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Segunda-feira, 05 de Maio de 2008

Mundos Épicos

    Em minhas andanças pelos sites de outros escritores (e pelo Orkut também) andei reparando em como alguns autores falam sobre seus mundos, dando uma visão do que esperar de livros que se passem nesses cenários. O grande questionamento que tive durante essa pesquisa foi: Será que todo mundo de fantasia precisa ser tão épico?

    É curioso notar como a maioria dos mundos possuem nomes complexos e grandes problemas a serem solucionados. Aparentemente todos têm sua versão de Senhor das Trevas, todos possuem grandes panteões de deuses poderosos e poucos escapam de possuirem pilares/gemas/cristais/seu item de poder aqui. Curiosamente também sempre temos números cabalísticos envolvidos (como o sete e o treze) além de quase invariavelmente esses itens de poder estarem ligados aos quatro elementos (água, terra, fogo e ar).

    Outro detalhe é que tudo o que acontece nos mundos de fantasia parecem ter uma escala global, afetando invariavelmente cada ser existente e pondo em risco o mundo como um todo. É fato que boa parte desses conceitos são herdados da saga de Tolkien, assim como muitas das criaturas fantásticas utilizadas nos livros. O mesmo se dá com os autores iniciantes que antes de acabar seu primeiro livro já estão falando em trilogias (assunto já discutido aqui e que não vou retomar agora).

    Por conta dessas observações, voltei para meu próprio mundo e para meus dois livros (o que publiquei e o que venho trabalhando) para ver se eu mesmo acabei não incorrendo nessas mesmas questões. É importante lembrar que esse artigo não é uma crítica velada a mundos de fantasia que sigam esse esquema, mas sim uma reflexão sobre a necessidade de todos seguirem exatamente a mesma fórmula.

    Sempre tive muito receio de cair nesses clichês e ao longo do desenvolvimento do primeiro livro, fui buscando reduzir essas questões, tentando tornar minha história o mais pé no chão possível. Existe um conflito em grande escala? Sim, existe, mas ele afeta apenas uma pequena parte do mundo, sendo que todo o resto está praticamente aquém do que ocorre ali. Minha história também possui itens de poder e um "senhor do escuro", mas mesmo estes eu busquei ocultar ou mesmo diminuir seu impacto em relação ao mundo. Gosto da magia discreta, um detalhe sutil que apenas tempera a história.

    Como já relatei aqui, meu mundo não pode ser chamado de meu já que ele vem sendo pensado por diversas cabeças ao longo dos anos. Algumas pessoas poderiam achar isso um problema, já que tiraria do autor a liberdade de criar e "pirar" em cima do mundo, mas eu vejo isso mais como uma benção do que como uma maldição. Quando se cria um mundo sozinho, você é quem estabelece os limites do que é plausível e do que não é, ou seja, você não tem um terceiro fator para puxar o freio e lhe dizer: "será que não está muito exagerado?" Ontem mesmo, tive uma reunião com meus amigos sobre o mundo, onde um deles estava nos relatando sua visão da gênese de Mirr. Existem sim muitos pontos fantásticos em sua história, mas existem alguns "exageros épicos" que me incomodam e que me fazem justamente ter mais tato quando planejo uma história.

    Eu passei quase cinco anos escrevendo "Pelo Sangue e Pela Fé" e hoje me percebo um autor mais maduro. Cada dia mais me sinto atraido pelas intrigas humanas temperadas com fantasia em detrimento aos grandes épicos de salvação universal. Acredito que esse seja um processo natural a medida que cada autor amadurece e vai buscando seu próprio estilo. Talvez todo o mundo fantástico deva realmente iniciar épico, uma verdadeira explosão de clichês para que com o tempo vá se assentando, criando raízes e dando ao autor a possibilidade de explorar conceitos diferentes de magos onipontentes e deuses guerreiros. Acho que a fantasia é realmente mais do que isso e é exatamente esse detalhe que a torna tão fascinante como estilo literário, poder transitar entre o mágico e o real de uma forma que o leitor ainda esteja convencido de que aquilo que ele lê poderia acontecer com ele.

