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Segunda-feira, 08 de Janeiro de 2007

Tentar um Recomeço

    Meu desejo era começar essa nova etapa do blog com algo realmente mais animador ou instrutivo, mas parece que o destino insiste em nos pregar peças e em ser irônico. A maior ironia sem dúvida é tentar recomeçar quase do zero o que me custou um ano de espera e preocupações.

    Como sabem, há alguns dias tentei o que seria o "último" recurso para publicar meu livro, uma pré venda que imaginei me ajudaria a arrecadar fundos de uma forma mais "real" do que a campanha que venho empreendendo até agora. O retorno foi pequeno, muito menor do que esperava e agora mais calmo entendo o porquê.

    Um dos chacoalhões que tomei com isso partiu de um colega escritor da Tecelagem dos Sonhos que expressou bem o teor que meu e-mail lhe pareceu: "Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui pedindo para vocês comprarem meu livro, só R$40,00". Nunca foi minha intenção dar esse tom a essa "pré venda", mas agora vejo que foi exatamente o que aconteceu. Minha noiva igualmente chamou minha atenção para algo que não estava percebendo; o quanto meus últimos e-mails estão excessivamente dramáticos, passionais e lamuriosos.

    A coisa toda começou grandiosa, com uma editora "aprovando" meu original para publicação, sendo que agora vejo que a coisa não foi bem por aí. Preciso é verdade me reerguer, recuperar um pouco do meu orgulho e perceber que a pressa pode sim ser inimiga da perfeição. Peço que entendam que quando recebi a notícia sobre a publicação da Novo Século, minha vida estava num momento de euforia onde tudo parecia possível e realizável. Deixei meu emocional me envolver demais e o racional acabou ficando um pouco de lado.

    Porém, um novo caminho (mais simples) está se abrindo para mim e meu desânimo dos últimos dias melhorou muito com isso. Semana passada, enquanto pesquisava pela internet, acabei por achar um site de agenciamento de autores (http://www.oagenteliterario.com.br) que me pareceu uma proposta séria e que poderia acolher um autor como eu. No dia seguinte entrei em contato com a Alessandra (agente literário) e tivemos um papo muito bacana, onde agradeço pela presteza e a sinceridade com que ela me tratou. A verdade é que não existe, pelo menos ainda, um mercado bom para romances de fantasia medieval e que quase nenhuma editora está sequer aceitando esse tipo de material. Ela foi clara em dizer que tem outros autores com essa linha nas mãos e que está tendo dificuldades enormes em conseguir qualquer coisa. A opção que ela me deu é: "publique seu livro por conta, faça uma edição pequena e trabalhe forte na divulgação". Falei para ela sobre esse blog e sobre outras idéias e ela me disse que esse já é um excelente começo e me desejou muita sorte em meu trabalho.

    Antes é claro, ela me passou o contato de uma amiga de nome Ana Paula que possui uma editora pequena chamada Espaço Editorial (www.espacoeditorial.com.br) e que poderia me ajudar. Entrei em contato com essa moça que foi igualmente atenciosa e realista. Ela me disse que o valor pedido pela Novo Século é realmente muito alto e que não valeria a pena investir tanto dinheiro em troca do que eles estavam me oferecendo. Sua editora, apesar de pequena tem condições de distribuir meu livros em alguns lugares interessantes e talvez até mesmo na própria Fnac. Além disso o livro poderia ser vendido no Submarino, sendo que posso usar esse blog como divulgação. Conversamos por aproximadamente meia hora trocando informações e combinamos dela fazer um orçamento para a publicação de uma tiragem modesta de 500 exemplares. Devo estar recebendo os valores amanhã.

    Pode não ser um começo grandioso, mas é sem dúvida um bom recomeço. A Novo Século esta fora de meus planos e como disse uma colega escritora "Se uma editora quer meus textos, que me pague para escrevê-los". Não penso em ganhar dinheiro agora, mas espero assim recuperar um pouquinho do meu orgulho. Se tudo der certo, o livro seria publicado em um prazo de quatro meses, sendo que poderei honrar com vocês a entrega dos livros da pré venda.

