Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2009

Anões e Elfos...esses incompreendidos

    Tentando retomar as atividades do blog, hoje abordo um tema até bastante recorrente no que se trata de literatura fantástica. O temido clichê.

    Tudo começou, como muitos dos assuntos que abordo aqui, na comunidade Escritores de Fantasia no Orkut. O alvo dessa vez foram os elfos e anões, ou para simplificar as raças "tolkinianas utilizadas por outros autores em suas obras.

    É consenso que Tolkien não criou nenhuma dessas raças, adaptando-as de outras mitologias para seu próprio mundo de fantasia. O que ele fez foi "popularizar" essas raças, apresenta-las ao mundo uma vez que no passado elas estavam restritas a uns poucos estudiosos.

    Não é de hoje que essas raças (e tantas outras) vem sendo utilizadas por autores de fantasia ao redor do mundo. Pessoas como Margareth Weiss, R.A Salvatore entre outros escrevem livros protagonizados por essas raças a mais de vinte anos, o que não impediu que se tornassem sucesso nos EUA.

    No entanto, o uso dessas raças chamadas "clichê" aparentemente causam pavor em alguns leitores e autores de fantasia nacionais. Nossa literatura fantástica heróica, ainda bastante insipiente e nova, parece ter uma certa xenofobia em relação a esses modelos de história.

    Muitas vezes parece que a simples presença de uma raça "tolkiniana" já torna qualquer história automaticamente clichê, previsivel e por consequência pouco interessante. Muitas vezes essas mesmas pessoas saudam com grande alegria qualquer história que aparentemente crie algo novo, seja uma raça ou um conceito, sem levar em consideração o contexto como um todo.

    Eu entendo essa certa fobia de raças pré definidas. Com o acesso cada vez mais fácil aos computadores e a internet, temos hoje pretensos escritores ao milhares, criando suas próprias sagas de aventura e heroismo. Muitos desses iniciantes literalmente copiam conceitos de jogos de RPG, mangas e do próprio Tolkien sem se preocupar se aquele formato funciona tão bem para a literatura quanto para um jogo de mesa.

    Vejam que não pretendo aqui posar com melhor ou pior do que qualquer outro autor. Venho da mesma escola e cometi muitos dos mesmos erros, sendo que hoje ainda venho buscando corrigir certos vicios.

    Escrever um primeiro livro foi uma verdadeira jornada de aprendizado, jornada essa que esta longe de terminar. Se alguém me perguntasse hoje se eu mudaria algo em "Pelo Sangue e Pela Fé" eu responderia categoricamente que sim. As críticas e as opiniões de amigos (e de não tão amigos assim) me tornaram um escritor mais maduro que esta certo de estar fazendo um trabalho melhor do que o anterior e inferior ao próximo.

    Mas voltando aos outros autores, o que vemos hoje é uma centena deles despejando seus textos em blogs, orkuts, sites e afins. A maioria desses trabalhos não sofreram nenhum tipo de leitura crítica ou trabalho editorial, nos dando aquela sensação de que estamos lendo sempre um pouco mais do mesmo.

    Sempre haverá público para o novo e para o velho e vejo vantagem em ambas as abordagens. Enquanto o uso de algo radicalmente novo pode nos maravilhar, este pode também nos confundir e cansar, sendo muitas vezes algo conhecido com uma nova roupagem.

    O velho nos da uma sensação de familiaridade, de estarmos em casa, assim como pode cair na mesmice e na repetição. Acho que a grande questão não é se temos um elfo ou um homem polvo, mas sim com qual habilidade eles são utilizados.

    Da minha parte pretendo usar os dois, tentando dar a cada um meu toque pessoal. Pode ser que meu mundo tenha sua própria cota de elfos belos e sábios, mas certamente terão alguma coisa que os diferencie dos demais, ou que ao menos os tornem interessantes.

  por Claudio Villa


Jonas R. Nascimento
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Concordo totalmente com o Igor; pois nada que você cria é totalmente novo; NADA. Tudo o que você escreve, desenha, enfim, inventa é baseado em algo que você leu, viu ou ouviu. Qualquer obra que você produza é baseada nas obras de outro autor. A diferença está no nível desse "baseamento", digamos assim. Para escrever uma história, você põe nela muito do que você leu e gostou, a acrescenta um "toque pessoal". E é isso que faz a diferença, e torna sua história única.

Leandro "Radrak" Rei
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Apoiado. Tenho minha opinião sobre o que leva algumas pessoas a odiar esses chamados clichês, tão constantes nos dia de hoje, quanto vampiros e mundos paralelos, subterraneos, dimensionais ou escondidos debaixo dos nossos narizes. Como você, faço uso de elfos, dragões, orcs e anões. Mas somente pela vantagem já mencionada: Não preciso explicar em detalhes, poupando as páginas para a trama q desenvolvi. Quanto a enxurrada de textos sem revisão, na net. Isto tem acontecido em todos os cantos e áreas. Grande Abraço!

Igor Zolnerkevic
Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2009
Bem, gosto de ler ficção científica, outro gênero cheio de clichês. Estou lendo agora The Algebraist, do Ian M. Banks, uma história de guerra interestelar com espaçonaves gigantes, governos galácticos, alienígenas misteriosos, essas coisas. *Comecei* a ler o livro porque queria uma história com esses clichês. *Continuo* a ler o livro até o final porque (1) o autor não me desapontou; sua história é mesmo cheia de naves e alienígenas e (2) o autor apresenta naves e alienígenas de maneira extremamente original e interessante. Acho que ai está o segredo da literatura de gênero: sacudir a poeira dos clichês, apresentando-os de maneira nova e inesperada. É como uma partida de futebol. As regras não mudam, mas cada jogo é diferente, uns bons, outros nem tanto...

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