  por Claudio Villa | 12 comentários


Segunda-feira, 05 de Maio de 2008

Mundos Épicos

    Em minhas andanças pelos sites de outros escritores (e pelo Orkut também) andei reparando em como alguns autores falam sobre seus mundos, dando uma visão do que esperar de livros que se passem nesses cenários. O grande questionamento que tive durante essa pesquisa foi: Será que todo mundo de fantasia precisa ser tão épico?

    É curioso notar como a maioria dos mundos possuem nomes complexos e grandes problemas a serem solucionados. Aparentemente todos têm sua versão de Senhor das Trevas, todos possuem grandes panteões de deuses poderosos e poucos escapam de possuirem pilares/gemas/cristais/seu item de poder aqui. Curiosamente também sempre temos números cabalísticos envolvidos (como o sete e o treze) além de quase invariavelmente esses itens de poder estarem ligados aos quatro elementos (água, terra, fogo e ar).

    Outro detalhe é que tudo o que acontece nos mundos de fantasia parecem ter uma escala global, afetando invariavelmente cada ser existente e pondo em risco o mundo como um todo. É fato que boa parte desses conceitos são herdados da saga de Tolkien, assim como muitas das criaturas fantásticas utilizadas nos livros. O mesmo se dá com os autores iniciantes que antes de acabar seu primeiro livro já estão falando em trilogias (assunto já discutido aqui e que não vou retomar agora).

    Por conta dessas observações, voltei para meu próprio mundo e para meus dois livros (o que publiquei e o que venho trabalhando) para ver se eu mesmo acabei não incorrendo nessas mesmas questões. É importante lembrar que esse artigo não é uma crítica velada a mundos de fantasia que sigam esse esquema, mas sim uma reflexão sobre a necessidade de todos seguirem exatamente a mesma fórmula.

    Sempre tive muito receio de cair nesses clichês e ao longo do desenvolvimento do primeiro livro, fui buscando reduzir essas questões, tentando tornar minha história o mais pé no chão possível. Existe um conflito em grande escala? Sim, existe, mas ele afeta apenas uma pequena parte do mundo, sendo que todo o resto está praticamente aquém do que ocorre ali. Minha história também possui itens de poder e um "senhor do escuro", mas mesmo estes eu busquei ocultar ou mesmo diminuir seu impacto em relação ao mundo. Gosto da magia discreta, um detalhe sutil que apenas tempera a história.

    Como já relatei aqui, meu mundo não pode ser chamado de meu já que ele vem sendo pensado por diversas cabeças ao longo dos anos. Algumas pessoas poderiam achar isso um problema, já que tiraria do autor a liberdade de criar e "pirar" em cima do mundo, mas eu vejo isso mais como uma benção do que como uma maldição. Quando se cria um mundo sozinho, você é quem estabelece os limites do que é plausível e do que não é, ou seja, você não tem um terceiro fator para puxar o freio e lhe dizer: "será que não está muito exagerado?" Ontem mesmo, tive uma reunião com meus amigos sobre o mundo, onde um deles estava nos relatando sua visão da gênese de Mirr. Existem sim muitos pontos fantásticos em sua história, mas existem alguns "exageros épicos" que me incomodam e que me fazem justamente ter mais tato quando planejo uma história.

