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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Um Ensaio sobre Liderança

    Quero começar o post dessa semana me desculpando com vocês leitores que na semana passada não encontraram uma atualização aqui. Esta é a terceira vez que não atualizo esse blog desde que ele foi criado e acreditem isso me incomoda profundamente. Com toda a correria para aprontar o livro a tempo e a total falta de inspiração, achei melhor não escrever nada a postar algo sem nenhuma relevância.

    Esta semana no entanto, alguns acontecimentos na Fnac me fizeram ponderar sobre um assunto que não me lembro de ter abordado com ênfase anteriormente e esse assunto é a postura de um líder. Alguns podem se perguntar o porquê isso seria importante quando falamos de um universo de fantasia, mas é importante lembrar que os líderes compoem os personagens mais fascinantes e ao mesmo tempo complexos de serem criados.

    Vivemos em uma sociedade onde qualquer um acredita poder se tornar um líder. Basta uma rápida busca pela seção de administração de qualquer livraria para constatar a quantidade de livros sobre o assunto. Com seus nomes curiosos e analogias improváveis, esses livros prometem ensiná-lo a arte da liderança, como chegar ao topo e conquistar o respeito pessoal.

    Lembro-me de um livro escrito por um famoso empresário americano chamado Lee Iacoca cujo título era: "Onde Estão os Líderes?". Lembro-me de no mesmo instante ter formado em minha mente a resposta a essa indagação:"Provavelmente muito ocupados escrevendo livros sobre liderança".

    A verdade é que nem todos possuem o que é necessário para ser um líder (ao menos um realmente bom). Mais do que saber coordenar uma equipe ou delegar tarefas, o verdadeiro líder precisa conquistar seus liderados de forma que esses o sigam quase incondicionalmente. Saber gerenciar pessoas pode indicar um bom gerente, mas não necessariamente um bom líder.

    Eu acredito (e não sou nenhum especialista no assunto, apenas um escritor) que existam essencialmente dois tipos verdadeiros de líderes, sendo que na minha opinião apenas um deles exerce sua função em toda a sua plenitude. O primeiro tipo pode ser nomeado como "líder tirânico" pois exerce seu poder pela força e por sua posição. Podendo ser considerado simpático e amigável socialmente, esse tipo de líder muitas vezes se transforma diante de seus liderados, ofendendo, humilhando e diminuindo-os para que façam aquilo que desejam. Sua presença causa medo e apreensão e faz do ditado "quem pode manda, quem tem juízo obedece" uma triste realidade. Seus liderados o abandonam à primeira oportunidade e mesmo assim esse líder não vê em si o foco do problema. São seus liderados que são fracos e que não aguentaram sua liderança.

    O segundo líder e talvez o mais forte deles é o que podemos chamar de líder carismático, um ser raríssimo de se encontrar nos dias de hoje. O líder carismático é aquele cujos liderados obedecem não por medo ou receio, mas por se identificarem com ele. Este líder esta sempre ao lado dos seus, executando tarefas que muitas vezes ele não precisaria dada a sua posição hierárquica. Ele é o líder que sabe interferir nos momentos de crise, mediar conflitos sem extremismo e observar um problema de forma analítica, avaliando todos os possíveis resultados antes de tomar uma decisão. É principalmente o líder que tem noção de sua condição humana, de estar ciente de que não é melhor de que seus liderados e que, entende que como qualquer um, é passível de erros. Ao contrário de seu oposto, o líder carismático não perde seus homens, sendo que no seu caso o ditado que melhor se encaixaria seria o de "segui-lo até o inferno e além".

    Em minha vida tive a oportunidade e a felicidade de conviver e servir a esses dois tipos de líderes, sendo que muito aprendi sobre liderança no último ano. Tal aprendizado só serviu para enriquecer minha noção sobre o assunto o que acredito será valioso para criar personagens com esse perfil no futuro.

    Posso lhes adiantar que já tenho em minha mente o esboço de um personagem a ser usado em um livro futuro inspirado exatamente nas experiências que tive nos últimos tempos. Ele será um líder forte e carismático cuja presença e força de espírito serão decisivos na história. Não posso revelar ainda qual será esse personagem, quando e onde ele surgirá, mas lhes digo que seu nome será a pista para revelar a força inspiradora por trás dele.

  por Claudio Villa | 2 comentários


Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Uma Platéia Para Me Ouvir

    Neste sábado passado tive a oportunidade de experimentar algo muito gratificante, a de passar para outras pessoas um pouco da experiência acumulada nesses últimos dois anos (muita da qual postada aqui).

