Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Até que ponto...

    Essa semana, o e-mail de um amigo me fez parar e questionar qual o limite que separa o sonho da realidade. Eu sempre pedi e sempre esperei que meus amigos tivessem comigo toda a sinceridade e liberdade de se expressar abertamente, e estou certo de que se a forma não foi a mais adequada, a intenção foi sem dúvida a das melhores. Esse e-mail continha palavras duras, algumas as quais concordo e tantas outras que discordo, mas seu principal ponto foi: existe um limite para o que se pode fazer para tornar seu livro conhecido?

    Que o livro tem a sua parcela de problemas, isso eu sempre soube, mas lhes pergunto qual livro não tem? Durante essa minha releitura de Duna (como relatei na semana passada), pela primeira vez passei a reparar isso e me deparei com erros de tradução, revisão e até mesmo diagramação.

    Não é segredo para ninguém que lê esse blog que a luta para divulgar o livro tem sido uma batalha arduá e solitária e onde, aos poucos, tenho conquistado pequenas vitórias. Se hoje existem matérias na Scifi News ou na Dragonslayer isso aconteceu porque eu corri atrás das pessoas e elas, de bom grado, se dispuseram a fazer a sua parte em me ajudar na divulgação. Eu acredito que todos os recursos são válidos quando se quer divulgar um livro, desde que esses se mantenham no campo da ética. Eu jamais, por exemplo, pagaria para alguém fazerm uma resenha positiva do livro ou mesmo para que alguém o divulgasse de forma não isenta.

    Eu confio no bom senso daqueles que lêem essas matérias e não gostaria que comprassem meu livro simplesmente porque ele saiu nessa ou naquela publicação. Minha intenção com essa divulgação é fazer com que as pessoas saibam que o livro existe, que possam ir até uma livraria, folhea-lo e caso lhes agrade o leve para casa.

    Sei que existe uma preocupação em divulgar o livro excessivamente e este não corresponder as expectativas geradas. Até agora obtive algumas críticas positivas do livro e algumas negativas também e isso tem servido especialmente para me dar confiança que fiz sim um bom trabalho e que esse trabalho com certeza pode melhorar no próximo livro.

    Pergunte a qualquer escritor publicado se não acha que aquele seu determinado livro não poderia ser melhor? eu acredito que a grande maioria irá dizer que um livro sempre pode ser melhor, mas que todo o processo tem de chegar a um fim. Eu aprendi essa lição com meu professor de escultura a alguns anos que dizia que você pode retocar uma escultura indefinidamente, mas deve chegar a um ponto que você tem de aprender a reconhecer suas imperfeições, aceitar que aquele trabalho esta encerrado e partir para um próximo.

    Agora venho tentando trabalhar em meu novo livro e sinto que meu texto hoje esta mais maduro e melhor. Espero que nesse novo trabalho eu possa superar em muito o primeiro, mas também desejo de coração que não seja meu melhor livro. Segundo um amigo editor me disse uma vez: "Eu não publico autores que chegam com uma obra em mãos dizendo que aquele é seu melhor livro. Por que investir em um autor se ele não vai escrever nada melhor do que aquilo?"

    Para fraseando o autor argentino Jorge Luis Borges: "Publicamos, para não passar o resto da vida publicando rascunhos"

  por Claudio Villa


Roger Henrick
Sábado, 31 de Maio de 2008
Como você bem disse, que livro não tem problemas. Os erros contidos em intermináveis livros que são publicados por ai. Nos dias de hoje, para um escritor colocar a sua obra para que todas conheçam, esse é o campo de batalha para muitos escritores que desejam entrar no hall da fama. Mas fama não é conhecimento da sua obra literária e sim o gosto de mostrar as suas idéias e seus sonhos. O resto é consequência.

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