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Segunda-feira, 06 de Março de 2006

Escalando a Muralha...

    É simplesmente impressionante o quanto me afastar das "mídias de consumo rápido" me é benéfico. Não se passaram nem duas semanas do meu último post sobre meu bloqueio atual e gradativamente estou conseguindo vencê-lo.

    Eu sempre soube o quanto algumas coisas são nocivas para o meu lado criativo, especialmente os jogos de computador com quem tenho uma relação de amor e ódio. Parece incrivel, mas nos quase 30 dias que fiquei sem emprego (entre o ultimo e o atual), quando eu tinha todo o tempo do mundo para me dedicar a meu novo livro, eu simplesmente o desperdicei jogando computador.

    É verdade que também usei esse tempo para ler um livro que vai ser fundamental para meu projeto atual (A Viagem do Pirata Richard Hawkin, descrito em outro post), mas se você levar em conta a quantidade de horas no dia, foi muito tempo perdido.

    A ironia é que agora que comecei a trabalhar (inclusive de Sábado), as idéias tem florescido e começaram a surgir novamente. Cenas que ficaram meses na minha cabeça sem ter como se conectar ao todo estão começando a tomar forma e espero que consiga engatar de vez na primeira parte do livro.

    A grande questão é: Até quando esse surto irá durar? Comprei umas miniaturas de chumbo para tentar voltar a pintar e assim me aproximar mais do meu lado arte e menos do meu lado zumbi.

    Torçam por mim!

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 13 de Março de 2006

Uma Surpresa Muito Gratificante

    Durante o feriado do carnaval, a minha namorada estava navegando a esmo pela Internet quando, sabe-se lá porque, resolveu digitar meu nome no Google para ver o que acontecia.

    Depois de olhar casualmente pelos hits, ela acabou chegando em um blog de uma pessoa que ela nunca ouviu falar e para sua surpresa havia algo meu ali.

    O dono do Blog encontrou uma poesia minha que publiquei no site da Confraria das Idéias a muito tempo e publicou na sua página (com os devidos créditos para mim) com as seguintes palavras: "um poema verdadeiramente belo, q tem tudo a ver comigo"

    Ver alguém escrever isso sobre algo que você criou é para mim a grande razão de querer ser um escritor. Saber que alguém que não lhe conhece se identificou com um momento seu de inspiração é algo que não pode ser descrito em palavras. Fiquei sim, muito feliz e me senti ainda mais impulsionado a continuar criando mais e mais.

    Como não poderia deixar de ser, segue o link do blog do Roger, a minha forma de lhe agradecer por esse momento que me foi proporcionado.

    http://filhosdenosgoth.weblogger.terra.com.br/

    Espero que isso seja apenas o começo de tudo...
    

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Quinta-feira, 16 de Março de 2006

Nota Extra - Para os Leitores do Meu Blog

    Amigos,

    Só gostaria de usar esse espaço para agradecer o carinho e a atenção que tenho recebido desde que comecei essa empreitada.

    Cada comentário deixado por vocês é muito especial. Leio todos eles e apesar de ser incapaz de responde-los individualmente quero que saibam que todos eles são muito importantes.

    Acredito que a maior satisfação pessoal que um escritor pode ter é saber que ele é lido e que de alguma forma suas palavras mexem com as pessoas.

    É por isso que continuo me dedicando a atualizar esse blog semanalmente, para vocês marinheiros que me acompanham nessa viagem pelos mares bravios da imaginação humana.

    Obrigado mesmo por suas visitas e espero que esse seja apenas o começo.

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 20 de Março de 2006

Uma Conversa no ônibus

    Talvez esse post não tenha muito a ver com literatura em sí, mas essa história me proporcionou momentos de reflexão interessantes, muito válidos quando se pretende dedicar sua vida a criar e contar histórias.

    Eram 18:30 e estava eu parado no ponto aguardando a chegada do ônibus quando um homem de aparência simplória e olhos marejados veio falar comigo. Disse que estava procurando emprego e que precisava de R$0,70 para voltar pra casa. (ele me mostrou algo como R$1,30 em moedas na sua mão).
    Eu não costumo dar dinheiro as pessoas, mas devido aquela situação coloquei a mão no bolso, puxei uma nota de R$1,00 e desejei que fosse com Deus . Passados dois minutos ele abordou um rapaz atrás de mim com exatamente a mesma conversa. O rapaz ficou indignado que até aquele momento ninguém havia lhe dado os R$0,70 para que ele voltasse pra casa. Me pediu licensa como se eu não houvesse feito nada por aquele pobre homem e foi até uma banca de doces ao lado para trocar R$5,00 e dar a ele o que pedia.

    Quando voltou para trás de mim na fila, eu não resisti e comentei:
    - Por acaso aquele homem te pediu R$0,70 pra voltar pra casa?
    - Sim
    - Pois é, ele me pediu a mesma coisa e eu dei R$1,00 pra ele. Acho que ele te enganou.
    - Mas você viu a cara dele. Não tem problema, ele precisava mais do que nós.

