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Domingo, 09 de Agosto de 2009

O Segundo Livro

    Já se passaram dois meses desde a ultima atualização desse blog. Nesses 4 anos desde que comecei esse diário (nunca havia me dado conta que havia passado tanto tempo) eu nunca fiquei tanto tempo sem postar. É de longe um recorde que não gosto de me orgulhar, mas tenho de ser sincero que nesse tempo não aconteceu nada de tão relevante que valesse a pena relatar. Preferi o silêncio a escrever qualquer coisa só para preencher espaço.

    Além disso meu projeto mais ambicioso até aqui fez um ano que esta estagnado. A enciclopédia que pretendia ser um trabalho coletivo dos criadores dos Mundos de Mirr esta parada. Decidi que não vou mais esperar a cooperação alheia e retomar de onde parei. Me comprometi comigo mesmo a criar um novo artigo pelo menos a cada 15 dias. O mundo é vasto, mas o reino onde se passam meus livros também e será nele que me focarei principalmente. DE qualquer forma, vocês verão artigos sobre outros pontos do mundo também.

    O livro novo tem caminhado a passos lentos, sendo que me determinei a terminar de escreve-lo, de qualquer forma, até o final do ano. Tenho a história pronta em minha cabeça e só o que me falta agora é coloca-la no papel.

    O assunto que quero tratar hoje é o lançamento do que poderia chamar de "minha segunda obra publicada". Um conto selecionado para a coletânea Steampunk da editora Tarja. Sim, é verdade que tive um conto publicado na coletânea Anno Domini da Andross, mas considero essa uma experiência diferente. Minha participação no Anno foi um convite, sendo que lhes submeti um conto de gaveta. A tiragem foi pequena, não tendo chegado as livraria e sendo vendida quase que exclusivamente pelos autores que participaram da antologia.

    A proposta da Tarja foi diferente, pois tive de escrever um conto inédito para tentar concorrer a uma vaga da coletânea. Dos inúmeros autores que submeteram seus trabalhos, apenas 9 foram selecionados, sendo que tive a honra de dividir as páginas do livro com escritores mais experientes que eu como Roberto de Souza Causo, Fábio Fernandes entre outros.

    Concorrer a essa vaga foi uma verdadeira maratona, pois tive apenas uma semana para bolar, escrever, maturar e revisar uma história de um estilo que conhecia pouco e sobre o qual nunca havia escrito nada. Por sorte, alguns dias antes eu havia acabado de ler um livro de contos do autor americano H.P Lovecraft e foi pautado em seu estilo e trabalho que tentei contar minha história.

    Com pouco mais de uma semana de lançamento, já estou colhendo alguns frutos dessa empreitada. Apesar de alguns problemas, recebi alguns elogios do conto de pessoas que não esperava e que sem dúvida me deixaram muito feliz. Meu estilo, em relação ao primeiro livro, evoluiu o que me deixa confiante nos próximos trabalhos. É claro que o aprimoramento é longo, mas é bom saber que se esta caminhando para frente ao invés de andar para trás.

    Hoje vejo na livraria o livro, vendendo devagar e sempre e levando meu trabalho para outras pessoas que não conhecem meu livro. Sinto que novas portas se abrirão enquanto toco outros projetos que espero poder revelar-lhes em breve. O trabalho continua.

  por Claudio Villa | 1 comentário


Domingo, 16 de Agosto de 2009

Um Bom Conselho

    Semana passada fui no aniversário de uma amiga em um bar e entre um espeto e outro comecei a conversar sobre literatura com seu marido. Em meio a conversa, ele me pediu para lhe contar sobre o que eu estava escrevendo, quando comecei a narrar brevemente o enredo de meu novo trabalho.

    Antes que pudesse terminar, ele me interrompeu perguntando-me porque eu não escrevia algo moderno, situado em São Paulo? Que eu tenha vivenciado ou conhecido? algo que fizesse parte da minha realidade? Continuamos a conversa falando sobre como o trabalho de outros autores que não são de fantasia poderiam enriquecer meu vocabulário e aprimorar minha forna de contar histórias.

    Concordo e até me resinto um pouco de não ter tempo de ler autores e temáticas alternativas (mal estou tendo tempo de ler o que gosto). Compreendo também a importância de variar as leituras afim de adquirir novas experiências, mas ainda sim não consigo me ver escrevendo algo sobre o cotidiano.

    Escrever sempre foi para mim uma fuga, uma forma de abstrair de nossa realidade cada dia mais dificil é cruel. Admiro e respeito aqueles autores que se empenham em retratar a realidade em seus trabalhos, mas simplesmente não sinto qualquer vontade ou interesse de escrever sobre o que me cerca.

    Já disse certa vez que, na minha opinião, a literatura brasileira moderna padece de uma certa overdose de realismo. Parece que por ser brasileiro você é obrigado a escrever algo critico a sociedade, algo que tenha um profundo significado social ou filosófico. Escrever algo fantástico que fuja do eixo violência policial, mazelas sociais, retratação do brasileiro batalhador soa as vezes como um crime contra a literatura.

    O curioso é observar que nesse meio tempo o preconceito do leitor nacional com os autores brasileiros continua aumentando (como ouvi hoje mesmo de uma cliente). E que o que continua vendendo não são os livros formadores sociais, mas sim aqueles que estão na mídia. Quem poderia dizer há um ano atrás que a última mania literária, de adolescentes a executivos engravatados seria a história de uma jovem que se apaixona por um vampiro "vegetariano" que brilha a luz do sol.

