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Segunda-feira, 02 de Abril de 2007

Pedigree para ser um Escritor

    Gostaria de começar esse post agradecendo a todas as visitas e comentários deixados no post da semana passada. Acho que nunca um post foi tão comentado e visitado como esse. Quero que saibam que se vocês postam algum comentário, ele só vai ao ar depois que eu o aprovo. Isso não serve para coibir a opinião de ninguém, mesmo porque todos os comentários são aprovados, mas sim para que eu leia todos eles. Se seu comentário não apareceu no blog, aguarde um pouco pois ele com certeza aparecerá. Apesar de não ter como respondê-los saibam que são esses comentários que me fazem ter certeza de que minhas palavras são lidas e servem como estímulo para os posts das semanas seguintes.

    Mas chega de bate papo e vamos ao que interessa. Hoje estava lembrando de uma conversa que estava tendo com um amigo acerca do lançamento do meu livro nas livrarias. Estava comentando com ele sobre como a sala de literatura estrangeira na Fnac sempre está mais cheia que a de literatura nacional e como as pessoas parecem sempre ter mais interesse nos autores de fora do que nos daqui. Ele então me fez uma sugestão no mínimo inusitada: "Assuma um pseudônimo estrangeiro e você terá seu livro colocado lá".

    Concordo que é uma forma de se enxergar as coisas, mas não acho que será enganando meus leitores que irei alcançar o que eu busco. Afinal de contas o que é necessário para ser um escritor nacional lido? É claro que se você tem dinheiro para investir você pode fazer como o Orlando Paes Filho que investiu pesadíssimo em divulgação e assim alcançou seu público. Divulgação e propaganda com certeza fazem diferença, mas há alguns dias acabei criando uma teoria sobre a sala de literatura brasileira.

    Como toda teoria que envolva livros e autores, esta é altamente especulativa e controversa, mas ainda sim vou enunciá-la e deixar que vocês julguem se faz algum sentido ou se não passa de bobagem da minha parte. Uma coisa que sinto às vezes na literatura nacional (baseado nos nomes e sinopses dos livros que eu leio) é que muitas vezes os autores brasileiros padecem do mesmo mal que muitos diretores de cinema tupiniquim, a necessidade de elevar sua obra ao status de arte.

    Parece que diferente dos autores estrangeiros, o autor brasileiro é incapaz de escrever uma obra apenas para que o leitor se divirta com a leitura. Tudo o que se escreve parece ser dotado de uma profundidade infinita, como se todo autor almejasse o status de um Machado de Assis ou de um Nelson Rodrigues. Eles confeitam livros com nomes pesados e cheios de significado, recheando-os com critica social e recobrindo com um sentimento de artista profundo e incompreendido.

    Fico pensando quantos do público médio têm paciência para toda essa complexidade (sim, existem pessoas que adoram isso). Será por isso que os filmes hollywoodianos assim como os livros menos pretensiosos vendem bem? Será essa a razão de alguns filmes nacionais assim como alguns livros ficarem restritos aos cultos e literatos?

    Concordo também que somos muito preconceituosos em relação ao que produzimos aqui, mas como combater essa visão se não se sai desse círculo vicioso? Entendam que não estou defendendo a massificação a lá novela da Globo e que sim concordo que existe muita porcaria enlatada que vem do exterior. Mas por que não escrever livros de ficção científica e aventura situados em São Paulo? Por que tudo tem de ser sobre traficantes, favela, policiais e mundo cão? Esses livros de aventura vendem na sala ao lado, o que impediria que fossem vendidos desse lado também?.

    Talvez tenha divagado um pouco no artigo dessa semana mas o que quero dizer é que acredito que para ser um escritor lido não é necessário comer atum e arrotar caviar. Sejamos despretensiosos ao escrever e pensemos que do outro lado do livro tem muita gente que vai querer comprá-lo para esquecer o nosso dia a dia e viajar por algumas horas em uma aventura diferente.

  por Claudio Villa | 4 comentários


Segunda-feira, 09 de Abril de 2007

Sobre Histórias de Fadas

    Hoje quero falar sobre algo que vem me afetando bastante nos últimos tempos, minha relação com a fantasia.

