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Segunda-feira, 02 de Maio de 2011

Sobre Originais e Capas

    A semana que começa hoje promete e confesso que estou extremamente ansisos. Conversei com minha editora no Domingo e segundo ela, a primeira leitura crítica do meu original deve ficar pronta até o final da semana.

    Mas porque tamanha apreensão quanto a isso? A grande questão é que a leitura crítica vinda da editora pode ser o momento mais "tenso" no processo de publicação de um livro. É o inicio de um "conflito" entre o autor que defende sua história e o editor que defende a viabilidade editorial de um original.

    Tão logo esteja com o material em mãos, inicia-se o longo processo de ler cada crítica, absorver o que foi falado e aceitar e reescrever a cena ou preparar a defesa e os argumentos para tentar mantê-la no livro. O processo de leitura crítica tem muito a ver com engolir seu próprio ego de pai orgulhoso e perceber que seu filho literário esta longe de ser perfeito.

    Vejam que esse processo não é necessariamente negativo, é como tomar aquele remédio amargo para curar uma doença. Você sabe que vai ser ruim, que vai ser desconfortável, mas no final tudo vai melhorar.

    Tenho plena confiança no trabalho da minha editora, conheço sua competêncai e sei que ela, assim como eu, tem todo o interesse do mundo que O Vento Norte vingue. Vamos trabalhar juntos em busca do melhor resultado.

    Aproveitando, aproveito para dizer que também estamos fechando a pessoa que irá ilustrar a capa. Não posso ainda revelar o nome, já que não temos nada oficial ainda, mas ja visitei seu site e vi alguns trabalhos interessantes. Além disso, essa pessoa possui um predicado fundamental para esse trabalho, é fã de piratas assim como eu. Estou ansioso para começar esse trabalho e ver o que vai sair.

    Segunda que vem, se não estiver preso por assassinar a editora (brincadeira), relato novidades sobre o original.

  por Claudio Villa | 4 comentários


Segunda-feira, 09 de Maio de 2011

A Baleia e o Relógio

    Infelizmente o original de O Vento Norte ainda não voltou para minhas mãos como eu esperava essa semana. Por conta disso, pude economizar nos tranquilizantes que ando estocando para a ocasião.

    Brincadeiras a parte, nesse meio tempo, me dediquei a um pequeno projeto que havia me esquecido completamente, mas que felizmente recebi um prazo maior para concluir. Ano passado, recebi um convite para participar de uma coletânea de contos no estlo "punk".

    Para quem não esta familiarizado com o termo, podemos resumí-lo em poucas palavras como a extrapolação social e tecnológica de uma determinada época de nossa história, seja passada ou futura. O Steampunk (extrapolação da era do vapor Vitoriana) é sem duvida o gênero mais famoso, mas o estilo ainda passa por périodos como o Dieselpunk (inicio do século XX), Cyberpunk (futuro tecnológico ao estilo Bladerunner) e até mesmo o Atompunk (ou o mundo após um apocalipse nuclear).

    No meu caso, eu queria escrever um conto que envolvesse piratas (como parte da estratégia para divulgar meu novo romance) e por conta disso escolhi o gênero Clockpunk. Nesse estilo, extrapola-se a tecnologia renascentista, muito dela conceitualizada por Leonardo Da Vinci.

    Entre os elementos que esperá-se ver nessa época está o ser humano como gerador de força através de molas, cordas, manivelas e afins. Também é possível explorar as primeiras máquinas voadoras tais como balões. A idéia e o cenário pareciam fascinantes, mas eis que surgiu a dúvida...que história contar.

    Pensei em inúmeras opções de histórias de piratas, baseado em meus estudos para O Vento Norte. Infelizmente, não consegui imaginar nenhuma situação que os envolvesse que gerasse um conto interessante. Um ataque a um porto poderia ser legal, mas que tipo de tecnologias poderiam ser exploradas nesse caso? Como criar um final realmente surpreendente?

    Entrei em desespero. Eu já havia perdido o prazo para a entrega, mas o editor gentilmente estendeu-o até o final desse mês. Eu tinha 30 dias para achar uma idéia, desenvolve-la em 15 páginas e entrega-la. Finalmente a epifania veio, em um Sábado a tarde, e pasmem, assistindo Tom & Jerry com meu filho.

    O episódio em questão é um dos mais surreais da série, uma história onde o Tom encontra-se em uma taverna a beira mar e é sequestrado por um marinheiro e jogado em um navio. Lá ele encontra um capitão esquisito, cuja única obsessão é caçar um grande cachalote branco...Dick Moe.

    Na hora eu tive um estalo. Por que não me debruçar sobre a obra de Herman Melville, Moby Dick, fazendo uma brevissima releitura do clássico. E se o Pequod, o navio do capitão Ahab na história original pudesse voar? E se a baleia branca que tanto atormenta a vida do capitão não fosse exatamente uma baleia?

    Sentei-me em frente ao micro e pus me a colocar a idéia no papel. A primeira coisa que percebi é que não seria fácil empreender tal tarefa. Moby Dick é um calhamaço de papel, com uma história densa e eu precisava transformar aquilo em um pequeno conto.

    Aviso aos fãs da obra que por ventura venham a ler esse conto (se ele for realmente publicado) de que seu conteúdo se resume a pouco mais do que a idéia de um capitão obcecado por sua presa e a utilização de alguns nomes do livro para prestar uma homenagem a obra. Ainda sim, acho que sairá algo legal.

    Já escrevi cinco das quinze páginas e não sei como vai acabar. Desejem-se sorte nessa empreitada pois é um dos contos mais desafiadores que já escrevi.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Terça-feira, 24 de Maio de 2011

Relevância...

