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Segunda-feira, 06 de Dezembro de 2010

Julgando um Livro pela Capa

    Final de semana tenso. Após um jantar romântico com a esposa no Sábado (aniversário dela), passei um agradável Domingo no hospital com um diagnóstico de cálculo renal. Algumas doses de Buscopan e um dia de repouso em casa depois, volto para atualizar o blog.

    Aproveitando o dia de repouso, além de ficar com meu filho, resolvi pesquisar artistas na internet atrás de alguém para ilustrar a capa de O Vento Norte. Se existe uma coisa que aprendi nesses anos loucos como autor é que quando se trata de vender um livro, a capa é essencial.

    Infelizmente, um ponto onde muitos colegas autores de fantasia erram é exatamente a falta de investimento em uma capa bacana. Muitas ilustrações pecam pelo amadorismo, o que faz com que seus livros acabem caindo no limbo das prateleiras do fundo ou mesmo no setor infanto juvenil. Uma coisa é fato, livro é produto e se não tiver uma embalagem bonita, terá sua venda prejudicada. Quando trabalhava na Cultura vi muitos livros promissores afundarem exatamente por terem capas que simplesmente não atraiam o leitor sequer para folhear o material.

    Se tem algo que tenho muito claro em minha mente é que tipo de ilustração eu quero para ilustrar minha capa. Nada de desenhos estilo quadrinhos ou bonecos 3D gerados por computador. Não quero fotos de pessoas caracterizadas ou de desenhos de personagens que mais parecem bonecos de ação. As ilustrações no estilo mangá (excelentes para quadrinhos) também estão completamente fora. Mas afinal de contas? O que diabos você espera?

    Sempre tive na minha mente que arte só pode ser chamada de arte quando envolve algum conhecimento técnico. Talvez por isso eu seja tão critico em relação a alguns artistas modernos que arremessam manchas de tinta sobre uma tela e depois tentam explicar aquilo com alguma verborragia filosófica sobre o sentimento humano. Talvez por isso, apesar de não entender de arte, admire tanto as pinturas renascentistas em detrimento a arte moderna.

    Esse é o site de um dos ilustradores que cotei para o trabalho. http://marcsimonetti.artworkfolio.com/ e posso lhes dizer que o preço esta longe de ser algo barato. Não fechei negócio com ele ainda, pois ainda tenho uma lista de cotações para fazer, mas por ai da para ter uma idéia do tipo de capa que eu quero para meu livro.

    Tendo em mente o tipo de profissional que queria, achei por bem começar a procurar artistas nacionais que ilustrassem dessa forma. Me joguei de cabeça no Devianart e comecei minha caçada.

    O resultado foi decepcionante

    Encontrei ilustradores fantásticos, realmente muito bons, mas ainda sim nada comparável ao que vi lá fora. A grande maioria investe em fotomontagens, o que é válido, mas não o que eu espero. Acabei sentando para papear com o Julio, um amigo aqui do trampo que é ilustrador. Pedi a ele que me indicasse algum site de um ilustrador brasileiro e nesse bate papo acabamos engrenando uma conversa sobre o mercado de ilustração no Brasil.

    Foi ali que constatei um fato perturbador sobre os ilustradores nacionais. A dificuldade de encontrar alguém no estilo que eu busco não se deve a incapacidade desses profissionais em relação aos desenhistas gringos, mas sim a uma ausência de demanda desse tipo de trabalho.

    Enquanto lá fora temos produtoras de cinema, estudios de games, editoras de quadrinho e um mercado fervilhante de literatura fantástica que geram demanda por ilustrações assim, aqui no Brasil nossos ilustradores tiram o ganha pão do mercado de publicidade e das ilustrações de livros didáticos e infantis.

    Ainda que existam ilustradores tupiniquins que façam um trabalho próximo do que quero, seus preços serão exorbitantes em relação ao concorrido mercado internacional. Ou seja, na lógica da oferta e da procura, o mercado mais especializado, oferece melhores opções.

    Sempre fui contra "pechinchar" o preço da arte de alguém. O que existe na minha visão é aquilo que posso (ou estou disposto) a pagar e aquilo que esta fora das minhas possibilidades. Eu não estou atrás do melhor preço, mas sim do melhor trabalho dentro de meu orçamento.

    Não tenho nada acertado e minha pesquisa por preços e prazos está apenas começando. Ainda sim, é triste constatar que provavelmente acabarei importando esse desenho ao invés de tê-lo feito por mãos nacionais.

    Você conhece algum ilustrador brazuca que atenda minha exigência? Me mande o contato dele, quem sabe ele não possa provar que estou completamente errado. Realmente gostaria de estar...

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

O Editor

    Uma semana afastado do blog, mas dessa vez com uma boa justificativa. Passei dez dias de cão após ter uma crise de cálculo renal no dia 08/12. Dez dias de muito Buscopan e uma cirurgia de remoção depois estou em condições novamente de acessar a internet sem me contorcer de dor.

    Ao menos essa semana tenho alguma novidade sobre o livro, apesar de ainda não estar autorizado a entrar em detalhes. Sábado estive no lançamento do livro "A Corrente" do amigo Estevão Ribeiro e como de costume me encontrei com meu bom amigo Sérgio Pereira Couto no metrô para irmos juntos até a Martins Fontes.

    Para quem eu ainda não falei a respeito, o Sérgio tem sido um dos meus principais aliados e apoiadores no processo de edição do meu livro. Foi ele quem me apresentou ao Thomas da Usina de Letras com quem acabei fechando a edição do livro.

    A caminho da Martins Fontes, onde seria o lançamento, ele me trazia uma novidade. Ele já sabia que seria a pessoa responsável pela leitura critica, copidesque e revisão do meu livro, uma pessoa que felizmente já conheço e que confesso me deixou bastante feliz. A informação se confirmou quando chegamos a livraria ao encontrá-la.

    Esse processo de leitura e revisão deve começar em Janeiro e não posso disfarçar minha apreensão. Por mais que confie na competência e conhecimentos de meu "revisor secreto", não posso ignorar que o livro ainda é um filho pequeno e desprotegido, uma vitima indefesa das garras afiadas do editor do mal.

    Brincadeiras a parte, esse talvez seja um dos processos mais dificeis para o autor, um momento onde você tem de elaborar que seu texto, muitas vezes claro como cristal para você, pode estar na verdade um pouco turvo. Cortes serão feitos e a cada um deles terei de aprender a engolir meu orgulho de pai zeloso em prol de uma obra melhor para vocês leitores.

    Se estou com medo? é claro que sim. Não gostaria de ver trechos de minha obra, que considero legais e essenciais, serem canetados. Será um embate, pacífico espero, entre mim e o editor mas lhes asseguro que ao final dessa guerra, os verdadeiros beneficiados serão vocês.

    Que venha a revisão...

  por Claudio Villa | nenhum comentário


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