    Vocês devem se lembrar de meu post sobre o filme http://www.mundosdemirr.com/a_ponte_para_therabitia e sobre como esse filme mexeu comigo. Pois bem, eis que ontem eu acabei indo com a Aninha na Blockbuster em busca de algo para fazermos no fim de noite e lá encontramos um filme chamado Neverwas. A presença do veterano Ian Mckellen (Gandalf) chamou nossa atenção e resolvemos alugar o filme.

    Somente para esclarecer um pouco as coisas sem criar spoilers, o filme trata sobre um bem sucedido psiquiatra que larga sua carreira para trabalhar em uma instituição onde seu pai, um famoso escritor de contos de fadas, ficou internado. Lá ele conhece um dos pacientes chamado Gabriel (o próprio Ian) que aparentemente sabe coisas demais sobre o universo fantástico criado por seu pai.

    Assim como em Pontes para Terabithia, Neverwas trata sobre a estreita relação que pode haver entre o Mundo Primário e o Belo Reino (Não se preocupem, já explico o uso de ambos os termos). Como disse anteriormente, essa estreita relação vem me afetando muito ultimamente e de diversas formas. A primeira é sem dúvida minha necessidade atual de me conectar a esses universos como um "escape" do dia a dia. As preocupações com o lado profissional são crescentes (tanto a carreira como escritor quanto o trabalho na Fnac). A redução do quadro da loja aliada à minha mudança de horário tem tornado minha rotina bastante cansativa. Além disso outros assuntos me perturbam lá, assuntos os quais não quero comentar (por uma questão ética e por não ser esse o lugar para isso).

    O segundo ponto é a decisão que tomei há algumas semanas de tentar estudar e me aprofundar na profissão que escolhi. Acredito que se quero realmente me tornar um escritor de fantasia, devo começar a estudar mais sobre o assunto, me preparando para desafios futuros. Vou tentar uma vaga de mestrado na área de Letras relacionada ao estudo da fantasia e por conta disso comecei a ler livros sobre o assunto.

    O primeiro deles (que nomeia esse post) é o Sobre Histórias de Fadas do consagrado J.R.R. Tolkien. Neste livro, escrito enquanto a Terramedia ainda se desenvolvia, o autor discorre uma ensaio sobre o que são os contos de fada e a fantasia. Talvez o ponto mais interessante é a forma como Tolkien defende (muitas vezes de forma ácida) o fantástico, mostrando em sua teoria de que a fantasia está longe de ser um gênero obscuro, marginal e voltado apenas para o entretenimento de crianças. Neste livro, Tolkien fala sobre dois universos: o Mundo Primário (ou o que chamamos de "realidade") e o Belo Reino (que pode ser considerado todo e qualquer universo fantástico existente ou que venha ser criado) e a forma como eles interagem entre si. Foi interessante notar durante a leitura o quanto a fantasia em si pode ser algo "sério" e sobre como certos clichês podem sim ser usados, desde que de forma inteligente.

    Outro ponto importante que o autor menciona em seu ensaio, e que eu mesmo venho defendendo a tempos, é a realidade inerente que deve haver no Belo Reino. Penso que, se desejamos que o leitor se interesse por nosso universo ficcional, este deve ser para ele tão real quanto a própria realidade do Mundo Primário. Talvez seja essa minha crítica ao uso demasiado de magia e deuses onipresentes em universos fantásticos. Para Tolkien, um dragão deve parecer tão real e verossímil para um leitor quanto um simples cavalo (que todos conhecemos).