    Eu passei quase cinco anos escrevendo "Pelo Sangue e Pela Fé" e hoje me percebo um autor mais maduro. Cada dia mais me sinto atraido pelas intrigas humanas temperadas com fantasia em detrimento aos grandes épicos de salvação universal. Acredito que esse seja um processo natural a medida que cada autor amadurece e vai buscando seu próprio estilo. Talvez todo o mundo fantástico deva realmente iniciar épico, uma verdadeira explosão de clichês para que com o tempo vá se assentando, criando raízes e dando ao autor a possibilidade de explorar conceitos diferentes de magos onipontentes e deuses guerreiros. Acho que a fantasia é realmente mais do que isso e é exatamente esse detalhe que a torna tão fascinante como estilo literário, poder transitar entre o mágico e o real de uma forma que o leitor ainda esteja convencido de que aquilo que ele lê poderia acontecer com ele.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Conceitos Terrenos

    Antes de começar o artigo dessa semana, não poderia deixar de destacar minha surpresa e satisfação em relação ao artigo da semana passada. O post intitulado "Mundos Épicos" recebeu treze comentários de seus leitores, marca nunca antes alcançada em três anos de blog, superando até mesmo o artigo que tratava do lançamento do livro (com doze comentários). Espero que isso se torne uma tendência nos próximos artigos e que com o tempo, mais e mais pessoas os comentem e possam extrair algo de interessante disso.

    O artigo dessa semana está longe de ser tão polêmico, mas levanta uma questão igualmente interessante: Como adaptar conceitos de nossa realidade para um mundo de fantasia. Antes de mais nada é necessário explicar o que quero dizer quando falo de "conceitos terrenos".

    Eu acredito que todo romance de fantasia deva levar o leitor a algum tipo de identificação com a sua realidade independente desse romance se passar em um outro mundo. É claro que toda história fantástica deve ter o que chamamos de Sense of Wonder, o ingrediente quase mágico da literatura fantástica que transmite uma sensação de estranheza e admiração, e o que torna aquele mundo fantástico um lugar atrativo onde o leitor gostará de passar algumas horas de seu dia. Por outro lado, se errarmos na mistura e adicionarmos muito Sense of Wonder a história fica confusa e o leitor acaba por se perder na leitura ou acha-la massante demais.

    Os conceitos terrenos surgem exatamente para isso, para acrescentar linhas guias à história de forma que o leitor possa novamente pisar em terra firme e saber qual direção esta tomando. Assim sendo, esses conceitos são termos e palavras que só fazem sentido se levarmos em conta a história da Terra, e que não possuem uma ligação com o mundo fantástico em si.

    Passei por uma situação delicada essa semana quando tentava descrever uma casa em meu novo livro. Já mencionei aqui antes que muitas das construções que detalho em meu trabalho são inspiradas em construções reais (um doce para quem adivinhar em qual construção me inspirei para descrever o castelo de Northwind), assim sendo muitas vezes faço o uso de fotos desses lugares para criar uma descrição precisa.

    No caso dessa casa, eu observei que seu segundo andar era sustentado por uma série de arcos, sendo que fiz uma busca no Google para descobrir exatamente que tipo de arcos eram aqueles. Minha pesquisa respondeu minha pergunta, mas me deixou em um dilema uma vez que os tais arcos eram chamados de "góticos". O termo gótico, a princípio não faria nenhum sentido em um mundo de fantasia, uma vez que não existiu um movimento arquitetônico com essa nomenclatura. Fiquei pensando se haveria uma forma de descrever arcos góticos sem usar o termo gótico em sua descrição. Pensei em usar uma solução que adotei no livro passado onde descrevi algumas janelas com o formato de "um escudo invertido". Mesmo essa descrição fica insatisfatória, pois nem todos os leitores irão imaginar o mesmo escudo que eu.

    Outro dia estava lendo a sinopse de um livro de fantasia onde o autor optara por rebatizar os meses do ano. Esse pode ser um recurso interessante, dar um tempero especial ao seu mundo, mas a menos que o escritor se ocupe em lhe explicar o calendário, um nome diferente mais atrapalha do que ajuda. Quando se ouve por exemplo uma descrição que trata do mês de Julho, fica muito mais fácil visualizar a situação já que todos temos mais ou menos uma noção de como é o clima durante essa época. Quando o autor opta por rebatizar o mês com o nome de Radrak por exemplo, ele perde todo seu significado original. Julho é o conceito terreno que não faz sentido em um universo de fantasia, mas traz ao leitor um senso de familiaridade.