    Para relaxar um pouco esse post, aviso também que vou tentar buscar novos ares para me inspirar e voltar a escrever (coisa que não faço há meses). Devo começar um curso intensivo de desenho artístico para poder relaxar a mente e tentar expandi-la um pouco. Não pretendo mudar de carreira e muito menos me tornar um exímio desenhista, mas sempre quis aprender a desenhar e acho que independente dos resultados (bons ou ruins) esse curso vai me ajudar a deixar as preocupações um pouco de lado e quem sabe superar o maldito bloqueio para escrever.

    Aguardem os posts das semanas seguintes, pois tenho uma crítica de filme e de um livro sensacional que estou lendo como próximos assuntos. Que esse novo blog possa realmente simbolizar um recomeço e uma renovação na minha busca por realizar meu maior sonho.

  por Claudio Villa | 8 comentários


Segunda-feira, 08 de Janeiro de 2007

Tentar um Recomeço

    Meu desejo era começar essa nova etapa do blog com algo realmente mais animador ou instrutivo, mas parece que o destino insiste em nos pregar peças e em ser irônico. A maior ironia sem dúvida é tentar recomeçar quase do zero o que me custou um ano de espera e preocupações.

    Como sabem, há alguns dias tentei o que seria o "último" recurso para publicar meu livro, uma pré venda que imaginei me ajudaria a arrecadar fundos de uma forma mais "real" do que a campanha que venho empreendendo até agora. O retorno foi pequeno, muito menor do que esperava e agora mais calmo entendo o porquê.

    Um dos chacoalhões que tomei com isso partiu de um colega escritor da Tecelagem dos Sonhos que expressou bem o teor que meu e-mail lhe pareceu: "Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui pedindo para vocês comprarem meu livro, só R$40,00". Nunca foi minha intenção dar esse tom a essa "pré venda", mas agora vejo que foi exatamente o que aconteceu. Minha noiva igualmente chamou minha atenção para algo que não estava percebendo; o quanto meus últimos e-mails estão excessivamente dramáticos, passionais e lamuriosos.

    A coisa toda começou grandiosa, com uma editora "aprovando" meu original para publicação, sendo que agora vejo que a coisa não foi bem por aí. Preciso é verdade me reerguer, recuperar um pouco do meu orgulho e perceber que a pressa pode sim ser inimiga da perfeição. Peço que entendam que quando recebi a notícia sobre a publicação da Novo Século, minha vida estava num momento de euforia onde tudo parecia possível e realizável. Deixei meu emocional me envolver demais e o racional acabou ficando um pouco de lado.

    Porém, um novo caminho (mais simples) está se abrindo para mim e meu desânimo dos últimos dias melhorou muito com isso. Semana passada, enquanto pesquisava pela internet, acabei por achar um site de agenciamento de autores (http://www.oagenteliterario.com.br) que me pareceu uma proposta séria e que poderia acolher um autor como eu. No dia seguinte entrei em contato com a Alessandra (agente literário) e tivemos um papo muito bacana, onde agradeço pela presteza e a sinceridade com que ela me tratou. A verdade é que não existe, pelo menos ainda, um mercado bom para romances de fantasia medieval e que quase nenhuma editora está sequer aceitando esse tipo de material. Ela foi clara em dizer que tem outros autores com essa linha nas mãos e que está tendo dificuldades enormes em conseguir qualquer coisa. A opção que ela me deu é: "publique seu livro por conta, faça uma edição pequena e trabalhe forte na divulgação". Falei para ela sobre esse blog e sobre outras idéias e ela me disse que esse já é um excelente começo e me desejou muita sorte em meu trabalho.

    Antes é claro, ela me passou o contato de uma amiga de nome Ana Paula que possui uma editora pequena chamada Espaço Editorial (www.espacoeditorial.com.br) e que poderia me ajudar. Entrei em contato com essa moça que foi igualmente atenciosa e realista. Ela me disse que o valor pedido pela Novo Século é realmente muito alto e que não valeria a pena investir tanto dinheiro em troca do que eles estavam me oferecendo. Sua editora, apesar de pequena tem condições de distribuir meu livros em alguns lugares interessantes e talvez até mesmo na própria Fnac. Além disso o livro poderia ser vendido no Submarino, sendo que posso usar esse blog como divulgação. Conversamos por aproximadamente meia hora trocando informações e combinamos dela fazer um orçamento para a publicação de uma tiragem modesta de 500 exemplares. Devo estar recebendo os valores amanhã.