    Essa é a principal razão pela qual gosto tanto de investir em um cenário factível, em uma cultura possível e real em meu Belo Reino. Espero que esse trabalho possa fazer de meu reino, um lugar prazeroso para ser visitado por vocês leitores.

  por Claudio Villa | 4 comentários


Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

O Toque de Midas

    Minha pobre Aninha deve estar sofrendo horrores ultimamente com minhas variações de humor. Apesar de contente pelas coisas em relação ao livro estarem lentamente se acertando, ao mesmo tempo venho sofrendo uma insegurança danada em relação ao meu trabalho e um bloqueio realmente incômodo.

    Praticamente desde que entrei na Fnac em Outubro passado eu não tenho conseguido sentar para escrever. Já foram várias as vezes em que me sentei de frente para meu computador e ao olhar aquele texto nenhuma palavra veio à minha mente. Se a coisa já não estivesse ruim, minha mudança de horário para o período noturno (ocorrida nas últimas semanas) só tem me desanimado ainda mais para escrever. Eu sempre precisei de alguns momentos para relaxar e preparar minha mente para escrever e agora com esse horário não estou tendo mais esse tempo.

    A sensação que tenho as vezes é a de ter perdido (ao menor por enquanto) o que posso chamar do "Toque de Midas" para escrever. Apenas para prestar um rápido esclarecimento histórico, Midas foi um rei da mitologia que certa vez adquiriu a capacidade de transformar tudo o que tocava em ouro. No começo esse novo poder soou como uma benção, mas logo se voltou contra ele quando percebeu que isso também ocorria em sua comida, sua água e seus entes queridos.

    Mas saindo da mitologia e voltando à realidade, a impressão que tenho tido nessas vezes em que sentei no computador é que já não consigo mais escrever aquela história sem que ela se torne uma porcaria. Às vezes parece que aquele texto ali escrito simplesmente não é meu e que eu na verdade estou metendo minha mão na obra de alguém. Não são poucas as vezes em que me forço a tentar pensar na trama e como tirar meus personagens de onde os coloquei, mas logo me distraio e a idéia cai no esquecimento.

    Tenho consciência de que preciso reler tudo e mudar alguns conceitos bases da história que na minha opinião estão frágeis e planos. Não se pode erguer um castelo com fundações fracas e é por isso que preciso voltar a me policiar e estabelecer horários para trabalhar no livro.

    Minha Aninha insiste em que eu deixe um pouco o livro de lado e tente escrever contos ou histórias para crianças, mas eu sempre digo a ela que minha mente não funciona assim. Eu só me animo a escrever um conto quando alguma idéia específica vem à minha mente (acho que nos últimos anos escrevi uns quatro ou cinco contos) e não adianta eu me forçar a escrever algo a esmo.

    O próprio T2G que você pode encontrar no menu ao lado esta parado há meses, sendo que a intenção era um capítulo por semana. É fato que minha colega Júlia não escreveu sua parte ainda, mas lhes garanto que a tenho pressionado quase diariamente.

    Estou querendo pegar um livro novo para ler na Fnac chamado "O Motim do Bounty" que trata de um assunto próximo do que eu estava escrevendo no livro novo. Quem sabe assim não consigo alguma inspiração e livro meus personagens do marasmo que eles têm passado nos últimos meses.

  por Claudio Villa | 6 comentários


Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

O Toque de Midas

    Minha pobre Aninha deve estar sofrendo horrores ultimamente com minhas variações de humor. Apesar de contente pelas coisas em relação ao livro estarem lentamente se acertando, ao mesmo tempo venho sofrendo uma insegurança danada em relação ao meu trabalho e um bloqueio realmente incômodo.

    Praticamente desde que entrei na Fnac em Outubro passado eu não tenho conseguido sentar para escrever. Já foram várias as vezes em que me sentei de frente para meu computador e ao olhar aquele texto nenhuma palavra veio à minha mente. Se a coisa já não estivesse ruim, minha mudança de horário para o período noturno (ocorrida nas últimas semanas) só tem me desanimado ainda mais para escrever. Eu sempre precisei de alguns momentos para relaxar e preparar minha mente para escrever e agora com esse horário não estou tendo mais esse tempo.

