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Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010

Surfando na Onda dos Zumbis

    Eu já falei comentei aqui anteriormente sobre as famosos "ondas literárias", determinados temas que se tornam populares e que ocasionam uma enxurrada de livros semelhantes. Foi assim com a onda Afeganistão e seu "Caçador de Pipas" e derivados. A onda Mistério envolvendo a igreja, cujo maior representante foi o "O Código Da Vinci" e a última onda de Vampiros com "Crepúsculo" e seus genéricos.

    Porém como toda onda, essa última tsunami já esta virando uma marolinha. Quem tinha que ler Crepúsculo, já leu, e pouco a pouco seus genéricos vão se diluindo e perdendo força. A próxima onda prevista são livros de Anjos, sendo que já temos no cenário nacional o que parece ser o primeiro best seller sobre o tema: A Batalha do Apocalipse do colega Eduardo Spohr.

    Particularmente nunca me interessei em escrever sobre anjos. Nada contra quem aprecie o tema (seja lendo ou escrevendo), mas nunca consegui imaginar uma história sem cair no clichê maniqueista da batalha do Bem contra o Mal.

    Mas como eu dizia sobre a onda, existem especulações que uma segunda onda (não tão poderosa) chegue junto para dividir o espaço com os anjos, a onda dos Zumbis.

    Sempre tive um certo fascínio pelos mortos-vivos (apesar de não ser um grande apreciador de filmes de terror) e ainda pretendo escrever algo em Mirr tendo esse tipo de personagem como protagonista, mas os zumbis que falo nesse post são os clássicos caminhantes errantes, devoradores de cérebro imortalizados pelo diretor George Romero.

    Esses dias no ônibus, voltando do trabalho, tive uma "Epifânia de Whatif". Sei que parece um nome esquisito para algum tipo de sindrôme incurável, mas é apenas a forma gramaticalmente incorreta que inventei para me referir aquele momento de tédio, quando surge uma idéia para uma história baseada no exercicio de "E se..."

    Durante essa epifânia me veio a mente a idéia para uma história de zumbis, ambientada em São Paulo, com uma premissa que achei bastante inovadora. Pesquisando com mais calma na internet, descobri que minha idéia não é tão original assim, apesar de não ter visto nada muito parecido en literatura.

    Pretendo começar a trabalhar nessa idéia em breve, exatamente para tentar entrar na "onda" da vez. Se tudo der certo, será meu primeiro trabalho fora da fantasia tradicional. Confesso que a idéia não será fácil de desenvolver, e a chance de cair no ridículo é imensa. Talvez seja a oportunidade de fazer algo voltado para o humor nonsense, apesar de não saber se tenho uma veia cômica para desenvolver.

    Não vou dar maiores detalhes da história agora, mas para atiçar um minimo de curiosidade, deixo o título do projeto: Zumbivivente

    Veremos se dessa tumba, sai alguma coisa.

  por Claudio Villa | 1 comentário


Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

Uma Grande Oportunidade

    "Envie me algo que você tenha escrito, me surpreenda! Sou jovem, mas sei reconhecer um bom escritor. Não é a toa que os autores com quem já trabalhei venderam 16 milhões de cópias ao redor do mundo"

    Começo o post dessa semana com o recado que recebi acima, resultado de alguns contatos fortuítos realizados na última semana. Infelizmente não posso dar mais detalhes, afinal de contas não sei onde, e se isso, vai se concretizar em algo. De qualquer forma, a proposta desse blog sempre foi a de compartilhar minhas experiências como escritor, boas ou ruins, e essa não podia ficar de fora.

    Receber uma mensagem assim tira qualquer autor um pouco dos eixos. As pernas tremem, a barriga parece estar habitada por centenas de borboletas, a mente começa a fervilhar e uma inevitável pergunta surge a sua frente...e agora?

    Se existe uma coisa que aprendi durante esses anos em que tenho circulado pelo meio editorial, é que uma carreira séria de escritor é composta de três fatores: muito trabalho duro, algum talento e as oportunidades que surgem. Os dois primeiros dependem diretamente do seu trabalho, já o terceiro é uma mistura de contatos e sorte. O fato é que desde que resolvi tentar essa carreira, busquei aproveitar todas as oportunidades que apareceram.