    Após passados quase dois anos desde que "ingressei nesse meio" se é que posso dizer isso dessa forma, sinto que tem havido um esforço tanto de autores, editoras pequenas e outros profissionais do ramo, de emplacar de alguma forma literatura fantástica nacional. Vampiros nunca estiveram tão em voga o que é uma boa noticia para nós e para os autores que se dedicam a esse tema como as amigas Martha Argel e Giulia Moon e o amigo Andre Vianco a quem respeito e admiro pelo esforço que empreendeu e que hoje colhe os frutos.

    O fato que a série Crepúsculo acabou e pelo bem ou pelo mal deixou uma série de "orfãos" assim como o fez Harry Potter ano retrasado. Qual a próxima onda é difícil prever, mas quem sabe a fantasia épica não volta a voga? Longe de ter a pretensão de estar na crista, mas quem sabe não consigo fazer meus escritos pegarem pelo menos a marolinha que vier depois.

  por Claudio Villa | 3 comentários


Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Usando P@£AV®O€$

    Não sei se o título ficou muito legível, pois quis fazer uma brincadeira com o velho truque dos quadrinhos de escrever palavrões usando caracteres diferentes.

    No artigo dessa semana quero abordar justamente isso, o uso de palavras mais pesadas em uma obra de fantasia. Digo isso pois recentemente comecei a ler o livro Azincourt do autor inglês Bernard Cornwell e tendo lido pouco mais de trinta páginas fiquei bem impressionado com a quantidade de palavrões que o autor utiliza. A cada duas linhas é possivel ler um m****, b**** e todas as suas variações possíveis. Se isso não bastasse, logo nos primeiros capítulos presenciamos uma cena de um padre estuprando uma menina o que me deixou bem impressionado.

    Admito que no meu primeiro livro não usei palavrões. Não sei dizer se por receio ou por não saber como fazê-lo e isso me levantou a pergunta. Será que uma obra de ficção precisa estar recheada de termos chulos para ser considerada adulta? Será esse um dos critérios que separa a fantasia juvenil da fantasia adulta?

    Acredito que uma das razões que fizeram meu estilo tender para uma linguagem mais "polida" se é que podemos chamar assim foi exatamente a "escola" que segui, os livros que até hoje inspiram meu estilo de escrever. A obra de Frank Herbert é vasta e repleta de situações delicadas, mas ainda sim não consigo me lembrar do uso de nenhuma linguagem chula digna de nota. Mesmo as referências sexuais são esparsas e pontuais e em nenhum momento ele explicita qualquer coisa.

    Se Duna, que é considerado uma das maiores obras de ficção científica, com todas as suas intrigas políticas e religiosas não faz uso desse recurso, será que ele se faz realmente necessário?. Um dos contos que li da antologia Steam (do qual tive a honra de participar) também faz referências bem claras de sexo e eu fiquei me perguntando para que? A cena em questão contribuía pouco ou nada para a trama e poderia ter sido completamente descartada.

    Nesse segundo livro que estou trabalhando tenho tentando deixar um pouco o conservadorismo de lado, usando algumas palavras mais fortes afim de dar mais realismo aos personagens. Ainda sim, a maioria delas seriam o que poderíamos classificar de ofensas "mais brandas", menos diretas e mais figuradas.

    De qualquer forma não pretendo modificar meu estilo radicalmente para deixa-lo mais "adulto". Acredito na fórmula que Frank Herbert usou para escrever seus romances e apesar de estar deixando a "polidez" de lado ainda estou buscando um equilibro. Acredito que meu texto hoje já não possua mais a inocência de outrora, mas esta longe de me fazer ter vergonha de ver meu livro nas mãos de alguém mais jovem.

  por Claudio Villa | 1 comentário


Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Preocupações com a Leitura Crítica

    Felizmente (ou infelizmente) vejo cada vez mais se aproximar o dia em que terei de submeter meu novo original a uma leitura crítica.

    Vejam que não trato aqui de outros colegas escritores e fãs de literatura fantástica que irão ler e dar seus palpites na história. Falo de algum profissional habilitado, que conheça o mercado e que entenda também se tratar de uma história de literatura fantástica. Alguém capaz de produzir críticas construtivas e me auxiliar a não cometer os mesmos erros de Pelo Sangue e Pela Fé.

    Não quero desmerecer o trabalho dos leitores Beta, muito pelo contrário pois os considero parte essencial no processo de fechamento de uma história. Mais do que o profissional, serão eles que saberão me dizer se o tom da história esta adequado e interessante.

    Mas voltando ao assunto. Como saber qual profissional estará habilitado a fazer o melhor trabalho? Referências são importantes, mas excetuando o amigo André Vianco (cuja a linha narrativa principal ainda é o terror), não me lembro de nenhum outro autor de literatura fantástica nacional que tenha obtido resultados expressivos no mercado. De quem devo pegar referências então?

    Sei que existem N profissionais por ai oferecendo seus serviços, a maioria estudantes de letras de todos os graus e níveis, mas até que ponto um curso como esses pode preparar alguém para atuar como leitor crítico. É claro que o estudo da literatura é ponto fundamental no momento de traçar comparativos entre obras e avaliar fórmulas de sucesso, mas acho difícil encontrar um profissional especializado em literatura fantástica.

    Ou talvez seja essa realmente a solução. Encontrar alguém que não conheça profundamente a literatura de fantasia exatamente por não ter os mesmos vícios e preconceitos que um conhecedor do tema teria.

    De qualquer forma, antes de chegar nessa etapa preciso acabar de escrever. Recentemente encontrei mais uma referencia em PSPF que contraria o que estou escrevendo e isso me desanimou. Estou pensando seriamente ignora-la e torcer para que um dia eu possa lançar uma nova edição do primeiro livro, revista e reediatada por mim. Acho que nunca desejei tanto uma máquina do tempo.

  por Claudio Villa | 1 comentário


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