    A sensação que tenho as vezes é a de ter perdido (ao menor por enquanto) o que posso chamar do "Toque de Midas" para escrever. Apenas para prestar um rápido esclarecimento histórico, Midas foi um rei da mitologia que certa vez adquiriu a capacidade de transformar tudo o que tocava em ouro. No começo esse novo poder soou como uma benção, mas logo se voltou contra ele quando percebeu que isso também ocorria em sua comida, sua água e seus entes queridos.

    Mas saindo da mitologia e voltando à realidade, a impressão que tenho tido nessas vezes em que sentei no computador é que já não consigo mais escrever aquela história sem que ela se torne uma porcaria. Às vezes parece que aquele texto ali escrito simplesmente não é meu e que eu na verdade estou metendo minha mão na obra de alguém. Não são poucas as vezes em que me forço a tentar pensar na trama e como tirar meus personagens de onde os coloquei, mas logo me distraio e a idéia cai no esquecimento.

    Tenho consciência de que preciso reler tudo e mudar alguns conceitos bases da história que na minha opinião estão frágeis e planos. Não se pode erguer um castelo com fundações fracas e é por isso que preciso voltar a me policiar e estabelecer horários para trabalhar no livro.

    Minha Aninha insiste em que eu deixe um pouco o livro de lado e tente escrever contos ou histórias para crianças, mas eu sempre digo a ela que minha mente não funciona assim. Eu só me animo a escrever um conto quando alguma idéia específica vem à minha mente (acho que nos últimos anos escrevi uns quatro ou cinco contos) e não adianta eu me forçar a escrever algo a esmo.

    O próprio T2G que você pode encontrar no menu ao lado esta parado há meses, sendo que a intenção era um capítulo por semana. É fato que minha colega Júlia não escreveu sua parte ainda, mas lhes garanto que a tenho pressionado quase diariamente.

    Estou querendo pegar um livro novo para ler na Fnac chamado "O Motim do Bounty" que trata de um assunto próximo do que eu estava escrevendo no livro novo. Quem sabe assim não consigo alguma inspiração e livro meus personagens do marasmo que eles têm passado nos últimos meses.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

O Motim do Bounty

    Fazendo uso mais uma vez do meu direito de tomar livros emprestados na Fnac, escolhi um titulo que certamente me chamou a atenção. A primeira menção que tive sobre esse livro foi na Folha de São Paulo, sendo que uma semana depois o livro estava em minhas mãos.

    O livro conta a história do HMS Bounty, um pequeno navio inglês que nos idos de 1780 foi enviado ao Taiti em uma missão oficial para se coletar mudas de Fruta Pão. A fruta pão é uma planta cujo fruto (como próprio nome já diz) possui gosto e textura semelhante ao pão e era visto pelo almirantado inglês como uma solução barata para alimentar os escravos das colônias do caribe.

    O navio foi entregue a um certo William Blight, um experiente navegador que outrora havia navegado sob o comando do Capitão Cook (o primeiro homem a circunavegar a Austrália). Assim como seu mestre, Blight era um homem metódico que acreditava firmemente na necessidade de se manter uma tripulação saudável, limpa e bem disposta.

    Após uma tentativa desastrada de tentar contornar o cabo Horn em direção ao Pacifico, Blight se viu cada vez mais comandando uma tripulação insatisfeita, sendo que suas punições gradativamente aumentaram. Após meses de viagem, seus homens chegaram ao Tati onde passaram alguns meses colhendo a tal fruta e se preparando para voltar.

    Quando tudo estava pronto, os homens de Blight apegados a vida exuberante e paradisiaca vivida no Taiti seus se amotinaram, tomaram o navio e largaram o tenente Blight em um pequeno bote (junto de alguns homens fiéis) no meio do pacifico para morrer. Blight milagrosamente, conseguiu voltar a Inglaterra dando inicio a uma busca aos amotinados.

    Para aqueles enfurecidos com os spoilers que descrevi, lhes digo que tudo isso é descoberto apenas lendo-se a contra-capa do livro e o que realmente fascina na história é a forma como os acontecimentos vão tomando forma.

