nova versão desse site entrar no ar. Ao mesmo tempo, estava sem nenhuma leitura e então resolvi mais uma vez reler Duna (deve ser a minha quinta releitura ao longo desses quase vinte anos) e buscar no mestre Herbert inspiração para seguir com minha propria história.

    Mais uma vez a releitura tem me surpreendido pois novamente estou redescobrindo e rememorando coisas que já havia me esquecido. Agora com um livro pronto e já publicado e portanto com uma mente de escritor e não somente de leitor, é interessante observar as soluções que FH trouxe para sua história e perceber sobre tudo que é possivel tornar uma história interessante sem que hajam necessariamente grandes revelações ao longo da trama.

    Espero sinceramente conseguir capturar a mesma magia do inicio do livro e voltar a transmiti-la nas páginas seguintes. Meus personagens esperam e até mesmo alguns leitores, mas estejam certos que o que sair será sem dúvida o meu melhor (até aquele momento).

  por Claudio Villa


Jonas R. Nascimento
Terça-feira, 27 de Maio de 2008
Cara... vc terminou Final Fantasy VII 23 vezes??? Nuss... E eu achava q as cinco vezes q eu terminei God of War e as quatro q eu terminei Warcraft eram demais! Ha, ha, ha! Bom, eu estou "embarcando" neste mundo da escrita tbm. Estou escrevendo uma história, porém não pretendo lançar um livro, mas sim postá-la em um blog. Pois meu sonho na verdade não é ser escritor, e sim designer de games. Mas eu concordo com o Gounford: todo mundo tem sua inspiração, não só para escrever. Eu também adoro essa histórias "ninjas", e a minha inspiração para escrever minhas histórias são os livros de Tolkien e os filmes baseados neles, e também vários filmes de História, principalmente os que falam do Império Romano ou da Idade Média, além de games como warcraft, dungeon siege, the legend of dragoon e outros. Mas a maior dessas inspirações é Warcraft, com certeza.

Mateus Rocha
Domingo, 25 de Maio de 2008
:) bem legal seu texto. Eu li (ou melhor, tentei ler) Duna, mas só cheguei até as páginas 100 e alguma coisa... não consegui ler mais. Como você disse, o autor coloca todo o sistema social, econômico, etc muito habilmente, mas achei a história em si meio parada, ao menos até aonde fui, acabei devolvendo na biblioteca. []

Gounford
Terça-feira, 20 de Maio de 2008
Primeiramente venho parabenizá-lo pelo anúncio na Dragon Slayer, pois, lá é um bom lugar para divulgação, ja que todos tem pelo menos um minimo interesse no assunto. Você me endicou esse livro, ja tinha ouvido falar nele antes, mas não tive a oportunidade de lê-lo ainda (pois tava R$50 no sebo), mas acredito que deve ser muito bom. O fato é que, não só quem escreve tem uma inspiração como a sua, pois pessoas precisão de inspirações pessoais que apliquem a suas vidas sociais. Eu por exemplo, ja terminei o jogo Final Fantasy VII 23 veses e ainda tenho esperanças de terminá-lo mais vezes, pois é uma história que me inspira. Acredito que cada um tenha a sua, e uma boa idéia seria que quem comentar publicá-la. a minha é FINAL FANTASY VII.

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