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Segunda-feira, 07 de Julho de 2008

Nasce a Mirr Enciclopedia

    Três anos se passaram desde que comecei a narrar nesse blog as minhas desventuras, desafios e é claro decepções como um escritor iniciante e é claro que desde então muita coisa mudou.

    Depois de muito trabalho e dor de cabeça o livro finalmente saiu no inicio desse ano e esse lançamento tem me aberto portas e me colocado em contato com um universo que antes parecia distante e inatingível, o de outros escritores. Eu sinceramente não sei dizer bem ao certo quando tudo começou, mas dia a dia eu venho conhecendo e estabelecendo contato com editores e outros autores e essa experiência tem mudado minha forma de enxergar as coisas.

    Já posso lhe adiantar leitor que até agora, todos os escritores que conheci são de carne e osso como eu e você. Pessoas com seus empregos e famílias que tem em comum a paixão por escrever. Todos tem ao menos uma história para contar sobre as dificuldades em alcançar esse sonho considerado tão utópico pela pessoa comum. Todos passaram e passam por dificuldades, tiveram seus tropeços na carreira, porém alguns sucederam e são neles que procuro me espelhar. Mesmo esses, que muitos poderiam pensar serem pessoas arrogantes devido ao sucesso, demonstram uma humildade e senso de companheirismo que me inspiram. Se um dia alcançar o mesmo sucesso, e venho trabalhando para isso, espero conseguir ter a mesma atitude.

    Hoje voltei de minha primeira Fantasticon como participante de uma mesa redonda e essa foi uma oportunidade de conhecer \"velhos amigos\" da comunidade e de conhecer pessoas das quais apenas ouvira falar. Somente para exemplificar, fui apresentado ao autor Jorge Luis Calife, um nome que tenho na minha cabeça a quase vinte anos pois foi ele quem traduziu Duna, meu livro de cabeçeira que li pela primeira vez quando tinha doze anos.

    É muito bom também ser reconhecido por seus pares, ser lembrado por outros autores que já tem dez, quinze ou até vinte anos de estrada e que acumularam uma experiência que esta a anos luz do que sei hoje. É gratificante ver como alguns desses autores se interessam genuinamente por seu trabalho e é deles que espero as melhores críticas para aprimorar minha arte.

    Talvez ainda mais gratificante é conversar com alguns leitores desse diário que vira e mexe encontro por ai. Encontrei um leitor do blog hoje (não me lembro nome, pois como já disse tenho uma dificuldade imensa de guarda-los) que me disse acompanhar esse Diário a pouco mais de um ano e meio. Confesso que na hora fiquei meio incerto sobre como agir, mas saber que existem algumas pessoas que retornam aqui semanalmente é o que me faz seguir atualizando esse site.

    E é também por conta desses leitores é que o site inicia hoje um novo formato e um novo projeto. O que vocês vem aqui é o resultado de quatro meses de trabalho e dedicação por parte de amigos que de sua forma colaboram para me ajudar a seguir com meu sonho de ser escritor. A Mirr Enciclopédia também representa um desafio completamente novo para mim que agora devo trazer a vocês não apenas os relatos de um jovem escritor, mas também apresentar-lhes gradualmente um mundo que ronda a minha mente nos últimos dez anos.

    Não será um trabalho solitário (como podem conferir no link sobre a Equipe Mirr Enciclopédia), mas caberá a mim atualizar e manter esse site interessante para que você leitor possa retornar aqui periodicamente para conhecer dia a dia os mundos de Mirr.

    Espero que esse site possa aumentar o interesse por meu trabalho e por consequência por meus livros, mas sei que não será uma tarefa fácil. Convido a todos a explorar esse novo mundo comigo, pois ainda tenho muitas histórias oara contar.

  por Claudio Villa | 1 comentário


Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Uma Conversa por E-mail

    Hoje quero falar um pouco sobre a oportunidade que tenho tido para me expressar, graças ao constante trabalho de divulgação do livro. É verdade que já mantenho esse blog a três anos, mas todos os meus artigos ou textos são sempre impressões solitárias, algumas vezes comentadas, daquilo que acredito ser a vida de um escritor em começo de carreira.

    Por conta dos eventos que tenho participado, e dos contatos que tenho feito, pude conceder até o momento duas entrevistas para sites e uma para um jornal de grande circulação em Santos. Cada caso apresentou suas peculiaridades, de perguntas bastante focadas para o oficio (como a entrevista que vocês acompanham a seguir) até uma com perguntas bastante dificies e igualmente desafiadoras que ainda estou trabalhando.