    Pode não ser um começo grandioso, mas é sem dúvida um bom recomeço. A Novo Século esta fora de meus planos e como disse uma colega escritora "Se uma editora quer meus textos, que me pague para escrevê-los". Não penso em ganhar dinheiro agora, mas espero assim recuperar um pouquinho do meu orgulho. Se tudo der certo, o livro seria publicado em um prazo de quatro meses, sendo que poderei honrar com vocês a entrega dos livros da pré venda.

    Para relaxar um pouco esse post, aviso também que vou tentar buscar novos ares para me inspirar e voltar a escrever (coisa que não faço há meses). Devo começar um curso intensivo de desenho artístico para poder relaxar a mente e tentar expandi-la um pouco. Não pretendo mudar de carreira e muito menos me tornar um exímio desenhista, mas sempre quis aprender a desenhar e acho que independente dos resultados (bons ou ruins) esse curso vai me ajudar a deixar as preocupações um pouco de lado e quem sabe superar o maldito bloqueio para escrever.

    Aguardem os posts das semanas seguintes, pois tenho uma crítica de filme e de um livro sensacional que estou lendo como próximos assuntos. Que esse novo blog possa realmente simbolizar um recomeço e uma renovação na minha busca por realizar meu maior sonho.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Cartas a Um Jovem Escritor

    Começo pedindo perdão a meus caros leitores pela demora em atualizar o blog nessa Segunda Feira. Ainda estou me habituando ao novo admin do blog e ando com meus dias bastante corridos.

    Hoje irei falar de um livro que peguei como empréstimo na Fnac (nós atendentes agora podemos pegar um livro por semana para ler, então esperem muitos posts sobre livros nos proximos meses) que possui o sugestivo nome de Cartas a Um Jovem Escritor.

    O livro, escrito em forma de correspondência, pelo autor peruano Mario Vargas Llosa é uma verdadeira viagem ao mundo caótico e pouco conhecido da mente de um escritor. Nele, o autor desmonta cada aspecto presente em um romance e me convenceu de que mais do que nunca todos os autores podem ser diferentes, mas no fundo são iguais. Estava ali descrito como grandes escritores como Kafka, Gunter Grass e o proprio Llosa dedicam boa parte de sua mente a uma incessante e incansável busca por algo interessante para contar.

    Foi fascinante perceber que esses escritores, assim como eu, passam boa parte do tempo pensando em suas histórias, mundos e personagens e como para muitos deles escrever não é algo "racional" e planejado mas sim uma compulsão quase incontrolável de por as letras no papel. Eu mesmo me lembro de tantas vezes acordadas no meio da madrugada, sendo obrigado a ligar o computador (ou pegar o primeiro papel desprevenido) e escrever quase automaticamente até colocar a idéia no papel.

    Porém acho que a grande lição que o livro conta é que sobretudo você tem de desenvolver seu próprio estilo e encontrar sua forma pessoal de encantar seu leitor. É visivel a quantidade de clones de Códigos Da Vinci, Senhor dos Anéis e Harry Potters que vi surgir nos últimos tempos, sendo que cada autor busca fisgar um pouquinho do sucesso daquele que quebrou os primeiros paradigmas. Como ja disse anteriormente, apesar de escrever fantasia nunca li Senhor dos Anéis e mesmo inspirado no grande mestre Frank Herbert espero poder criar uma história que possa sobretudo entreter, inspirar sem buscar sucesso no alheio.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

A Vida é uma Ficção

    Essa semana estava lendo a Folha de São Paulo como faço todas as manhãs até reparar em um artigo escrito pelo jornalista Contardo Calligaris. O titulo: "Para que servem as Ficções?" chamou minha atenção e passei a ler.

    Essencialmente o artigo fala sobre um filme chamado "Mais Estranho que a Ficção" que conta a história de um auditor de impostos que se descobre personagem de um romance escrito por uma narradora que passa a falar em sua mente. Esse detalhe me chamou bastante a atenção.

    O jornalista usa esse filme para defender a ficção enquanto ferramenta para que nós seres humanos possamos aprender algo mais sobre nós mesmos. Ler essa idéia vinda de outra pessoa me fez avaliar algumas questões pessoais e a importância que a ficção possui em minha vida.