    Com um texto agradável de ler, semelhante ao que encontrei nos livros Piratas, Uma História Geral de Crimes e Roubos de Piratas Famosos e A Viagem do Pirata Richard Hawkin (ambos do autor E. San Martin), além de mapas e desenhos que ilustram os protagonistas da história, a autora Caroline Alexander nos mostra como era o dia a dia a bordo desses navios a partir dos diarios de bordo e das cartas enviadas pelos tripulantes.

    Apesar de ser muito detalhista algumas vezes (o que cansa um pouco), seu texto esta longe de ser a linguagem chata e altamente técnica de Patrick O´Brian (Mestre dos Mares). Ainda não acabei de ler o livro (afinal são mais de 500 páginas), mas estou adorando e sentindo aquela vontade de voltar a escrever.

    Porém minha relação com o Bounty vai além desse simples livro e mesmo temendo me alongar no post, quero contar duas histórias rapidamente. Nos idos de 1995 eu tive a oportunidade de viajar para Portugal com minha familia. Já sendo um amante dos navios de madeira por conta do hobby de meu pai, fiquei contagiado com aquela idéia de estar numa nação de navegadores e ainda mais animado em conhecer a famosa Escola de Sagres.

    Sobre a escola eu lhes conto outro dia, mas eis que num dos passeios por Lisboa entramos em uma loja que vendia quadros e posters. Eu estava ansioso por comprar um poster que tivesse o desenho de um belo navio a vela (meu pai tinha usado um desenho semelhante alguns anos antes para fazer um modelo em escala). Fuçando em meio aos vários desenhos de mapas e outras coisas, achei um que possuia um navio de perfil além de detalhes sobre as velas e outros pontos de interesse. Adorei aquele poster e o comprei na hora. O navio ilustrado no quadro era o Bounty.

    O mesmo poster encontra-se até hoje enquadrado e pendurado no meu quarto e é bem curioso ler esse livro olhando para ele. Um detalhe sobre esse desenho é que ele possui escrito em quatro linguas (Espanhol, Inglês, Francês e Português) um breve resumo sobre a história do Bounty, sendo que só fui me dar conta disso e ler o que dizia aquele poster muitos anos depois dele estar na minha parede.

    Se coincidência pouca é bobagem, no ano seguinte tive a oportunidade de ir fazer intercâmbio nos EUA e fiquei um mês alojado em uma pequena universidade localizada em St Petersburg (Flórida). Numa das noites de folga, nosso instrutor nos levou para passear em um pier local (um lugar com um misto de lojas, restaurantes e ponto de encontro) e eis que para minha surpresa e alegria havia ancorado ali um lindo navio a vela. Imediatamente saquei minha câmera e comecei a bater fotos dele. Me aproximando mais da belonave (que aquela hora estava fechada a visitação) pude ver uma placa que dizia ser aquela uma réplica do HMS Bounty. A tal réplica fora construida e usada em um filme sobre ele em 1986. Pesquisando na internet esses dias descobri que essa mesma réplica foi usada em um dos filmes do Piratas do Caribe, apesar da fonte não mencionar em qual deles.

    Sou um pouco supersticioso com essas coisas e tenho fé que esse livro não caiu em minhas mãos por acaso. Quem sabe após tantos encontros e desencontros com esse navio, não seja a sua história que irá me trazer novos ventos, renovando minha inspiração na história de minha pirata Colleen.

  por Claudio Villa | 4 comentários


Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

O Motim do Bounty

    Fazendo uso mais uma vez do meu direito de tomar livros emprestados na Fnac, escolhi um titulo que certamente me chamou a atenção. A primeira menção que tive sobre esse livro foi na Folha de São Paulo, sendo que uma semana depois o livro estava em minhas mãos.