    Foi minha segunda palestra como escritor e ela aconteceu durante a Hobbitcon, um evento bem bacana organizado pelos inúmeros fãs clubes do universo de Tolkien. O convite foi feito pela Rosana Rios, Estel e outros organizadores do evento, que tiveram a oportunidade de me ouvir falar durante uma palestra no Encontro Internacional de R.P.G realizado em Julho passado.

    Tenho primeiro que agradecer a todas essas pessoas que me deram essa oportunidade de expor um pouco meu trabalho, uma vez que é dificil conseguir algum espaço no meio literário, ainda mais quando se é um autor iniciante com um livro ainda em vias de publicação.

    Não vou negar que a expectativa era um pouco assustadora uma vez que o conteúdo da palestra deveria conter referências ao universo do Senhor dos Anéis, um trabalho que sinceramente não domino. Há alguns meses eu havia lido o livro "Sobre Histórias de Fadas", do próprio J.R.R Tolkien, e me lembrando do que se tratava achei que me forneceria um bom material para a palestra. A resenha dele pode ser lida clicando aqui

    Comprei o livro na Fnac (antes eu havia apenas o emprestado) e o devorei em poucas horas, anotando em um papel os pontos que achava interessante expor durante minha leitura. Com todo o material pronto, fui dormir para a palestra no dia seguinte.

    Já no Sábado cheguei ao evento por volta das 10:00 e apesar do local ser pequeno estava cheio de gente. Fui recepcionado pelo pessoal da organização que me levaram até a sala de palestras, completa com um flipchart como eu havia pedido. Andei um pouco pela Hobbitcon até o momento da palestra as 11:00 quando fui até a sala preparar tudo. Tenho de admitir que senti um frio na espinha a medida que via as pessoas chegando. Seriam apenas duas palestras durante todo o evento e a minha seria a primeira. Logo as cadeiras estavam cheias e algumas pessoas começaram a se amontoar em pé ou sentadas no chão. É fato que o espaço não era grande, mas deveria haver ali pelo menos umas quarenta pessoas e eu nunca havia falado para tanta gente antes.

    Com tudo pronto comecei a falar. Eu teria de manter a atenção daquelas pessoas por pouco mais de uma hora e, mesmo me sentindo seguro do conteúdo, fiquei um pouco reticente se conseguiria entreter um público tão exigente por tanto tempo. A palestra correu tranquila, sendo interrompida por perguntas e comentários durante a explanação. Acho que não existe melhor forma de mensurar que o que você esta dizendo esta chamando a atenção do que pessoas fazendo perguntas. Ao final tive aquela sensação de alívio, a de ter passado alguma coisa para as pessoas e de que pelo menos algumas delas parecem ter absorvido um pouco do que quis passar.

    Mas afinal, qual foi meu objetivo com esse artigo? fazer uma simples propaganda das minhas habilidades como orador? Como em todos os artigos que publico aqui, minha intenção é sempre passar as sensações que sinto a medida que, degrau a degrau, vou tentando galgar a escada rumo a uma carreira de escritor. Como já disse diversas vezes, o escritor é um artista solitário, um dos poucos que não tem a oportunidade de ver o resultado de seu trabalho no rosto de seus leitores. Acredito que se lembram sobre os fatos que me fizeram decidir que seguiria essa carreira, a oportunidade de mexer com a emoção e o imaginário das pessoas.

    É claro que uma palestra é diferente de um texto literário ou uma contação de histórias, mas ter a oportunidade de ter tantas pessoas ali, interessadas mesmo que por um breve momento no que você quer passar é recompensador. Tenho recebido um e-mail de um garoto que está começando a escrever e que está buscando conselhos comigo. Sinceramente não me sinto preparado a instruir ninguém, mas espero que essas minhas experiências um dia possam servir a alguém que assim como eu busca viver de histórias e da imaginação alheia.

    A palestra foi filmada e pretendo colocá-la no blog em breve (assim que conseguir convertê-la para um arquivo digital). Nesse meio tempo tudo o que posso lhes deixar é que foi mais uma experiência marcante e que espero, em breve, poder repeti-la com públicos cada vez maiores e mais diversos.

  por Claudio Villa | 2 comentários


Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Um Ensaio sobre a Realidade

    Um bom amigo outro dia me disse que meus artigos aqui no blog se assemelham a crônicas ou ensaios e que eu levo jeito para a coisa. Sinceramente eu nunca havia parado para pensar em meus textos como crônicas, ensaios ou o que quer que fosse. Eu os chamo meramente de artigos por uma questão de nomenclatura, mas tenho de admitir que escrever "ensaios" se tornou algo interessante.

    Discutimos brevemente sobre o que seria exatamente um ensaio e uma crônica e chegamos à conclusão que enquanto o ensaio possui um caráter mais "científico", a crônica pode estar mais relacionada a eventos do cotidiano. De qualquer forma ele me disse que acabo misturando os dois e nesse momento decidi parar de pensar nisso e seguir escrevendo.