    Outro detalhe que não pude deixar passar e estou tentando entender foi a brusca queda de visitações ao site desde que a Mirr Enciclopédia entrou no ar. Ainda pretendo avaliar isso e entender se houve um desinteresse ou se as pessoas ainda estão buscando se acostumar ao novo formato. O tempo dirá.

    A entrevista a seguir foi concedida a Ademir Pascale, editor, escritor, roteirista, crítico de cinema, ativista cultural, criador do Portal Cranik (www.cranik.com.br) e do Projeto de Inclusão Social "Vá ao Cinema!". Colunista de diversos sites culturais, é também editor do site Divulga Livros: www.divulgalivros.org

    Ademir Pascale: Como foi o início de Cláudio Villa na literatura?

    Cláudio Villa: Desde criança eu sempre gostei de escrever e ao contrário dos meus colegas de escola adorava as aulas de redação. Como a maioria dos adolescentes eu comecei escrevendo poesias e às vezes, no meio da madrugada, acordava e não conseguia dormir até escrever uma página mesmo que o texto ao final não fizesse muito sentido. Quando eu conheci minha esposa em 1998 eu acabei deixando as poesias de lado e passei a escrever histórias. Nesse mesmo ano eu tentei escrever meu primeiro livro, uma história sobre um personagem com o qual jogava R.P.G (Role Playing Games). O livro acabou com cem páginas, mas o resultado não me agradou e acabei deixando ele de lado.

    Ademir Pascale: Por favor, fale-nos um pouco sobre a sua obra "Pelo Sangue e Pela Fé". Como surgiu a idéia inicial para a criação desta obra?

    Cláudio Villa: Pelo Sangue e Pela Fé começou a surgir em meados de 2001. Na época eu participava de um grupo chamado “O Graal” que organizava jogos de R.P.G ao vivo (Live Actions). Nesses jogos, ao invés de ficarmos ao redor de uma mesa, nós nos vestíamos como os personagens e passávamos o dia perambulando por um sítio enorme interpretando nossos personagens. Para poder participar do jogo eu precisava criar um personagem e escrever brevemente sobre seu passado. Acabei saindo com o Jonathan Devilla e uma história de uma página que se tornaria a base do livro.

    Eu joguei com Jonathan ao longo de três anos e lentamente fui conquistando, através da interpretação, um espaço e o respeito entre os jogadores. Em 2001 eu me vi obrigado a ficar afastado dos jogos por um problema de saúde e fui convidado pela organização a escrever algumas tramas para os lives.

    Terminado esse período, achei que juntando as experiências vividas em jogo juntamente com o que eu havia criado daria uma boa história e passei daí a converter isso em um livro.

    Para não estender muito a resposta, “Pelo Sangue e Pela Fé” trata da história de Jonathan, um jovem soldado que luta contra a província vizinha, habitada pelos demoníacos Elfos da Lua. Porém, quando a guerra toma um rumo inesperado, Jonathan terá na fé seu maior aliado enquanto uma ameaça muito maior do que esse conflito se forma lentamente no horizonte.

    Ademir Pascale: A obra "O Vento Norte" é uma continuação de "Pelo Sangue e Pela Fé"?

    Cláudio Villa: Não. Eu sou bastante crítico em relação a escrever livros em série, especialmente quando se é um autor iniciante. Eu quero que meu leitor, ao comprar o meu livro, tenha certeza que a história terá um fim e não que precisará esperar uma continuação para saber como ela acaba. Um autor novo pode levar anos até lançar um segundo livro e ao se escrever uma série você pode não só frustrar seu leitor (que terá de esperar pela continuação) como pode ter dificuldades futuras em vender a segunda parte do seu livro (já que existe a possibilidade do primeiro não estar mais disponível para venda). “O Vento Norte” passa-se no mesmo mundo só que vinte anos antes de “Pelo Sangue e Pela Fé”. Esse livro dará ao leitor a oportunidade de revisitar alguns lugares e conhecer o passado de alguns personagens comuns entre os dois livros, mas ambos podem ser lidos independentemente.

    Ademir Pascale: Gostei muito do layout e conteúdo do site "Mundos de Mirr". Quando ele foi ao ar?

    Cláudio Villa: (Risos) Na verdade ele está bem novo, foi ao ar no dia 06/07/2008. Eu já vinha mantendo um blog atualizado semanalmente desde 2005, onde narro os desafios e dificuldades de ser um escritor de fantasia no Brasil. A Mirr Enciclopédia surgiu como um novo projeto que permitirá ao leitor explorar o mundo além do livro, conhecendo mais a fundo seus lugares e personagens favoritos. Esta wiki conta com uma equipe que é a mesma responsável pela criação do mundo, onde se passa minha história e que estará sempre adicionando novos conteúdos e expandindo o mundo. O blog continua com suas atualizações e artigos, mas agora é parte desse site maior.