    Da minha parte eu posso dizer que preferi me arriscar nesses anacronismos terrenos a ter de explicar ao leitor detalhes e minúcias que podem ser resolvidos usando esses conceitos. É claro que a linha que separa o bom senso no uso desses anacronismos é tênue e deve-se tomar um cuidado imenso ao cruzá-la. Comparar um personagem fantástico a um personagem histórico a fim de lhe dar vida pode ser uma armadilha, assim como copiar ips literis nomes alheios vindos de outras midias (como já vi em um livro que copiou nomes de personagens de um jogo de videogame).

    As favas com o purismo fantástico onde um mundo de fantasia deva ser totalmente rebatizado. Acho que até mesmo o leitor vai preferir entender de uma forma mais simples a ter de reaprender conceitos fundamentais a cada novo livro que abre para ler.

  por Claudio Villa | 3 comentários


Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Conceitos Terrenos

    Antes de começar o artigo dessa semana, não poderia deixar de destacar minha surpresa e satisfação em relação ao artigo da semana passada. O post intitulado "Mundos Épicos" recebeu treze comentários de seus leitores, marca nunca antes alcançada em três anos de blog, superando até mesmo o artigo que tratava do lançamento do livro (com doze comentários). Espero que isso se torne uma tendência nos próximos artigos e que com o tempo, mais e mais pessoas os comentem e possam extrair algo de interessante disso.

    O artigo dessa semana está longe de ser tão polêmico, mas levanta uma questão igualmente interessante: Como adaptar conceitos de nossa realidade para um mundo de fantasia. Antes de mais nada é necessário explicar o que quero dizer quando falo de "conceitos terrenos".

    Eu acredito que todo romance de fantasia deva levar o leitor a algum tipo de identificação com a sua realidade independente desse romance se passar em um outro mundo. É claro que toda história fantástica deve ter o que chamamos de Sense of Wonder, o ingrediente quase mágico da literatura fantástica que transmite uma sensação de estranheza e admiração, e o que torna aquele mundo fantástico um lugar atrativo onde o leitor gostará de passar algumas horas de seu dia. Por outro lado, se errarmos na mistura e adicionarmos muito Sense of Wonder a história fica confusa e o leitor acaba por se perder na leitura ou acha-la massante demais.

    Os conceitos terrenos surgem exatamente para isso, para acrescentar linhas guias à história de forma que o leitor possa novamente pisar em terra firme e saber qual direção esta tomando. Assim sendo, esses conceitos são termos e palavras que só fazem sentido se levarmos em conta a história da Terra, e que não possuem uma ligação com o mundo fantástico em si.

    Passei por uma situação delicada essa semana quando tentava descrever uma casa em meu novo livro. Já mencionei aqui antes que muitas das construções que detalho em meu trabalho são inspiradas em construções reais (um doce para quem adivinhar em qual construção me inspirei para descrever o castelo de Northwind), assim sendo muitas vezes faço o uso de fotos desses lugares para criar uma descrição precisa.

    No caso dessa casa, eu observei que seu segundo andar era sustentado por uma série de arcos, sendo que fiz uma busca no Google para descobrir exatamente que tipo de arcos eram aqueles. Minha pesquisa respondeu minha pergunta, mas me deixou em um dilema uma vez que os tais arcos eram chamados de "góticos". O termo gótico, a princípio não faria nenhum sentido em um mundo de fantasia, uma vez que não existiu um movimento arquitetônico com essa nomenclatura. Fiquei pensando se haveria uma forma de descrever arcos góticos sem usar o termo gótico em sua descrição. Pensei em usar uma solução que adotei no livro passado onde descrevi algumas janelas com o formato de "um escudo invertido". Mesmo essa descrição fica insatisfatória, pois nem todos os leitores irão imaginar o mesmo escudo que eu.