    E por falar nisso, deixemos de lado as nomenclaturas e sigamos com esse ensaio/artigo/crônica. Quero falar com vocês hoje um pouco a respeito da noção de realidade e fantasia que todos possuímos. Quem nunca sonhou viver em um outro mundo? Um mundo descrito em algum livro que tenha gostado e que imaginou seria infinitamente melhor do que esse aqui? Acho que qualquer ser humano vivente nesse início de século XXI tem razões de sobra para querer viver em outro lugar. Vivemos cercados de guerras egoístas em busca de recursos minerais ou por discordarmos que o Deus X é melhor do que o Deus Y. Pessoas passam fome por aí e nossos políticos deitam e rolam com nosso suado dinheiro do imposto.

    Todo ser humano é, por definição, nostálgico em relação a alguma época, imaginando que o mundo naquele momento não era tão cruel quanto é hoje. Nós sempre buscamos escapes de nossos problemas cotidianos que parecem insolúveis a curto, médio e até longo prazo. Alguém aqui acredita que verá, ainda nessa vida, paz verdadeira no Oriente Médio?

    Acho que essa é uma das razões pela qual a literatura sobreviveu através dos séculos. Além de se ocupar de retratar uma determinada época, a literatura (em especial a com elementos fantásticos) nos dá um mundo onde possamos escapar por alguns minutos e vivenciar tempos aparentemente mais amenos.

    Mas você já parou para pensar como seria viver dentro de seu livro favorito? Como seria se realmente pudesse sair do estressante século XXI e num pulo cair na Terramédia, Arrakis, Nárnia, Mirr e afins? Se você já passou por isso (e acreditem, eu passei) talvez devessem parar por um instante e refletir.

    A grande questão é que muitas vezes olhamos esse mundo por dois aspectos que só percebemos sendo a terceira parte na história, a parte neutra que acompanha os fatos e seu desenrolar. Na maioria das vezes ao lermos uma história nós enxergamos o mundo pela visão do herói e pela quase certeza (afinal existem autores que desafiam até mesmo essa linha) que no final as coisas vão acabar se acertando. Esqueça um pouco Aragorn ou Paul Atreides e se concentre no camponês ordinário. Será que gostariamos realmente de estar vivendo em uma vila da Terramédia sabendo que um exército gigantesco de monstros grotescos e sedentos de sangue estão vindo queimar sua casa e matar sua familia? É claro que como leitor você sabe que a probabilidade do herói aparecer é grande, mas e se estivesse imerso naquela realidade?

    Eu sempre fui apaixonado pelos navios de madeira antigos e pelo modo aventureiro de vida de um pirata, mas foi só depois que passei a estudá-los do ponto de vista histórico passei a perceber que a vida no mar não tinha nada de glamourosa. Também já pensei em viver em Arrakis (Duna), mas acho que odiaria o modo de vida no deserto.

    Mas o que diabos tudo isso tem a ver com a experiência de ser escritor? Bom, pensando em todos esses aspectos acabei chegando em uma conclusão polêmica. Acredito que todo bom escritor, aquele que realmente nos faz mergulhar de cabeça em sua história é aquele capaz de criar um mundo tão factível, tão real que jamais desejariamos, de forma racional, viver nele para sempre. Se nos identificamos com um mundo literário é porque espelhamos nele algum aspecto de nossa própria realidade. Um bom universo fantástico deve possuir problemas e questões que estão muito além do poder do herói de resolvê-los.

    Em seu ensaio "Sobre Histórias de Fadas", o autor J.R.R Tolkien fala algo interessante sobre a relação das crianças com a fantasia. Quando elas perguntam se aquele dragão cuspidor de fogo, que ela acabou de ler, é real, elas não estão interessadas em saber como seria o convívio com uma criatura desse porte. Mas sim, terem certeza que quando a história acabar estarão seguras em suas camas. Aparentemente nesse aspecto (sobrevivência), as crianças são mais espertas do que nós.

    Para aqueles que se perguntam se consegui alcançar esse grau de refinamento em meu livro, devo dizer que da minha parte diria não. A razão disso é simples, como criador do mundo eu tenho em minha mente (mesmo que inconscientemente) a idéia de que sempre posso mudar aquilo que me ameaça. Eu adoraria viver em Aldarian da forma como a concebi, mas acho que para vocês leitores uma vida inteira nesse mundo talvez não fosse tão fascinante como seria para mim.

    De qualquer forma, uma vez com o livro em mãos, vocês terão a oportunidade de revisitar esse mundo e rever alguns amigos sempre que quiserem, da mesma forma que eu mesmo faço com meus autores favoritos.

  por Claudio Villa | 1 comentário


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