    Ademir Pascale: Você esteve na mesa redonda do simpósio de literatura fantástica Fantasticon? Se sim, como foi?

    Cláudio Villa: Sim, participei da mesa “Os Desafios de Escrever Literatura Fantástica no Brasil” ao lado de pessoas maravilhosas como a Nazareth Fonseca, Cristina Lasaitis, J. Modesto e Nelson de Oliveira. Foi a minha segunda participação em uma mesa redonda e foi sem dúvida uma experiência fantástica. Essas mesas são para mim a oportunidade de transpor pessoalmente os pensamentos e idéias que se tornam textos em meu blog. Por mais que esses textos recebam comentários, o contato direto com o público e a oportunidade de debater idéias ao invés de simplesmente expô-las tem me enriquecido bastante. Além disso, esses eventos têm me colocado em contato com outros escritores, muitos com anos e anos de estrada na minha frente, e essa troca de idéias tem me ensinado muito.

    Ademir Pascale: É verdade que os leitores brasileiros estão se interessando mais pela literatura fantástica? O que você acha disso?

    Cláudio Villa: Sim e eu diria que o cinema é o principal responsável por essa mudança. A literatura de fantasia ainda é vista por muitos como uma literatura juvenil e undeground, especialmente por grandes editoras e livreiros em geral. Porém, filmes como o “Senhor dos Anéis” e “Crônicas de Nárnia” têm ajudado a dar uma nova visão a esse tipo de história. Antes do filme você teria dificuldades em encontrar alguma edição do “Senhor dos Anéis” em uma grande livraria, hoje os livros de Tolkien são produtos indispensáveis em suas prateleiras. Acho que ainda existe um caminho longo a se percorrer, mas pouco a pouco os leitores vêm percebendo que não existe idade para se ler fantasia e que muitos romances são próprios para o público adulto.

    Ademir Pascale: Em relação ao mundo editorial, as editoras finalmente estão deixando um pouco de lado os escritores internacionais e se voltando para os nacionais. Na sua opinião, foi o interesse crescente dos leitores brasileiros pelos autores nacionais ou algo mais?

    Cláudio Villa: Eu acho que o caminho vem sendo aos poucos desbravado, mas lhe digo que as grandes editoras ainda têm muito receio em apostar no autor nacional, especialmente no iniciante. O público em geral também ainda fica receoso em livros de ficção nacionais, preferindo se pautar pelos best sellers e pelo que a mídia divulga.

    Acho que o caminho realmente deve ser semelhante ao que vem ocorrendo no cinema nacional. A pouco mais de dez anos o cinema era dividido em filmes de terror, ação, comédia, drama, aventura...etc e...filme brasileiro. O cinema nacional era quase que um gênero a parte, porém hoje essa distinção vem caindo por terra graças à qualidade com que esses filmes vêm sendo feitos.

    Com a literatura é a mesma coisa, quando tivermos grandes editoras investindo em autores nacionais, arriscando publicar seus livros e especialmente divulgando esses autores na mídia, ai acredito que o preconceito com a literatura nacional vá desaparecendo e se abra uma estrada semelhante à aberta pelo cinema.

    Ademir Pascale: Existem novos projetos em pauta?

    Cláudio Villa: Sempre. Além do livro “O Vento Norte”, que venho escrevendo, tenho agora a missão de inserir conteúdo na Mirr Enciclopédia tornando-a sempre interessante de ser visitada. Venho também desenvolvendo um projeto com outros autores para desenvolver um universo de ficção científica, mas esses detalhes ainda são segredo de estado.(risos)

    Perguntas rápidas:

    Um livro: Duna
    Um autor (a): Frank Herbert
    Um ator ou atriz: Não tenho nenhum favorito. Gosto daquele ator que no momento sabe me contar uma boa história.
    Um filme: Coração Valente
    Um dia especial: O nascimento do meu segundo filho, o Pedro. (O primeiro foi o livro que nasceu seis meses antes)
    Um desejo: Que minhas histórias mexam com a imaginação das pessoas, assim como as de meus autores favoritos mexeram com a minha.

    Ademir Pascale: Foi um grande prazer conversar contigo. Desejo-lhe muito sucesso.