    O livro conta a história do HMS Bounty, um pequeno navio inglês que nos idos de 1780 foi enviado ao Taiti em uma missão oficial para se coletar mudas de Fruta Pão. A fruta pão é uma planta cujo fruto (como próprio nome já diz) possui gosto e textura semelhante ao pão e era visto pelo almirantado inglês como uma solução barata para alimentar os escravos das colônias do caribe.

    O navio foi entregue a um certo William Blight, um experiente navegador que outrora havia navegado sob o comando do Capitão Cook (o primeiro homem a circunavegar a Austrália). Assim como seu mestre, Blight era um homem metódico que acreditava firmemente na necessidade de se manter uma tripulação saudável, limpa e bem disposta.

    Após uma tentativa desastrada de tentar contornar o cabo Horn em direção ao Pacifico, Blight se viu cada vez mais comandando uma tripulação insatisfeita, sendo que suas punições gradativamente aumentaram. Após meses de viagem, seus homens chegaram ao Tati onde passaram alguns meses colhendo a tal fruta e se preparando para voltar.

    Quando tudo estava pronto, os homens de Blight apegados a vida exuberante e paradisiaca vivida no Taiti seus se amotinaram, tomaram o navio e largaram o tenente Blight em um pequeno bote (junto de alguns homens fiéis) no meio do pacifico para morrer. Blight milagrosamente, conseguiu voltar a Inglaterra dando inicio a uma busca aos amotinados.

    Para aqueles enfurecidos com os spoilers que descrevi, lhes digo que tudo isso é descoberto apenas lendo-se a contra-capa do livro e o que realmente fascina na história é a forma como os acontecimentos vão tomando forma.

    Com um texto agradável de ler, semelhante ao que encontrei nos livros Piratas, Uma História Geral de Crimes e Roubos de Piratas Famosos e A Viagem do Pirata Richard Hawkin (ambos do autor E. San Martin), além de mapas e desenhos que ilustram os protagonistas da história, a autora Caroline Alexander nos mostra como era o dia a dia a bordo desses navios a partir dos diarios de bordo e das cartas enviadas pelos tripulantes.

    Apesar de ser muito detalhista algumas vezes (o que cansa um pouco), seu texto esta longe de ser a linguagem chata e altamente técnica de Patrick O´Brian (Mestre dos Mares). Ainda não acabei de ler o livro (afinal são mais de 500 páginas), mas estou adorando e sentindo aquela vontade de voltar a escrever.

    Porém minha relação com o Bounty vai além desse simples livro e mesmo temendo me alongar no post, quero contar duas histórias rapidamente. Nos idos de 1995 eu tive a oportunidade de viajar para Portugal com minha familia. Já sendo um amante dos navios de madeira por conta do hobby de meu pai, fiquei contagiado com aquela idéia de estar numa nação de navegadores e ainda mais animado em conhecer a famosa Escola de Sagres.

    Sobre a escola eu lhes conto outro dia, mas eis que num dos passeios por Lisboa entramos em uma loja que vendia quadros e posters. Eu estava ansioso por comprar um poster que tivesse o desenho de um belo navio a vela (meu pai tinha usado um desenho semelhante alguns anos antes para fazer um modelo em escala). Fuçando em meio aos vários desenhos de mapas e outras coisas, achei um que possuia um navio de perfil além de detalhes sobre as velas e outros pontos de interesse. Adorei aquele poster e o comprei na hora. O navio ilustrado no quadro era o Bounty.

    O mesmo poster encontra-se até hoje enquadrado e pendurado no meu quarto e é bem curioso ler esse livro olhando para ele. Um detalhe sobre esse desenho é que ele possui escrito em quatro linguas (Espanhol, Inglês, Francês e Português) um breve resumo sobre a história do Bounty, sendo que só fui me dar conta disso e ler o que dizia aquele poster muitos anos depois dele estar na minha parede.