    Foi o necessário para começarmos um diálogo informal sobre as mazelas do mundo, a injustiça das pessoas e como alguns sem teto ganham até R$60,00 pedindo esmolas.
    A conversa se extendeu para o interior do ônibus até alcançar aquele estágio aonde se torna impossível encerrar o contato e se trancar em seu mundo pessoal.

    Logo descobri que Cassiano era músico por paixão, e despachante por profissão. Usava uniforme tipico de escritório (camisa bege e gravata listrada) e um boné de tecido (aqueles antigos, não esportivos) virado para trás.

    Ele dizia ter vergonha de sair na rua com aquela roupa ("as pessoas pensam que tenho dinheiro, mas não tenho"), oferecia abraços ao invés de dinherio quando alguém lhe pedia esmola, e lutava para não passar fome.

    Discutimos sobre tudo no longo percurso até em casa (descobri que ele é praticamente meu vizinho). politica, emprego, vocações, trânsito, Che Guevara, música e uma outra infinidade de assuntos. Ele me disse que a pouco usava cabelo comprido e roupas mais folgadas e que passara muito tempo tocando de bar em bar com a sua banda. Resolveu dar uma pausa em seu sonho para ganhar dinheiro. ("Se aparecer uma banda, eu vou junto. Mas tenho de pensar no meu futuro").

    Foi quase no final da viagem que entramos no assunto sobre sonhos. Eu disse o que acreditava: "Quando uma pessoa deixa de sonhar, ela morre". Ele concordou comigo e disse uma frase que me fez pensar:

    " É cara, cada um tem seu próprio mundo. A gente se fecha nele e tenta viver assim"

    Me despedi de Cassiano com um aperto de mão. Ele desceu três pontos antes de mim e sumiu.

    Foi naquele momento que olhei todo o ônibus e me dei conta o quanto ele estava certo. Estavam ali reunidas umas cinquenta pessoas e no entanto elas não se falavam entre sí. Todas estavam trancadas em seus mundos pessoais, sonhando, divagando ou apenas esperando a hora de chegar em casa.

    Foi estranho pensar o quanto nós, seres sociais, nos encasulamos em nosso mundo em busca de algum conforto para a vida moderna. Acredito que o escritor é sobretudo uma pessoa que, em algum momento de sua vida, buscou um outro mundo aonde ele pudesse ditar as regras. Um lugar aonde pudesse criar sua realidade e relaxar do extenuante e cinzendo mundo moderno.

    Mais do que isso, o trabalho do escritor é o de criar novos mundos que possam ser visitados por outras pessoas. Lugares aonde as regras são flexiveis e onde você pode deixar de ser o despachante de todo dia para ser o grande herói do mundo.

    "O importante é fazer o que gosta por paixão a arte. Se ganhar dinheiro tanto melhor, mas se não fizer porque gosta, não dará certo" Disse o músico pouco antes de descer e sumir na noite de São Paulo.
     
    

  por Claudio Villa | nenhum comentário


Segunda-feira, 27 de Março de 2006

O Ritual para Escrever

    Agora que voltei a escrever, notei que mesmo inconsciente eu faço sempre o mesmo ritual de iniciação antes de começar a trabalhar na história.

    Eu me sento no computador e começo a checar meus e-mails, meu Orkut e qualquer outro site irrelevante naquele momento. Eu então vou até a cozinha buscar algo para beber para só então sentar para começar a escrever.

    Quando me sinto pronto, eu abro minha pasta de músicas e escolho algumas para me ajudarem a caçar inspiração. Entre as favoritas para isso estão o tema do filme História sem Fim, a canção The Minstrel Boy (que em breve terá papel importante nos meus livros) e qualquer outra musica que ache pertinente para o tipo de cena ou o personagem que irei descrever.

    Quando o texto começa a fluir da minha cabeça para o papel (nesse caso digital) é algo semelhante a derramar uma enorme jarra de água sobre a mesa. Meus dedos digitam freneticamente as palavras que compôe a cena, apenas parando alguns instantes para buscar a palavra certa. Quando empaco em algum lugar, eu me levanto e saio andando pela casa (o destino é quase sempre a cozinha) aonde busco sabe lá onde a peça que esta faltando.

    Estranhamente eu raciocino melhor em pé, andando; enquanto que as idéias costumam surgir em momentos de repouso e tédio (banco de ônibus é um ótimo lugar para isso).
    Esses passeios a cozinha inevitavelmente me fazem abrir a geladeira e beliscar algo, para então voltar correndo para o computador.

    Esse ritmo frenético se mantém sem pausas para mais nada até o momento que o sono começa a ser mais forte do que eu. Infelizmente esse maldito sono vem chegando cada vez mais cedo com o passar do tempo.

    Como ja disse, estou numa época boa de frenesi, escrevendo (ou pelo menos fazendo anotações) quase todos os dias. O livro novo esta fluindo enquanto espero ansioso um retorno sobre o primeiro.
    

  por Claudio Villa | 1 comentário


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