    Nesses últimos tempos, me vi obrigado a cada dia mais mexer e fuçar no Twitter e no Facebook. Nunca pensei que ia dizer isso, mas para mim que era um Orkuteiro de carteirinha, a Rede Social da Google parece cada dia mais desinteressante.

    A internet esta sem dúvida mudando e para pessoas que como eu, viram ela chegar no Brasil, essa mudança pode ser as vezes um pouco traumática. Eu nunca fui muito ligado as últimas tendências, demorei a ter uma conta no Orkut, a migrar do ICQ para o MSN, de tentar escrever um blog.

    A minha questão com blogs sempre foi muito clara. Eu não sabia como poderia usar essa ferramenta para algo interessante e sem dúvida não queria criar um para falar sobre meu dia a dia como pessoa, tão mundano e chato como o da maioria de nós. Só aceitei o desafio de começar um diário eletrônico quando achei que poderia contribuir com algo interessante, nesse caso minhas experiências como um autor iniciante. Comecei essa experiência no dia 06 de Dezembro de 2005 de lá para cá se passaram quase seis anos.

    Nesse período muita coisa na minha vida mudou: Publiquei, casei, virei pai, mudei de emprego cinco vezes e agora estou na iminência de tentar minha segunda investida pessoal no campo literário. Durante esse tempo também, compartilhei tudo isso com vocês, conheci muitas pessoas, abri muitas janelas e algumas portas, cresci como autor e como ser humano.

    Mas como eu disse lá em cima, a Internet esta mudando e temo que a cada dia, esse relato perca cada vez mais sua relevância. Os acessos diminuem, os comentários idem e eu mesmo, muitas vezes, me pego pensando no que escrever para mantr a locomotiva andando. Em uma época onde boa parte das informações são transmitidas em 140 caracteres, é dificil imaginar pessoas parando para ler o que escrevo aqui.

    É dificil dizer o futuro desse diário de bordo, a medida que a viagem parece se aproximar do fim. Talvez eu o leve para o Facebook (parece que o mundo esta se mudando para lá), talvez simplesmente o encerre, deixando-o como um registro de um período de mudanças na minha vida.

    Certamente não irei desaparecer, pois a cada dia estamos mais ligados ao mundo digital. Talvez os pensamentos desenvolvidos aqui dexem de ganhar uma versão escrita, sendo compartilhados apenas nas conversas que poderei ter com vocês ainda leitores, seja pessoalmente ou por e-mail.

    O importante é que ele cumpriu seu papel, e fico feliz que tenha alcançado isso!

  por Claudio Villa | 1 comentário


Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

A Paixão por um Personagem

    Não é segredo para ninguém que há meses venho tentando começar um terceiro livro. Pelas minhas contas eu já comecei a escrever ou planejar umas quatro histórias diferentes, mas nenhuma delas rendeu mais do que quatro ou cinco páginas, nada muito relevante para um livro que espera-se tenha cem ou mais.

    Outro dia me peguei pensando nos personagens de O Vento Norte e nas pontas soltas que foram, propositalmente, deixadas assim. Vale lembrar que meu segundo livro é na verdade uma pré-sequência do primeiro, uma espécie de prenuncio do que irá acontecer em Pelo Sangue e Pela Fè.

    Explicando de uma forma mas simples, se você ler O Vento Norte e em seguida o Pelo Sangue e Pela Fé, você saberá o resultado dos acontecimentos, mesmo que talvez não entenda como eles correram.

    A questão é que, enquanto pensava nisso, senti uma certa saudades, um saudosismo de personagens que me acompanharam por tanto tempo e que ainda tem algo para compartilhar. Comecei a escrever uma cena, pouco mais de quatro páginas e na hora de salvar o arquivo no computador o nomeei Vento Norte 2.

    Faço uma pausa agora para me proteger da chuva de pedras e estilhaços que se seguira, vinda daqueles que acompanham esse blog. "Mas e aquela sua briga contra as trilogias, Villa?", "Falou tanto e vai escrever continuação?", "Está indo contra tudo aquilo que sempre pregou?" etc...

    Não deixo de dar uma certa razão a quem pensar isso, mas faço o papel de advogado do diabo. Independente do que aconteça, minha intenção é continuar escrevendo histórias onde seu arco se feche em sí. Esse novo projeto pode realmente dar continuidade ao que acontece em O Vento Norte, mas será uma historia fechada e pretendo colocar elementos suficientes para, quem não leu os outros livros, consiga concluir o que esta acontecendo.

    A razão para sso é bastante simples. Ainda não consegui me desligar de meus personagens do segundo livro, e pior, não consegui me apaixonar por nenhum outro que tenha criado. É curioso pensar que, enquanto Colleen, Guinford, Lauren (se acalmem, vocês conhecerão todos eles) ainda são para mim como parentes distantes que não vejo pessoalmente a tempos, todos os outros personagens ainda me parecem como bonecos planos de papel, sem graça e sem personalidade.

    Pela primeira vez, tentei escrever sobre personagens que nunca vivenciei (diferente de Jonathan e Colleen) e talvez por isso esteja tendo essa imensa dificuldade em me conectar a suas vidas. Esse é um bloqueio que eventualmente precisarei superar, mas confesso que ainda não estou bem certo de como fazê-lo.

    Nesse meio tempo, ainda vou decidir o que fazer. Minha tentativa de escrever uma continuação ainda não superou as quatro páginas, mas me parece promissor. Quase posso sentir a voz de meus queridos personagens falando comigo novamente e só rezo para que eles esteja dispostos mais uma vez a sentar a meu lado e relatar suas aventuras.

  por Claudio Villa | 1 comentário


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