    Outro dia estava lendo a sinopse de um livro de fantasia onde o autor optara por rebatizar os meses do ano. Esse pode ser um recurso interessante, dar um tempero especial ao seu mundo, mas a menos que o escritor se ocupe em lhe explicar o calendário, um nome diferente mais atrapalha do que ajuda. Quando se ouve por exemplo uma descrição que trata do mês de Julho, fica muito mais fácil visualizar a situação já que todos temos mais ou menos uma noção de como é o clima durante essa época. Quando o autor opta por rebatizar o mês com o nome de Radrak por exemplo, ele perde todo seu significado original. Julho é o conceito terreno que não faz sentido em um universo de fantasia, mas traz ao leitor um senso de familiaridade.

    Da minha parte eu posso dizer que preferi me arriscar nesses anacronismos terrenos a ter de explicar ao leitor detalhes e minúcias que podem ser resolvidos usando esses conceitos. É claro que a linha que separa o bom senso no uso desses anacronismos é tênue e deve-se tomar um cuidado imenso ao cruzá-la. Comparar um personagem fantástico a um personagem histórico a fim de lhe dar vida pode ser uma armadilha, assim como copiar ips literis nomes alheios vindos de outras midias (como já vi em um livro que copiou nomes de personagens de um jogo de videogame).

    As favas com o purismo fantástico onde um mundo de fantasia deva ser totalmente rebatizado. Acho que até mesmo o leitor vai preferir entender de uma forma mais simples a ter de reaprender conceitos fundamentais a cada novo livro que abre para ler.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

De Volta ao Mestre

Se existe alguma verdade universal sobre os escritores, é que todos eles, em algum momento, se inspiram em outros autores para criar suas obras. Desconheço algum escritor que não tenha um (ou muitos) mestres que o impulsionam a colocar suas próprias idéias no papel.

    Como já relatei antes, desde muito cedo sempre gostei de ler e especialmente de escrever, sendo que boa parte da minha juventude eu passei lendo a enciclopédia Conhecer e os livros do genial João Carlos Marinho. No entanto, foi somente em 1991 que eu acabei por encontrar o autor que me inspiraria dali em diante e cujo jeito de contar história moldaria o meu próprio estilo de escrever: Frank Herbert.

    Hoje eu lembro e imagino qual devia ser o pensamento de meus colegas de escola na época ao ver um moleque de doze anos carregando um tomo de quase 500 páginas debaixo do braço. Não me admira que achassem estranho eu ficar lendo esse livro nas aulas vagas enquanto eles ficavam fazendo aquela algazarra pela sala.

    A questão é que a primeira vez que li Duna me apaixonei pela história e pelo estilo de Herbert. A forma como ele descortina um universo repleto de intrigas políticas, de personagens fortes e marcantes em um mundo com questões mais complexas do que simplesmente a divisão entre o bem e o mal. É claro que na época eu não tinha toda essa percepção, mas a cada releitura meu entendimento da história foi se ampliando.

    Talvez tenha sido a forte influência dos livros de Duna que fizeram com que, ao me tornar um autor de fantasia, me afastasse cada vez mais da Alta Fantasia Épica, repleta de heróis invencíveis lutando contra monstros e disparando magias com um simples estalar de dedos para buscar aventuras mais "terrenas" e reais. Duna me ensinou a arte da sutileza, do personagem de caráter ambiguo, falível e sobretudo atormentado por seu próprio espirito.

    Lendo Frank Herbert me apaixonei pela possibilidade de criar meu próprio mundo (o que viria a se concretizar quatro anos depois, quando passei a integrar o grupo que desenvolvia Mirr) e de nele inserir minhas próprias intrigas politicas e conflitos sociais. Foram necessários mais de dez anos para amadurecer como escritor e pessoa e ir lentamente moldando Aldarian de forma a deixar de ser um reino cheio de heróis e bandidos (como era quando eu comecei a cria-lo) para algo mais profundo. É fato que o trabalho esta longe de terminar, mas hoje sinto que meu texto esta mais maduro do que quando comecei meu primeiro livro.

