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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

O Preço da Liberdade

    O questionamento que lhes trago essa semana tem me tirado o sono nos últimos tempos. Essa indagação surgiu dos comentários de alguns leitores Beta em relação ao novo livro e penso que talvez um de vocês possa me ajudar a responder essa pergunta.

    Qual o preço da liberdade? O que é necessário para que uma pessoa deixe toda uma vida de luxo e segurança para trás e busque dentro de si o desejo pela aventura?

    O futuro de Colleen (a protagonista do novo livro) eu e alguns de vocês já conhecem, mas o grande desafio esta sendo realmente acertar a mão em seu passado. Em PSPF (Pelo Sangue e Pela Fé), onde ela faz uma participação mais do que especial, sabemos que ela tem uma ascendência nobre, que abomina os protocolos da nobreza e que esta brigada com seu pai. No mesmo livro conhecemos um pouco sobre o duque Guinford, um homem bom, mas de temperamento difícil que sente falta de sua filha que ele acredita ter perdido para o mar.

    Vale lembrar que o livro que venho trabalhando se passa exatos vinte anos do primeiro e por conta disso é preciso que as peças se encaixem para formar o futuro existente no primeiro livro. Admito que no começo achei que seria fácil. que tinha todas as idéias amarradas em minha mente e que bastaria colocar no papel. Não foi bem assim.

    A questão que vem sendo discutida é o que faria uma jovem nobre, criada em um ambiente seguro e acolhedor, deixar tudo para trás para seguir o sonho de ser uma navegadora. Por que alguém deixaria os confortos de um castelo para se meter em um navio apertado, mal cheiroso onde o que não faltam são doenças, castigos físicos e trabalhos pesados?

    No inicio apostei em sua rebeldia adolescente e em seu conturbado relacionamento com seu pai. Acreditava que esses sentimentos seriam suficientes, mas ao que parece eles só fazem de Colleen uma menina mimada, uma princesinha que quer viver uma aventura, mas que voltaria com seu rabinho entre as pernas diante da primeira dificuldade. Precisava de algo mais.

    Por coincidência, enquanto escrevia esse post, meu amigo Ricardo (aquele a quem recorro quando minha imaginação falha) me ligou e aproveitei para narrar-lhe minhas dúvidas e apreensões. Entre uma conversa e outra, ele me sugeriu uma saida, uma opção a mais para acrescer a história e fortalecer as motivações de Colleen de se tornar uma navegadora, o desejo de provar ao pai de que ela pode ser mais do que uma simples princesa.

    Ricardo me sugeriu que Guinford possuise um desejo secreto de ter tido um filho homem para assumir seu lugar, mas que por uma ironia do destino sua esposa só gerasse filhas. Com o nascimento de Colleen e a morte de sua mãe no parto, a esperança do duque desapareceu. Isso o tornou um homem amargurado, de poucas alegrias e que secretamente culpa sua caçula pela morte de sua esposa.

    É nesse panorama que busco inserir a Colleen, uma menina rebelde, criada por seus padrinhos, mas que deseja provar ao pai que pode ser tão valente e forte quanto qualquer filho homem o seria. Por conta disso, seu comportamento se tornou mais "masculinizado", porém quero ter o cuidado de não torna-la um ser andrógeno. Ela deve ser sim forte, mas nunca sem deixar de ser uma mulher.

    Talvez um dos maiores desafios que esteja enfrentando é exatamente o de tentar me colocar no sexo oposto, escrevendo sobre protagonistas femininos. Tem sido um desafio a cada dia e conto com minhas amigas leitoras para me ajudar a escapar dos estereotipos tão comuns na literatura.

    Somando isso a outros fatores, acredito que consiga formar um panorama mais consistente da personagem, tornando suas motivações mais reais e palpáveis. Agora é sentar, escrever e ver no que vai dar.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


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