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Segunda-feira, 05 de Junho de 2006

A Longa Espera

    Estamos entrando em Junho, e logo fará seis meses que mandei meus originais para algumas editoras. Tem sido uma espera dificil, acentuada pela proximidade do fim do prazo dado por elas.

    A maioria delas diz que a avaliação é feita em um periodo de seis meses, ou seja as respostas positivas ou negativas deveriam chegar em breve. Não vou mentir o quanto é angustiante a esperança de que cada e-mail, cada telefonema possa ser uma resposta positiva ou não.

    Uma das editoras que estou mais ansioso por um retorno é sem dúvida a Novo Século. A principal razão é que gostaria muito de ter meu livro publicado por eles. A primeira razão é o fato deles investirem em autores iniciantes e a segunda é que ja publicaram livros de fantasia antes.

    Porém, tudo isso também me trás uma dúvida cruel. Estava passeando no Sábado em uma livraria no Shopping quando vi um novo livro da Novo Século (não me recordo o nome agora). Bastou uma folheada para perceber ser um livro de fantasia e de um autor novo.

    Naquele momento tive um misto de esperança e medo. Esperança em ver que a editora continua interessada nesse tema e que fazem um trabalho muito bom de capa e de divulgação. O medo pois esse é o terceiro autor do gênero que els publicam, estariam interessados em um quarto?

    Tenho medo de me frustrar, de ver meu maior sonho. construido em quatro anos de noites mal dormidas, vir por água abaixo. Só me resta continuar esperando e rezando.

    Minha amada, quem sempre me apóia, disse que eu tenho de ter mais confiança no que escrevo (e eu juro que tento), mas acho que faz parte do trabalho de escritor a insegurança sobre se aquilo que você faz é realmente bom.

    Ela me diz que sempre podemos publicar o livro por conta, mas sinto que não será a mesma coisa. O tempo irá dizer.
    

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 12 de Junho de 2006

O Primeiro Não

    Chega a ser de certa forma irônico que esse post seja feito exatamente após aquele em que me queixava da longa espera em receber respostas das editoras. Bem, a primeira resposta veio hoje a tarde e não foi das melhores. Reproduzo o texto recebido abaixo:

    Prezado Senhor, Concluída a avaliação da seleção de trechos em referência, informamos que sua publicação não foi indicada, ainda que apresente evidentes qualidades. Sendo assim, agradecemos a remessa desse material e contamos com sua compreensão. Atenciosamente.

    Este e-mail se foi enviado pela editora Rocco, uma das grandes que eu tinha uma certa esperança de gostar de meu trabalho. Eu sei que deveria estar pronto a receber um Não, mas acho que de qualquer forma nunca se esta preparado para isso. Lembro me de ter lido em algum lugar que Jo Rowling (autora do Harry Potter) recebeu diversas cartas de não até conseguir publicar seu livro. Ela disse que guardou todas essas cartas como uma recordação e como um incentivo para não desistir.

    O caminho é longo e tortuoso e a espera ainda não acabou. Tenho muita esperança ainda e continuo rezando pela realização desse sonho. Não vou desistir e como prova dessa perseverança eu irei continuar escrevendo meu segundo livro.

    Dinheiro não é o que mais me importa nesse momento e sim minha realização pessoal. Escrever um livro é deixar e doar uma parte de si aos outros. É mexer com sua imaginação e fazê-los criar em suas mentes mundos existentes apenas em sua cabeça. Se isso não for incentivo o bastante para prosseguir, o que mais poderia ser!
    

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 19 de Junho de 2006

Sonho Corsário

    É sempre impressionante como as coisas acontecem nos momentos menos esperados. Esta noite posso dizer que tive um, senão o mais legal, dos sonhos que consigo me recordar.

    Foi uma noite atipíca ja que acordei as 04:00 a.m da manhã ára levar minha namorada no metrô (ela ia pegar o ônibus das 6:30 para o Rio). Feito isso peguei meu carro e voltei para casa, chegando por volta das 5:30. Estando com o dia tranquilo, voltei a dormir.

    O que me lembro, já que o sonho ainda esta um pouco fresco, é de estar em um navio simplesmente sensacional. Eu vestia um longo casaco cor de vinho e tinha em minhas mãos uma rapiera de ponta romba (tipica de esgrima).