    Todo escritor é antes de tudo um grande leitor e por conta disso acaba absorvendo em sua mente diversas histórias, personagens e mundos. Chegada uma certa época de sua vida como leitor, você já conheceu e conviveu com diversos personagens, sendo que muitos se tornaram tão familiares que muitas vezes parecem velhos conhecidos. Com eles nos emocionamos, sofremos e ficamos tristes (ok, com raiva as vezes) quando seu autor decide matá-los ou levá-los para longe. Matar um personagem pode parecer algo simples como escrever "e ele deu seu último suspiro e apagou", mas acreditem quando digo que as coisas não são tão simples.

    Como escritor posso dizer que personagens em geral surgem como uma forma efêmera. Um nome, uma aparência, uma frase que com o tempo vai ganhando forma, cor e alma. Chega um ponto em que seus personagens deixam de ser palavras no papel e passam a ser pessoas que caminham pela terra e tomam suas próprias decisões. Você consegue imaginá-los em seus mundos, vivendo suas vidas mesmo sem que você crie novos desafios.

    Quando sua história ordena (e não exagero quando digo isso, pois algumas vezes o autor se torna impotente perante sua história) que um dos seus personagens deve morrer, para mim é algo difícil de escrever. Matar vilões pode ser fácil e prazeroso, mas quando a vítima da pena é um herói, a tarefa se torna árdua. Há de se tomar cuidado para que a morte não seja algo exageradamente dramático pois aquela pessoa deixará de ser humana para se tornar uma figura. A morte tão pouco pode ser repentina ou muito veloz (com algumas exceções) pois tenho de dar ao leitor os preciosos segundos para elaborar o que está acontecendo à sua volta e para alimentar aquele ódio por mim como autor. Além disso, matar um personagem é riscá-lo de seus textos futuros, interromper sua jornada e suas descrições. Temos de deixá-lo para trás e seguir em frente.

    Contardo também sugere em seu artigo que utilizemos três horas de nosso dia para narrarmos nossa rotina como um romance ficcional. Aceitei a brincadeira naquela mesma manhã e enquanto ia para o trabalho fui narrando em minha mente os acontecimentos presentes. É claro que a ida ao trabalho está longe de ter a emoção de uma aventura, mas por alguns breves instantes tive aquela sensação de algo muito maior por trás daquilo. Aquele sentimento de impotência sobre o próximo passo a ser dado e sobre como tudo pode mudar num único instante. Pode parecer bobagem, mas naquela hora me passou pela cabeça o quão dura pode ser a vida de um personagem. Sujeito aos caprichos de seu autor, sem saber se estará vivo ou morto, na glória ou na miséria dali a algumas páginas.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

A Mão que Escreve

    Peço licença ao autor pelo trocadilho com o nome de sua obra da mesma forma que peço desculpas para escrever mais um artigo sobre um livro que li. Alguns devem estar pensando: "Pô, agora ele só escreve resenha de livros que leu! E os posts sobre seu trabalho como escritor?".

    Acalmem-se os críticos, mas convenhamos que com essa oportunidade de pegar um livro por semana na Fnac desde o começo do mês foi só uma questão de unir a fome à vontade de comer. Mas vamos logo com isso pois prometo será indolor.

    O livro que irei resenhar hoje é a ficção alternativa chamada "A Mão que Cria". Fruto da imaginação do autor brasileiro Octávio Aragão. Para resumir a trama do livro sem fazer muitos spoilers, ele trata de uma terra diferente, supondo o que aconteceria se Julio Verne fosse eleito presidente da França e suas máquinas maravilhosas (presentes em seus romances) se tornassem reais. Nesse cenário acompanhamos a luta de dois rivais, um controlando os chamados híbridos (ou homens peixe) e o outro liderando o que o autor chama de Desmortos (uma espécie de zumbi).

    Para começar devo dizer que o livro era completamente diferente do que poderia imaginar e esse primeiro choque me pegou de surpresa. A história é narrada de diversos pontos de vista com cenas que podem durar um parágrafo até páginas inteiras. O tempo é totalmente relativo sendo que é difícil acompanhar exatamente a cronologia dos acontecimentos. Por conta desse ritmo frenético é realmente difícil entender o que está acontecendo sendo que só fui unir as peças do quebra cabeça lendo as notas do autor.