    Algumas me abriram portas (como os contos que publiquei nas coletâneas Steampunk e Galeria do Sobrenatural e as palestras e mesas redondas que participei). Outras infelizmente não deram certo, mas fico tranquilo em saber que na medida do possível, me esforcei ao máximo em todas elas.

    Agora tenho diante de mim essa oportunidade, com chances de dar certo ou errado como todas as outras. Pensei em enviar um texto de gaveta ou mesmo um trecho do livro, mas acho que o desafio pede por algo maior. Planejo escrever um conto, ambientado no universo de O Vento Norte, uma vez que é esse projeto que desejo negociar com o editor que me enviou a presente mensagem.

    A pergunta que fica é...como surpreendê-lo? Como criar algo que seja tão diferente e interessante que desperte sua atenção. Ao mesmo tempo, acredito que deva me manter fiel a meu estilo, pois de nada adiantaria criar algo \\\"artificial\\\" que eu não possa reproduzir mais ostensivamente depois. Como sempre, o equilibrio esta no meio.

    O que posso pedir a vocês, leitores fiéis, que apesar de tantas interrupções ainda voltam aqui para ler o que tenha a escrever, é que torçam por mim. Não a torcida de alguém que esta concorrendo a algo, onde a aleatoriedade é o fator determinante. Esse desafio não tem nada a ver com o acaso, mas sim com concentração, suor e lágrimas.

    Não me desejem boa sorte, desejem-me bom trabalho.

  por Claudio Villa | 1 comentário


Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Booktrailers

    Começou como uma novidade e logo ganhou destaque como um diferencial de divulgação. Com o passar do tempo surgiu em versões, qualidades e gostos dos mais variados, desde aqueles de esmero quase profissionais aos que mais se parecem aqueles malditos PowerPoints motivacionais enviados por aquela sua prima ao qual você se arrepende amargamente de ter dado seu e-mail. Estamos falando dos booktrailers.

    Pode parecer um conceito estranho, algo deslocado de seu propósito original, afinal os trailers originais (aqueles, de filmes) servem para dar ao expectador um breve gostinho do que ele verá nas telas, algumas cenas e personagens que o acompanharão durante a exibição do filme. O trailer captura pelos olhos e a ele apela para se vender.

    Mas o que dizer dos trailer de livros? Como vender a seu leitor algo que ele nunca vai efetivamente consumir? Livros são feitos de palavras e histórias (em sua maioria) e qualquer imagem utilizada em um trailer literário irá se restringir a ele.

    Numa era digitial como a que vivemos, onde fazer e transmitir videos pela internet pode ser feito por praticamente qualquer pessoa, os booktrailers parecem um recurso mais facil de atingir o público. Você precisa de um computador (celular, Iphone, Ipad etc...), uma conexão a internet e acesso ao Youtube pronto, um mundo de videos se abre para você.

    É como aqueles livrinhos que as vezes encontramos em um balcão de livraria, com os dizeres Cortesia do Editor, que contém a capa do livro e o primeiro capítulo. A principal diferença é que o custo de booktrailer pode ser gratuíto e este não corre o risco de entulhar o balcão do pobre livreiro, virando em geral papel de rascunho ou lixo reciclável.

    Agora se os booktrailer fazem alguma diferença? eu acredito que sim, especialmente se feitos da forma correta e direcionados ao público correto. Não minto que ja tenho na manga um booktrailer para a futura divulgação de "O Vento Norte", feito com os recursos disponiveis e dentro das minhas capacidades de "editor de video". Usei imagens de games (não muito conhecidos), montei com o Adobe Premiere, inseri algumas legendas, música de fundo e voilá, uma parte da minha história ganhou imagens e sons. Ao final, como em um filme, os créditos originais de cada imagem e música utilizada.

    É fato que isso não pode ser considerado exatamente "legal", mas quando faço uso de qualquer coisa que não tenha criado, sempre fiz questão de citar quem merece os créditos, mesmo no caso de imagens em dominio público (como a capa de Pelo Sangue e Pela Fé). Mas o que mais vejo por ai são pessoas que usam e abusam da impunidade da internet para se apropriar daquilo que lhes é alheio, sem dar crédito a quem merece.

