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Segunda-feira, 03 de Novembro de 2008

Orcs, esses incompreendidos.

    A leitura crítica do livro segue, com o perdão do trocadilho, de vento em popa. Já obtive aproximadamente cinco retornos e acredito que cada um deles tem me ajudado em um aspecto. Das minuncias do Antonio ao plano geral do Eric Novello, passando por comentários do Lucas, Raul, Mushi e da Adriana.

    Um dos pontos, no entanto, que todos eles levantaram é a forma como os orcs são tratados no livro. É sobre isso que quero tratar essa semana com vocês, mas antes se faz necessário uma pequena explanação sobre o porque dos orcs e de seu perfil.

    Ok, admito, orcs não são nada originais. Já existiam na mitologia, se popularizaram com Tolkien e aparecem em diversas histórias de fantasia; de Caverna do Dragão a Warcraft. Também não é segredo nenhum que Mirr foi primordialmente um universo voltado para campanhas de RPG e que apesar de sofrer diversas modificações para servir a literatura, ainda mantém sua essência.

    Entre os comentários recebidos da leitura, algumas pessoas me questionaram: "Por que orcs?" "Por que não usar uma tribo de humanos selvagens?", "Já pensou em criar uma outra raça?".

    Todas essas seriam opções bastante plausíveis e apesar dos orcs estarem presentes na história de Mirr eu poderia ter optado por algo diferente. Ainda sim, preferi investir minhas fichas nessa raça e abaixo explico porque.

    Historicamente os orcs são vistos como monstros, seres selvagens que apesar de possuirem algum tipo de inteligência, ainda sim são violentos e anarquicos. Nos filmes do SdA eles são praticamente um amontoado de soldados que tudo o que sabem fazer é trucidar o que esta em seu caminho. Já em cenários como os do Warcraft, os orcs são vistos como um povo organizado, ate espiritualizado de certa forma, perfeitamente capaz de viver em sociedade. O que estou buscando no caso do meu livro é algo no meio.

    Quero mostrar os orcs como um povo civilizado e organizado, mas sem deixarem de ser guerreiros expansionistas. Em Mirr a maioria das outras raças enxerga os orcs com medo e desconfiança, acreditando que eles são selvagens que devem ser repelidos a qualquer custo.

    Já em Aldarian, o governo os enxerga como uma oportunidade de negócios a ponto de ter estabelecido com uma de suas etnias uma rota comercial. Esse acordo possui uma série de restrições e medidas de segurança exatamente por esse receio em relação aos orcs.

    O grande problema que meus leitores tem apontado é exatamente o fato de que enquanto Aldarian oferece uma mão para o comércio, com a outra estimula seus capitães a pilharem os navios orcs utilizando bandeiras piratas. Isso tem levantado a questão: afinal, os orcs são vitimas ou vilões nesse mundo?

    Acho que a resposta é nenhum dos dois. Sim, eles comerciam produtos raros com os humanos por não terem muitas opções, mas ainda sim são uma ameaça constante a paz em Mirr. Então o governo de Aldarian esta agindo de forma oportunista? Roubando e matando o mesmo povo com quem negocia? De certa forma podemos dizer que sim.

    Minha grande dificuldade até o momento é que aparentemente meus leitores não estão simpatizando com meus humanos, torcendo para os orcs por eles parecerem inocentes. Por outro lado, se mostrar orcs hostis, corro o risco de destruir sua aura de civilidade, caindo no velho clichê do monstro sem coração.

    Como podem ver, estou em um dilema e venho todos os dias pensando como escapar dele. Sugestões são sempre bem vindas, mas acredito que a solução não seja tão complexa quanto parece.

    Nesse meio tempo, só me resta continuar com as correções da leitura crítica e em breve retormar a escrita de cenas inéditas. Só o tempo dira.

  por Claudio Villa | 2 comentários


Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

O Preço da Liberdade

    O questionamento que lhes trago essa semana tem me tirado o sono nos últimos tempos. Essa indagação surgiu dos comentários de alguns leitores Beta em relação ao novo livro e penso que talvez um de vocês possa me ajudar a responder essa pergunta.

    Qual o preço da liberdade? O que é necessário para que uma pessoa deixe toda uma vida de luxo e segurança para trás e busque dentro de si o desejo pela aventura?

    O futuro de Colleen (a protagonista do novo livro) eu e alguns de vocês já conhecem, mas o grande desafio esta sendo realmente acertar a mão em seu passado. Em PSPF (Pelo Sangue e Pela Fé), onde ela faz uma participação mais do que especial, sabemos que ela tem uma ascendência nobre, que abomina os protocolos da nobreza e que esta brigada com seu pai. No mesmo livro conhecemos um pouco sobre o duque Guinford, um homem bom, mas de temperamento difícil que sente falta de sua filha que ele acredita ter perdido para o mar.

    Vale lembrar que o livro que venho trabalhando se passa exatos vinte anos do primeiro e por conta disso é preciso que as peças se encaixem para formar o futuro existente no primeiro livro. Admito que no começo achei que seria fácil. que tinha todas as idéias amarradas em minha mente e que bastaria colocar no papel. Não foi bem assim.

    A questão que vem sendo discutida é o que faria uma jovem nobre, criada em um ambiente seguro e acolhedor, deixar tudo para trás para seguir o sonho de ser uma navegadora. Por que alguém deixaria os confortos de um castelo para se meter em um navio apertado, mal cheiroso onde o que não faltam são doenças, castigos físicos e trabalhos pesados?

    No inicio apostei em sua rebeldia adolescente e em seu conturbado relacionamento com seu pai. Acreditava que esses sentimentos seriam suficientes, mas ao que parece eles só fazem de Colleen uma menina mimada, uma princesinha que quer viver uma aventura, mas que voltaria com seu rabinho entre as pernas diante da primeira dificuldade. Precisava de algo mais.

    Por coincidência, enquanto escrevia esse post, meu amigo Ricardo (aquele a quem recorro quando minha imaginação falha) me ligou e aproveitei para narrar-lhe minhas dúvidas e apreensões. Entre uma conversa e outra, ele me sugeriu uma saida, uma opção a mais para acrescer a história e fortalecer as motivações de Colleen de se tornar uma navegadora, o desejo de provar ao pai de que ela pode ser mais do que uma simples princesa.

    Ricardo me sugeriu que Guinford possuise um desejo secreto de ter tido um filho homem para assumir seu lugar, mas que por uma ironia do destino sua esposa só gerasse filhas. Com o nascimento de Colleen e a morte de sua mãe no parto, a esperança do duque desapareceu. Isso o tornou um homem amargurado, de poucas alegrias e que secretamente culpa sua caçula pela morte de sua esposa.

    É nesse panorama que busco inserir a Colleen, uma menina rebelde, criada por seus padrinhos, mas que deseja provar ao pai que pode ser tão valente e forte quanto qualquer filho homem o seria. Por conta disso, seu comportamento se tornou mais "masculinizado", porém quero ter o cuidado de não torna-la um ser andrógeno. Ela deve ser sim forte, mas nunca sem deixar de ser uma mulher.

    Talvez um dos maiores desafios que esteja enfrentando é exatamente o de tentar me colocar no sexo oposto, escrevendo sobre protagonistas femininos. Tem sido um desafio a cada dia e conto com minhas amigas leitoras para me ajudar a escapar dos estereotipos tão comuns na literatura.

    Somando isso a outros fatores, acredito que consiga formar um panorama mais consistente da personagem, tornando suas motivações mais reais e palpáveis. Agora é sentar, escrever e ver no que vai dar.

  por Claudio Villa | 1 comentário


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