    Se coincidência pouca é bobagem, no ano seguinte tive a oportunidade de ir fazer intercâmbio nos EUA e fiquei um mês alojado em uma pequena universidade localizada em St Petersburg (Flórida). Numa das noites de folga, nosso instrutor nos levou para passear em um pier local (um lugar com um misto de lojas, restaurantes e ponto de encontro) e eis que para minha surpresa e alegria havia ancorado ali um lindo navio a vela. Imediatamente saquei minha câmera e comecei a bater fotos dele. Me aproximando mais da belonave (que aquela hora estava fechada a visitação) pude ver uma placa que dizia ser aquela uma réplica do HMS Bounty. A tal réplica fora construida e usada em um filme sobre ele em 1986. Pesquisando na internet esses dias descobri que essa mesma réplica foi usada em um dos filmes do Piratas do Caribe, apesar da fonte não mencionar em qual deles.

    Sou um pouco supersticioso com essas coisas e tenho fé que esse livro não caiu em minhas mãos por acaso. Quem sabe após tantos encontros e desencontros com esse navio, não seja a sua história que irá me trazer novos ventos, renovando minha inspiração na história de minha pirata Colleen.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Arrogância Literária II

    Vocês devem se lembrar aqui, quando há algum tempo eu falei sobre um encontro que tive com um autor na Fnac. O individuo estava ali para checar como andava a exposição de seus livros e me ignorou sumariamente quando cometei com ele que estava escrevendo um livro. O post na integra pode ser lido Clicando Aqui

    Este autor já havia publicado alguns livros (e estado no programa do Jô algumas vezes) e portanto apesar de discordar, seria de se entender que ele se achasse realmente a última bolacha do pacote. Mas o que dizer quando o autor arrogante encontra-se no mesmo nivel que eu e tantos outros aspirantes? Seria possivel que um autor em seu primeiro trabalho já se achasse bom o bastante para menosprezar seus pares?

    Antes de contar essa história é importante deixar alguns detalhes bem claros para que não haja nenhum mal entendido. O primeiro ponto é que eu NÃO li uma linha sequer do trabalho desse autor e não estou aqui julgando a qualidade de seu texto. Meu ponto nesse tópico é discutir as atitudes dele enquanto escritor. O segundo ponto é que semre fui totalmente democrático nos espaços virtuais que modero e que qualquer comentário coerente feito a esse tópico será publicado (sendo favorável ou não a minha opinião).

    Tudo começou com uma propaganda feita na comunidade RPG Brasil onde o autor divulgava seu novo livro a ser lançado. Até ai, sem problemas, ele não foi o primeiro e nem o último a fazer isso, mas o que realmente me chamou a atenção foi uma sentença dessa propaganda. Logo no final o autor dizia: "Tenho certeza que será um marco da fantasia no Brasil"

    Ao ler isso, acabei por fazer um comentário no tópico dizendo que o autor talvez devesse ter um pouco mais de humildade em sua propaganda, pois eu sinceramente desconheço qualquer autor que diga isso de seus próprios livros. Seguiram-se a isso diversos posts, onde o autor se mostrou cada vez mais indisposto a aceitar as opiniões alheias.

    Finalmente resolvi levar o assunto a comunidade Escritores de Fantasia para saber a opinião de meus colegas escritores sobre esse tipo de abordagem. Após alguns posts discutindo, eis que o citado autor chegou até o tópico disparando acusações e criando inimizades com todos a sua volta. Em toda sua ironia concedeu-me apelidos sem nunca achar que estivesse exagerando. Discussões terminadas, ele encerrou sua participação na discussão e se retirou.

    Fica aqui meu questionamento, o que o futuro reserva para um autor que se acha superior a todos a sua volta? Que diz que seu trabalho é bom independente das criticas? Que se baseia em uma leitura critica paga para justificar que: "Se você não gosta do que escrevo, é porque você não o entendeu".

    É curioso lembrar de como um autor como João Carlos Marinho, consagradissimo autor de livros juvenis se mostrou tão acessivel e simpático enquanto existem aqueles que saem por ai comendo atum e arrotando caviar. Desejo sucesso a esse autor e que ele prove para mim que estou errado. Independente disso, continuarei com meus livros e meu blog, divulgando meu trabalho de forma honesta e esperando que este agrade a sua parcela de leitores.