    O que me recordo depois é de estar em uma ilha, o navio estava aportado e o jogo havia começado. Sim, eu estava ciente de que aquilo era um jogo (um live action por assim dizer) e seria a minha tripulação contra a tripulação inimiga. Encontrei a capitã inimiga (cabelos avermelhados chanel e longos até o ombro,camisa branca bufante e calça negra) que me desafiou para um duelo. Durante a luta ela me disse que minha tripulação havia sido toda capturada e que eu havia perdido. Me recusei a acreditar e então lutei até encostar a espada em seu peito e vencer.

    O que veio em seguida é um pouco confuso, mas me lembro bem de estar lutando com um amigo e de descer do topo de uma escada pulando em parapeitos e reentranças na parede até chegar ao solo (o homem aranha teria ficado impressionado). Em seguida me lembro de ter encontrado uma pistola (tipicamente pirata) e de dispara-la contra meus oponentes que caiam de forma teatral simulando o ferimento que não exisitia. Logo minha tripulação havia voltado e continuamos lutando até o final da tarde, quando encerramos o jogo.

    Reunidos novamente no navio, lembro de olhar para o rosto das pessoas (alguns velhos), todos caraterizados e ter agradecido por aquela tarde maravilhosa. A capitão do time inimigo se entristeceu com o fim, mas eu lhe prometi que iriamos retomar a brincadeira outro dia. Espero sinceramente que sim.

    O que quero dizer com tudo isso é como algumas vezes, a minha mente sinaliza para mim que é hora de por as mãos na massa e escrever cenas que estão guardadas. Meu novo livro parou exatamente no momento em que começo a descrever como Colleen participa do seu primeiro ataque a um navio e podem ter certeza que com essas imagens na minha mente, a cena sairá muito mais fácil.

    Como escritor é sempre bom poder contar com esses sonhos inspiradores, uma contribuição mesmo que sutil do meu subconsciente para meu trabalho.
    

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 26 de Junho de 2006

Revisitando Fantasia

    Mais uma vez me volto para o mundo de Fantasia (História sem Fim), mas dessa vez com uma nova visão da coisa. Como já disse em um pos anterior, o filme História sem Fim marcou a minha infância e acredito que tenha sido parcialmente responsável pela minha paixão em escrever e vivenciar aventuras.

    No entanto, quando li o livro de Michael Ende, a história me agradou muito somente até o momento em que o primeiro filme acaba (a derrota do Nada e a reconstrução de Fantasia). Depois disso vemos Bastian adentrar Fantasia e se tornar cada vez mais e mais poderoso e famoso.

    Para mim, deste ponto em diante a história começou a se tornar monótona e eu me forcei a ler até o final do livro. No entanto, essa visão acabou mudando um pouco após uma conversa que tive com um amigo esses dias e o entendimento real do que o livro quer dizer.

    Eu acho que a grande lição do livro é: "A divisão entre a fantasia e a realidade é tênue e nenhum dos dois mundos deve ser único em sua vida". É fato que quando Bastian adentra fantasia, ele rapidamente perde o controle da realidade, esquece suas memórias terrenas e logo fica preso em seu prórpio sonho.

    Admito que fugir da realidade permanentemente é sem dúvida um convite tentador, uma vez que lá você poder ser quem ou o que quiser, resolvendo os problemas com o simples poder do desejo. É verdade que sempre tive (e ainda tenho) grandes dificuldades de manter os pés firmes no chão. Me considero um sonhador incorrigivel e isso por vezes é razão de muito desapontamento.

    Se tem algo que a "História sem Fim" nos ensina é que a fantasia é por vezes mais dificil de se escapar do que a realidade. Se o Nada era poderoso por comer o sonho pelas beiradas até ele desaparecer, a fantasia é ainda mais perigosa por lhe prender em seu meio e não deixa-lo mais sair.

    Somente para complementar o que estou dizendo, eu assiti nessa mesma semana o Crônicas de Nárnia e percebi que a lição a ser aprendida é semelhante. Não cabe as crianças escolher quando voltar a Nárnia e sim ao mundo desejar que eles retornem. No entanto eles podem ficar tranquilos pois como foi dito "Uma vez reis de Nárnia, vocês sempre serão os reis". ou seja, um dia seu retorno será necessário.

    Como escritor eu tenho o privilégio de poder visitar minha Nárnia ou minha Fantasia (que no meu caso se chama Mirr) e poder vivenciar alguns dias de rei, criando e viajando por mares nunca antes navegados. É bom saber que Mirr está lá sempre que preciso me refugiar um pouquinho da realidade e espero em breve poder levar alguns visitantes comigo a exemplo de Michal Ende e C.S Lewis.
    

  por Claudio Villa | nenhum comentário


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