    Cláudio Villa:
    O prazer foi todo meu e agradeço a oportunidade de expor algumas de minhas idéias. Quero convidar todos a conhecer o meu site, reformulado, no endereço www.mundosdemirr.com e deixar meu endereço de e-mail que é o contato@mundosdemirr.com. Para quem viajar por Mirr e quiser um pouco mais de aventura, o livro “Pelo Sangue e Pela Fé” pode ser encontrado nas principais livrarias e nos sites da Livraria Cultura, Fnac e Saraiva. Obrigado Ademir mais uma vez pelo bate papo e espero que seja o primeiro de muitos.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

O Anno Domini

A emoção de se lançar um primeiro livro é realmente dificil de se descrever. É um momento onde seu trabalho, muitas vezes solitário, é reconhecido e onde você é o centro das atenções. Porém, nem sempre seu primeiro lançamento será assim. Talvez você tenha de dividir a atenção com outros 36 autores que assim como você lutaram para chegar lá.

    O lançamento de "Pelo Sangue e Pela Fé" foi uma experiência inesquecível, um momento onde meus melhores amigos (e até algumas surpresas) deram o ar de sua graça. Porém, a experiência que tive no Sábado foi igualmente especial. O lançamento do Anno Domini.

    Para quem não conhece, Anno Domini é um livro que acaba de ser lançado pela Andross Editora e que reúne em suas páginas contos de 49 autores cuja a temática é a idade média (fantástica ou não). A oportunidade surgiu através do convite de uma velha amiga, Helena Gomes, da qual já fui até guarda no lançamento de seu primeiro livro (longa história, fica para outro post).

    Vocês que acompanham meu blog devem estranhar que eu esteja integrando esse tipo de coletânea, já que mais de uma vez me declarei um autor que não escreve contos. A verdade é que tenho uma dificuldade imensa em escrever histórias curtas e por isso nunca fui um bom contista. No entanto, em momentos raros tenho uma idéia que se encaixa bem em poucas páginas e lá vou eu para o computador colocá-la no papel. Esse foi o caso do "Esperando a Morte", o nome de meu conto publicado no Anno Domini e que se encaixou bem com a proposta do livro.

    Mas, explicações a parte, eu vim aqui para lhes descrever a emoção de compartilhar um lançamento com pessoas que em sua maioria sequer conhecia. Talvez tenha sido exatamente esse estranhamento que proporcionou as melhores experiências. A cada pessoa abordada eu assumia o papel de leitor e de autor, autografando e tendo a minha cópia autografada. Era nesses momentos onde pude trocar experiências e perceber que as diferenças muitas vezes nos uniam. Conversei com autores de todas as idades, de uma jovem de quinze anos acompanhada de seus pais orgulhosos a pessoas mais velhas do que eu. Haviam os solteiros, os casados e aqueles que como eu, tem um filho para cuidar, todos com sua própria história para contar.

    Houve um autor com quem conversei e que optou uma espécie de publicação por demanda e cujo livro não vendia nada por causa do preço e do tempo que levava para chegar. Houve outro, amigo de longa data e que a tempos vem tentando publicar seu trabalho, que me confessou ter desistido das editoras. "Vou publicar online no meu site, um capítulo por vez".

    Tudo isso me fez pensar e refletir sobre minhas próprias dificuldades e sobre o caminho que trilhei até aqui. O lançamento de "Pelo Sangue e Pela Fé" teve problemas e frustrações, mas hoje vejo como cada pequena vitória se somam para mostrar que apesar das adversidades nada é impossível. Eu briguei muito nesses últimos seis meses para fazer com que meu livro fosse conhecido e apesar de não ser um best seller sinto que ele tem encontrado seu públlico.

    A cada autor que conversava, eu pensava sobre o que o futuro lhes reservaria dali em diante. A maioria provavelmente guardaria o livro na estante como uma recordação de um momento especial onde, por alguns instantes, ele fora o centro das atenções. Porém, existem aqueles que como eu vêem esse lançamento como mais um passo na estrada para conquistar o sonho de ser escritor. Não sei quantos desses irão desistir no caminho e quantos irão suceder, mas sei que aqueles que lutarem de verdade terão mais chances de chegar ao final do caminho.

  por Claudio Villa | 6 comentários


Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

O Overmundo

    Tenho de admitir que esse post já começa um pouco datado, mas como o que importa aqui nem é tanto a divulgação em sí, mas sim sua repercusão, ele se mantém atual.

    Para quem acompanha o blog, deve-se lembrar de uma entrevista que dei para o jornalista Ademir Pascale e que publiquei por aqui com o título Uma Conversa por E-mail. Para quem não leu, ela pode ser visualizada aqui: http://www.mundosdemirr.com/admin/index.php?m=posts&id=146

    Essa foi uma entrevista que me agradou bastante, não só pelo conteúdo das perguntas, mas pelo retorno que obteve. Por conta disso, resolvi apostar algumas fichas e publicá-la também no site Overmundo.

