Segunda-feira, 19 de Março de 2007
A Ponte para Therabitia
É realmente curioso como algumas vezes as coisas nos acontecem nos momentos mais necessários. Considero-me uma pessoa crente em Deus e mais de uma vez ele parece me pregar certas peças. O cerne desse post obviamente não é a religião, então vou seguir com o que interessa.
A semana que se passou agora pode se dizer foi uma das mais difícies que tenho tido nos últimos meses. A loja tem passado por alguns problemas e por conta disso muitas mudanças que não me agradam tem sido feitas. Vi bons amigos que fiz nesses seis meses perderem seu trabalho por conta de cortes de pessoal e vi até mesmo meu trabalho ameaçado por conta disso. Para resumir bem a história eu tinha duas opções, mudar meu horário para a tarde ou perder meu emprego. É claro que espero que seja temporário, mas ainda sim terei de encarar o desafio pelos próximos meses.
Se a coisa já não estivesse ruim o bastante, ainda estou correndo o risco de perder a única coisa que realmente me dá tesão de trabalhar na Fnac, a responsabilidade pela sala de literatura. Estou correndo o risco de me tornar responsável pela sala de Administração e Direito que são assuntos com os quais tenho várias ressalvas.
Vocês já leram aqui o que penso de bobagens como Monge e o Executivo e outros livros feitos para ganhar dinheiro com soluções milagrosas. Será difícil se tiver de cuidar de algo que não acredito. Por aí, vocês devem imaginar o grau do meu humor nessa semana e o quanto estou sendo difícil de aguentar pelas pessoas que me amam.
Mas antes que fiquem se perguntando porque diabos eu falei tudo isso se o post é sobre um filme, explico que minha intenção é que vocês percebam o quanto essa história mexeu comigo. Há muito tempo não assistia um filme com tanta sensibilidade do que este.
Ontem a tarde meu humor estava simplesmente péssimo, sendo que a minha pobre Aninha teve de aturar minhas reclamações e frustrações. Eis que alguns amigos me ligaram para ir assistir ao tal filme (que até então não sabia nada). Eu realmente não queria sequer sair de casa, sequer ir ao cinema e azedei até me convencerem a ir. Chegando ao cinema, eu esperava assistir a um novo Crônicas de Nárnia, mas o que vi na tela era completamente diferente do que poderia esperar.
Para resumir um pouco a trama sem criar spoilers, o filme trata da amizade entre Jesse, um menino vindo de uma familia em dificuldades financeiras e que ainda por cima sofre o diabos com seus colegas na escola e Leslie, uma menina novata na escola que rapidamente passa a conquistar sua amizade com sua forma sempre positiva de ver as coisas. Jesse que adora desenhar criaturas fantásticas em seu caderno logo é ajudado por Leslie a traduzir esses desenhos em um universo de fantasia onde ambos podem se refugiar algumas horas por dia dos problemas do mundo real.
Impossível não perceber o quanto eu me identifiquei com essa história, especialmente no que diz respeito a infância e adolescência complicada na escola e a sensação de solidão que muitas crianças vítimas de bullying passam. Ver o reino de Therabitia ir surgindo lentamente da imaginação de ambos foi emocionante por me lembrar que eu também desenvolvo meu próprio universo fantástico em minha imaginação, universo esse que me serve de escape para as horas de dificuldade.
Saí de lá me sentindo mais leve e pensando que apesar de todos os problemas e frustrações no trabalho, eu sempre posso voltar para meu computador e vivenciar um pouco do mundo que venho criando. É verdade que minhas personagens andam um pouco abandonadas nos últimos meses, mas talvez seja hora de retomá-las e seguir a viagem.
Esses próximos meses prometem ser difíceis, mas vou tentar me policiar, e como no passado me sentar todos os dias para escrever algo. Apesar de ter de fazer alguns trabalhos que não me agradam, vou tentar me escorar no fato de que sempre haverá uma Therabitia me esperando quando voltar pra casa.
por Claudio Villa
Julia (ex-1)
Terça-feira, 20 de Março de 2007
Olá, meu querido amigo. Tentei te ligar par gente bater papo, agora de tarde, mas como ninguém atendeu, julguei que seria melhor não insistir. Você devia estar dormindo, depois da madrugada trabalhando.
Queria te contar que pensei muito no que nós estamos conquistando, e no quanto eu perderei se deixar nossa equipe. Tomei a decisão de ficar, de dar mais uns meses para FNAC, de semear mais um pouquinho do meu futuro por lá. E de continuar sendo sua companheira. Acho que esta é uma das coisas que mais vale a pena pra mim.
Portanto, se te servir de algum consolo, saiba que poderá contar comigo para o que der e vier profissionalmente, enquanto estivermos no mesmo barco. E para outros assuntos também, extra-FNAC, óbvio.
Beijo e até amanhã de noite,
Ana Lúcia Merege
Segunda-feira, 19 de Março de 2007
É nessas horas que a gente sabe que não está só, né, Villa?
Adoro esse livro e gostei muito de saber que você curtiu o filme - e que este, ao que parece, consegue ser tão sensível quanto o texto original. Depois que ler me diga o que achou.
Boa sorte no retorno à "sua" Terabítia" :)
Julia (ex-2)
Segunda-feira, 19 de Março de 2007
Oi, Vi!
Realmente é maravilhoso saber que podemos contar com mundos fantásticos que nos tiram de alguns pesadelos do mundo real...
Encarar as coisas de uma forma positiva, sem virar a Pollyanna (como eu odeio essa garota, aliás), é a melhor solução enquanto outras não vêm à mente.
Fico muito triste em saber que não o verei todo fim de semana, mas por outro lado, infelizmente eu já estava pensando em sair e partir para outro emprego (mas só pelo fato de saber que seria impossível virar full time nas condições que a loja anda)... Tenho certeza que conseguirei algo ainda melhor e que a Fnac me abrirá muitas portas!
Quanto à sala de Adm e correlatos... Relaxa... Sei que é duro conviver com livros que não lhe atraem nem um pouco, mas posso garantir, por experiência própria, que lá no meio existem alguns (poucos) muito valiosos! E mesmo alguns que parecem horríveis revelam-se úteis e podem fazê-lo se interessar pelos assuntos... Mas sou suspeita por gostar de Administração, não é?
Rafa
Segunda-feira, 19 de Março de 2007
Dificuldades surgem apenas para nos dizer que tipo de pessoas somos; as que desistem ou as que superam.
Força, my friend,
- Rafa