    Outra questão importante é a grande quantidade de personagens que se inserem nos vários momentos da trama. A grande maioria são homenagens que o autor rende a diversos autores clássicos como Julio Verne e H.G Wells etc... Essa estratégia para mim funciona como uma faca de dois gumes. Se por um lado a grande quantidade de personagens me confundiu, reconhecer alguns personagens de livros que li trouxe uma certa nostalgia e uma satisfação em saber o que aconteceu com eles após o término de seus romances de origem. Para mim, os únicos personagens que reconheci de pronto foram os protagonistas (ou melhor seus descendentes) de Vinte Mil Léguas Submarinas que li há poucos meses. Houveram outros que suspeitei de sua origem ou que já ouvi falar (como o Dr. Moreau), mas definitivamente a compreensão e o divertimento pleno do livro esta reservado aos já iniciados.

    Mas nem só de críticas se compõe o livro. As majestosas descrições e os diálogos bem escritos (muitas vezes despojados) dos personagens são o ponto alto da história. A acuidade da pesquisa histórica do autor é impressionante e não posso dizer que apesar de passar boa parte do livro perdido, ver nas notas do autor como os diversos personagens se entrelaçam, foi uma grande satisfação. A Mão que Cria é por fim um livro diferente de tudo o que já li antes e é essa fuga do convencional que pode se tornar seu maior atrativo.

  por Claudio Villa | 1 comentário


Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

A Mão que Escreve

    Peço licença ao autor pelo trocadilho com o nome de sua obra da mesma forma que peço desculpas para escrever mais um artigo sobre um livro que li. Alguns devem estar pensando: "Pô, agora ele só escreve resenha de livros que leu! E os posts sobre seu trabalho como escritor?".

    Acalmem-se os críticos, mas convenhamos que com essa oportunidade de pegar um livro por semana na Fnac desde o começo do mês foi só uma questão de unir a fome à vontade de comer. Mas vamos logo com isso pois prometo será indolor.

    O livro que irei resenhar hoje é a ficção alternativa chamada "A Mão que Cria". Fruto da imaginação do autor brasileiro Octávio Aragão. Para resumir a trama do livro sem fazer muitos spoilers, ele trata de uma terra diferente, supondo o que aconteceria se Julio Verne fosse eleito presidente da França e suas máquinas maravilhosas (presentes em seus romances) se tornassem reais. Nesse cenário acompanhamos a luta de dois rivais, um controlando os chamados híbridos (ou homens peixe) e o outro liderando o que o autor chama de Desmortos (uma espécie de zumbi).

    Para começar devo dizer que o livro era completamente diferente do que poderia imaginar e esse primeiro choque me pegou de surpresa. A história é narrada de diversos pontos de vista com cenas que podem durar um parágrafo até páginas inteiras. O tempo é totalmente relativo sendo que é difícil acompanhar exatamente a cronologia dos acontecimentos. Por conta desse ritmo frenético é realmente difícil entender o que está acontecendo sendo que só fui unir as peças do quebra cabeça lendo as notas do autor.

    Outra questão importante é a grande quantidade de personagens que se inserem nos vários momentos da trama. A grande maioria são homenagens que o autor rende a diversos autores clássicos como Julio Verne e H.G Wells etc... Essa estratégia para mim funciona como uma faca de dois gumes. Se por um lado a grande quantidade de personagens me confundiu, reconhecer alguns personagens de livros que li trouxe uma certa nostalgia e uma satisfação em saber o que aconteceu com eles após o término de seus romances de origem. Para mim, os únicos personagens que reconheci de pronto foram os protagonistas (ou melhor seus descendentes) de Vinte Mil Léguas Submarinas que li há poucos meses. Houveram outros que suspeitei de sua origem ou que já ouvi falar (como o Dr. Moreau), mas definitivamente a compreensão e o divertimento pleno do livro esta reservado aos já iniciados.

    Mas nem só de críticas se compõe o livro. As majestosas descrições e os diálogos bem escritos (muitas vezes despojados) dos personagens são o ponto alto da história. A acuidade da pesquisa histórica do autor é impressionante e não posso dizer que apesar de passar boa parte do livro perdido, ver nas notas do autor como os diversos personagens se entrelaçam, foi uma grande satisfação. A Mão que Cria é por fim um livro diferente de tudo o que já li antes e é essa fuga do convencional que pode se tornar seu maior atrativo.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


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