    O Overmundo (www.overmundo.com.br) é considerado por muitos autores e agitadores culturais como um dos principais sites de fomento as artes e a literatura existente na internet. No Overmundo, qualquer um pode postar uma contribuição e submetê-la a uma votação dos membros. Caso a matéria receba votos suficientes, ela é exibida na página principal do site e la permanece enquanto as pessoas que a lerem continuarem votando. Em geral a matéria fica por volta de um dia para então começar a ser lentamente substituída.

    Bem, fiz meu cadastro no site (qualquer um que queira votar precisa fazê-lo) e lá colei a matéria juntamente com uma imagem da capa do livro e um link para baixar a matéria feita sobre esse livro na PlayTV. Feito isso comecei o verdadeiro trabalho que foi a campanha pedindo votos pela internet e é sobre esse ponto exatamente que quero falar. Somente para esclarecer, a votação no Overmundo possui peso, ou seja quanto maior a participação da pessoa no site, maior é o peso dela ao votar (esse valor pode variar de 1 a 10 pontos).

    Para conseguir ter a entrevista no ar, eu precisava conquistar 70 pontos em 48 horas e lá fui eu disparar e-mails, scraps e posts no Orkut. Muitos amigos me apoiaram, se cadastrando no site somente para votar na matéria e tentar fazê-la subir, mas não foi essa minha maior surpresa.

    Como de costume, acabei postando um tópico na comunidade "Escritores de Fantasia" sobre a entrevista e pedindo que os colegas escritores votassem para me ajudar. Eu esperava sim angariar alguns votos daqueles mais conhecidos, mas para minha satisfação percebi que além desses, outras pessoas com as quais nunca havia tido contato também foram ao site para votar. A cada hora passada, mais e mais pessoas avisavam na comunidade que haviam lido a entrevista e votado. Em um dado momento, meu bom amigo Tibor, escritor e entusiasta de ficção especulativa sugeriu no tópico:

     - Voto dado. Coloca lá na comu de FC também, Villa.
    Eu respondi
     - Valeu Tibor, posto sim. Só que como nunca participei da comunidade, não fica mal entrar lá só para isso?
    Foi quando outro bom amigo e escritor Fábio Fernandes disse
     - Fica não, Claudio! Palavra do dono da comunidade! :-D

    Admito que fiquei um pouco receoso, mas acabei arriscando e postando lá o tópico. A resposta foi quase imediata e apesar de nunca ter participado da comunidade, recebi um forte apoio novamente de conhecidos e desconhecidos. O lado bom disso é que apesar de ter um conhecimento quase nulo de FC, passei a partir daquele dia a participar da comunidade (mesmo que timidamente). Menos de 24 horas depois (quase na metade do prazo) já haviam votos suficientes para a matéria ir ao ar.

    "Mas afinal Cláudio, o que isso tem de tão importante?" Meu ponto nesse post não é falar da entrevista ou destacar o sucesso ou fracasso dela no Overmundo, mas sim destacar como tenho sentido a comunidade de escritores que agora começo a fazer parte. Dos iniciantes aos já calejados, o que tenho percebido e confirmado a cada dia é o imenso apoio que uns dão aos outros, especialmente aqueles que botam a cara para bater no mercado. Nós já temos um inimigo imenso em comum que é o preconceito que nossas obras sofrem lá fora, na livraria.

    Tem sido esse apoio quase incondicional que tenho recebido que tem me animado cada vez mais a seguir em frente. Além disso, é muito gratificante ver como muitos escritores e profissionais trabalham para tirar nosso gênero da obscuridade e mostrar ao público que a fantasia pode ser sim uma literatura de primeira linha. De Silvio Alexandre e sua fantástica Fantasticon até as mesas redondas organizadas pelo Horácio Corral, todos fazem a sua parte para consolidar a fantasia no Brasil.

    Fico feliz sempre que recebo um e-mail (como hoje) vindo de autores que estão começando a trilhar a mesma estrada que eu e os quais posso ajudar contando um pouco das minhas experiências, erros e dificuldades. Não tenho a mesma experiência que alguns autores com quem converso, mas acho que já aprendi um truque ou outro sobre esse mercado. Gostaria também que as pessoas vissem esse blog como minha singela contribuição a essa guerra que estamos travando, mais uma arma entre tantas que já temos no fronte de batalha.

    Quanto a nós escritores, nos resta escrever boas histórias, preencher as prateleiras das livrarias e acabar de uma vez por todas com esse mito de que "fantasia e coisa de criança"

  por Claudio Villa | 4 comentários


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