    Para variar um pouco ainda estou bloqueado para seguir com o novo livro, sendo que venho trabalhando em um novo projeto para tentar arejar minha mente. Vocês conhecerão o resultado disso no dia 07/07 quando a nova versão desse site entrar no ar. Ao mesmo tempo, estava sem nenhuma leitura e então resolvi mais uma vez reler Duna (deve ser a minha quinta releitura ao longo desses quase vinte anos) e buscar no mestre Herbert inspiração para seguir com minha propria história.

    Mais uma vez a releitura tem me surpreendido pois novamente estou redescobrindo e rememorando coisas que já havia me esquecido. Agora com um livro pronto e já publicado e portanto com uma mente de escritor e não somente de leitor, é interessante observar as soluções que FH trouxe para sua história e perceber sobre tudo que é possivel tornar uma história interessante sem que hajam necessariamente grandes revelações ao longo da trama.

    Espero sinceramente conseguir capturar a mesma magia do inicio do livro e voltar a transmiti-la nas páginas seguintes. Meus personagens esperam e até mesmo alguns leitores, mas estejam certos que o que sair será sem dúvida o meu melhor (até aquele momento).

  por Claudio Villa | 3 comentários


Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Até que ponto...

    Essa semana, o e-mail de um amigo me fez parar e questionar qual o limite que separa o sonho da realidade. Eu sempre pedi e sempre esperei que meus amigos tivessem comigo toda a sinceridade e liberdade de se expressar abertamente, e estou certo de que se a forma não foi a mais adequada, a intenção foi sem dúvida a das melhores. Esse e-mail continha palavras duras, algumas as quais concordo e tantas outras que discordo, mas seu principal ponto foi: existe um limite para o que se pode fazer para tornar seu livro conhecido?

    Que o livro tem a sua parcela de problemas, isso eu sempre soube, mas lhes pergunto qual livro não tem? Durante essa minha releitura de Duna (como relatei na semana passada), pela primeira vez passei a reparar isso e me deparei com erros de tradução, revisão e até mesmo diagramação.

    Não é segredo para ninguém que lê esse blog que a luta para divulgar o livro tem sido uma batalha arduá e solitária e onde, aos poucos, tenho conquistado pequenas vitórias. Se hoje existem matérias na Scifi News ou na Dragonslayer isso aconteceu porque eu corri atrás das pessoas e elas, de bom grado, se dispuseram a fazer a sua parte em me ajudar na divulgação. Eu acredito que todos os recursos são válidos quando se quer divulgar um livro, desde que esses se mantenham no campo da ética. Eu jamais, por exemplo, pagaria para alguém fazerm uma resenha positiva do livro ou mesmo para que alguém o divulgasse de forma não isenta.

    Eu confio no bom senso daqueles que lêem essas matérias e não gostaria que comprassem meu livro simplesmente porque ele saiu nessa ou naquela publicação. Minha intenção com essa divulgação é fazer com que as pessoas saibam que o livro existe, que possam ir até uma livraria, folhea-lo e caso lhes agrade o leve para casa.

    Sei que existe uma preocupação em divulgar o livro excessivamente e este não corresponder as expectativas geradas. Até agora obtive algumas críticas positivas do livro e algumas negativas também e isso tem servido especialmente para me dar confiança que fiz sim um bom trabalho e que esse trabalho com certeza pode melhorar no próximo livro.

    Pergunte a qualquer escritor publicado se não acha que aquele seu determinado livro não poderia ser melhor? eu acredito que a grande maioria irá dizer que um livro sempre pode ser melhor, mas que todo o processo tem de chegar a um fim. Eu aprendi essa lição com meu professor de escultura a alguns anos que dizia que você pode retocar uma escultura indefinidamente, mas deve chegar a um ponto que você tem de aprender a reconhecer suas imperfeições, aceitar que aquele trabalho esta encerrado e partir para um próximo.