    Se o que escrevo um dia será "um marco na literatura de fantasia no Brasil" não cabe a mim determinar. O tempo e os leitores dirão se existe algum valor literário em minha obra. E se isso não vier a acontecer, bastará para mim saber que o meu trabalho serviu para instigar e mexer ao menos uma vez com a imaginação de algum leitor.

  por Claudio Villa | 5 comentários


Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Arrogância Literária II

    Vocês devem se lembrar aqui, quando há algum tempo eu falei sobre um encontro que tive com um autor na Fnac. O individuo estava ali para checar como andava a exposição de seus livros e me ignorou sumariamente quando cometei com ele que estava escrevendo um livro. O post na integra pode ser lido Clicando Aqui

    Este autor já havia publicado alguns livros (e estado no programa do Jô algumas vezes) e portanto apesar de discordar, seria de se entender que ele se achasse realmente a última bolacha do pacote. Mas o que dizer quando o autor arrogante encontra-se no mesmo nivel que eu e tantos outros aspirantes? Seria possivel que um autor em seu primeiro trabalho já se achasse bom o bastante para menosprezar seus pares?

    Antes de contar essa história é importante deixar alguns detalhes bem claros para que não haja nenhum mal entendido. O primeiro ponto é que eu NÃO li uma linha sequer do trabalho desse autor e não estou aqui julgando a qualidade de seu texto. Meu ponto nesse tópico é discutir as atitudes dele enquanto escritor. O segundo ponto é que semre fui totalmente democrático nos espaços virtuais que modero e que qualquer comentário coerente feito a esse tópico será publicado (sendo favorável ou não a minha opinião).

    Tudo começou com uma propaganda feita na comunidade RPG Brasil onde o autor divulgava seu novo livro a ser lançado. Até ai, sem problemas, ele não foi o primeiro e nem o último a fazer isso, mas o que realmente me chamou a atenção foi uma sentença dessa propaganda. Logo no final o autor dizia: "Tenho certeza que será um marco da fantasia no Brasil"

    Ao ler isso, acabei por fazer um comentário no tópico dizendo que o autor talvez devesse ter um pouco mais de humildade em sua propaganda, pois eu sinceramente desconheço qualquer autor que diga isso de seus próprios livros. Seguiram-se a isso diversos posts, onde o autor se mostrou cada vez mais indisposto a aceitar as opiniões alheias.

    Finalmente resolvi levar o assunto a comunidade Escritores de Fantasia para saber a opinião de meus colegas escritores sobre esse tipo de abordagem. Após alguns posts discutindo, eis que o citado autor chegou até o tópico disparando acusações e criando inimizades com todos a sua volta. Em toda sua ironia concedeu-me apelidos sem nunca achar que estivesse exagerando. Discussões terminadas, ele encerrou sua participação na discussão e se retirou.

    Fica aqui meu questionamento, o que o futuro reserva para um autor que se acha superior a todos a sua volta? Que diz que seu trabalho é bom independente das criticas? Que se baseia em uma leitura critica paga para justificar que: "Se você não gosta do que escrevo, é porque você não o entendeu".

    É curioso lembrar de como um autor como João Carlos Marinho, consagradissimo autor de livros juvenis se mostrou tão acessivel e simpático enquanto existem aqueles que saem por ai comendo atum e arrotando caviar. Desejo sucesso a esse autor e que ele prove para mim que estou errado. Independente disso, continuarei com meus livros e meu blog, divulgando meu trabalho de forma honesta e esperando que este agrade a sua parcela de leitores.

    Se o que escrevo um dia será "um marco na literatura de fantasia no Brasil" não cabe a mim determinar. O tempo e os leitores dirão se existe algum valor literário em minha obra. E se isso não vier a acontecer, bastará para mim saber que o meu trabalho serviu para instigar e mexer ao menos uma vez com a imaginação de algum leitor.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


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