    Gustave Doré, ilustrador francês do séc XIX (de onde tirei a imagem para ilustrar meu primeiro livro) foi uma dessas vitimas. Nunca me esqueço de abrir um livro de um outro autor nacional e me deparar com a mesma imagem que usei para a minha capa. Ela estava colorida e ligeiramente modificada, mas integra em sua essência. O nome de Doré não aparecia em parte alguma, apenas o nome do "brilhante ilustrador" que usurpara sua peça. Afinal, pessoas mortas não reclamam seus direitos.

    Os booktrailers são um exemplo clássico disso. Animações incríveis em 3D, que provavelmente consumiram horas e horas de trabalho, sendo usadas a revelia, como algo criado pelo criador do trailer. Tente fazer qualquer comentário sobre o assunto e você será bombardeado sobre direitos de utilização de imagem no Youtube e toda sorte de desculpas para justificar esse ato.

    Infelizmente muito dos autores que recorrem a esse recurso (como eu) dependemos de nosso esforço para criar essas peças. Não temos a disposição artistas, animadores, ilustradores, músicos e afins para fazer por nós e dependemos daquilo que ja foi criado para ilustrar o que imaginamos. Só insisto em dar a crédito a quem merece, já que não pagamos nada por aquele trabalho.

    Creditar um trabalho é de bom tom, mostra respeito a seu criador e a seu público, uma vez que você não tenta ludibriá-los. Demonstra que você sabe suas limitações e que reconhece a importância do trabalho alheio. Afinal, se alguém usasse algo que você escreveu, assumindo a autoria em seu lugar, você iria gostar?

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

Tecnoagnosia

    Acho que estou me tornando tecnologicamente burro... explico.

    Vocês já passaram por aquela situação de ter de explicar para alguém mais velho, algo sobre informática que para vocês parecia óbvio? Tipo, ensinar a mãe a usar o e-mail ou a fuçar no celular? Ai diante das inúmeras dúvidas da pessoa, perderam a paciência pensando... "mas é tão simples!"

    É comum (e até um pouco presunçoso) da nossa parte achar que tendo nascido na era da tecnologia, você sempre vai estar a frente, absorvendo todas as novidades que surgirem. Mas ai o tempo passa, o seu tempo diminui e você começa a ficar meio por fora das coisas.

    Antigamente eu sabia de cabeça montar um computador com uma configuração sensacional
    para jogar os jogos mais novos. Hoje, porém, com esse negócio de dual core, quad core, velocidade de poligonos eu ja me atrapalho todo. Precisei dar um upgrade na minha máquina esses dias, mas tive de pedir para um amigo me ajudar.

    E o que dizer das interações sociais via internet. Eu comecei nas época das BBS, participei dos chats da UOL e não fui muito mais longe do que o uso do Orkut e desse Blog. Hoje temos twiter, facebook (que sinceramente acho confuso e cansativo com tantas mensagens), Myspace, Flickr, LinkedIn e mais um cem número de redes sociais e agregados que eu nunca entrei e sinceramente não faço a menor idéia de como funcionam.

    O mesmo aconteceu quando fui na casa de um amigo em um final de semana. Cheguei mais cedo que todo mundo (incluindo o dono da casa) e como não tinha nada para fazer, resolvi esperar jogando um pouco de Xbox 360. Coloquei o jogo, liguei o videogame e por nada nesse mundo conseguia sincronizar o controle sem fio com o console. Depois de muita insistência, desisti, e acabei assistindo tv a cabo porque pelo menos a TV de LCD (com muito custo e observação) eu aprendi a ligar.
    
    Outro dia estava vendo esse video de um tal de FlipBoard (http://www.flipboard.com/) que se eu entendi direito, é um aplicativo de Ipad. Ver a pessoa mexer naquilo me deu dor de cabeça, acho que não entendi metade do que ele fez ali.

    Agora me recomendaram abrir uma conta no Twiter e começar a usar mais o Facebook para divulgar meu trabalho. Sinto que não terei muitas opções a não ser me adaptar a teia cada vez mais entrelaçada da World Wide Web. As vezes sinto falta de quando usar o computador era algo mais simples.

    As vezes imagino um futuro não muito distante, onde meu filho (hoje com 3 anos) estará com seus 14 ou 15 anos me explicando alguma nova tendência da informática, enquanto eu, velho e careta vou ficar com aquela cara de conteúdo tentando entender do que ele esta falando.

    Quando ele perder a paciência comigo, com certeza vai pensar: "porra pai, mas é tão simples"

  por Claudio Villa | nenhum comentário


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