    Agora venho tentando trabalhar em meu novo livro e sinto que meu texto hoje esta mais maduro e melhor. Espero que nesse novo trabalho eu possa superar em muito o primeiro, mas também desejo de coração que não seja meu melhor livro. Segundo um amigo editor me disse uma vez: "Eu não publico autores que chegam com uma obra em mãos dizendo que aquele é seu melhor livro. Por que investir em um autor se ele não vai escrever nada melhor do que aquilo?"

    Para fraseando o autor argentino Jorge Luis Borges: "Publicamos, para não passar o resto da vida publicando rascunhos"

  por Claudio Villa | 1 comentário


Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Até que ponto...

    Essa semana, o e-mail de um amigo me fez parar e questionar qual o limite que separa o sonho da realidade. Eu sempre pedi e sempre esperei que meus amigos tivessem comigo toda a sinceridade e liberdade de se expressar abertamente, e estou certo de que se a forma não foi a mais adequada, a intenção foi sem dúvida a das melhores. Esse e-mail continha palavras duras, algumas as quais concordo e tantas outras que discordo, mas seu principal ponto foi: existe um limite para o que se pode fazer para tornar seu livro conhecido?

    Que o livro tem a sua parcela de problemas, isso eu sempre soube, mas lhes pergunto qual livro não tem? Durante essa minha releitura de Duna (como relatei na semana passada), pela primeira vez passei a reparar isso e me deparei com erros de tradução, revisão e até mesmo diagramação.

    Não é segredo para ninguém que lê esse blog que a luta para divulgar o livro tem sido uma batalha arduá e solitária e onde, aos poucos, tenho conquistado pequenas vitórias. Se hoje existem matérias na Scifi News ou na Dragonslayer isso aconteceu porque eu corri atrás das pessoas e elas, de bom grado, se dispuseram a fazer a sua parte em me ajudar na divulgação. Eu acredito que todos os recursos são válidos quando se quer divulgar um livro, desde que esses se mantenham no campo da ética. Eu jamais, por exemplo, pagaria para alguém fazerm uma resenha positiva do livro ou mesmo para que alguém o divulgasse de forma não isenta.

    Eu confio no bom senso daqueles que lêem essas matérias e não gostaria que comprassem meu livro simplesmente porque ele saiu nessa ou naquela publicação. Minha intenção com essa divulgação é fazer com que as pessoas saibam que o livro existe, que possam ir até uma livraria, folhea-lo e caso lhes agrade o leve para casa.

    Sei que existe uma preocupação em divulgar o livro excessivamente e este não corresponder as expectativas geradas. Até agora obtive algumas críticas positivas do livro e algumas negativas também e isso tem servido especialmente para me dar confiança que fiz sim um bom trabalho e que esse trabalho com certeza pode melhorar no próximo livro.

    Pergunte a qualquer escritor publicado se não acha que aquele seu determinado livro não poderia ser melhor? eu acredito que a grande maioria irá dizer que um livro sempre pode ser melhor, mas que todo o processo tem de chegar a um fim. Eu aprendi essa lição com meu professor de escultura a alguns anos que dizia que você pode retocar uma escultura indefinidamente, mas deve chegar a um ponto que você tem de aprender a reconhecer suas imperfeições, aceitar que aquele trabalho esta encerrado e partir para um próximo.

    Agora venho tentando trabalhar em meu novo livro e sinto que meu texto hoje esta mais maduro e melhor. Espero que nesse novo trabalho eu possa superar em muito o primeiro, mas também desejo de coração que não seja meu melhor livro. Segundo um amigo editor me disse uma vez: "Eu não publico autores que chegam com uma obra em mãos dizendo que aquele é seu melhor livro. Por que investir em um autor se ele não vai escrever nada melhor do que aquilo?"

    Para fraseando o autor argentino Jorge Luis Borges: "Publicamos, para não passar o resto da vida publicando rascunhos"

  por Claudio Villa | nenhum comentário


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