Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

A Paixão por um Personagem

    Não é segredo para ninguém que há meses venho tentando começar um terceiro livro. Pelas minhas contas eu já comecei a escrever ou planejar umas quatro histórias diferentes, mas nenhuma delas rendeu mais do que quatro ou cinco páginas, nada muito relevante para um livro que espera-se tenha cem ou mais.

    Outro dia me peguei pensando nos personagens de O Vento Norte e nas pontas soltas que foram, propositalmente, deixadas assim. Vale lembrar que meu segundo livro é na verdade uma pré-sequência do primeiro, uma espécie de prenuncio do que irá acontecer em Pelo Sangue e Pela Fè.

    Explicando de uma forma mas simples, se você ler O Vento Norte e em seguida o Pelo Sangue e Pela Fé, você saberá o resultado dos acontecimentos, mesmo que talvez não entenda como eles correram.

    A questão é que, enquanto pensava nisso, senti uma certa saudades, um saudosismo de personagens que me acompanharam por tanto tempo e que ainda tem algo para compartilhar. Comecei a escrever uma cena, pouco mais de quatro páginas e na hora de salvar o arquivo no computador o nomeei Vento Norte 2.

    Faço uma pausa agora para me proteger da chuva de pedras e estilhaços que se seguira, vinda daqueles que acompanham esse blog. "Mas e aquela sua briga contra as trilogias, Villa?", "Falou tanto e vai escrever continuação?", "Está indo contra tudo aquilo que sempre pregou?" etc...

    Não deixo de dar uma certa razão a quem pensar isso, mas faço o papel de advogado do diabo. Independente do que aconteça, minha intenção é continuar escrevendo histórias onde seu arco se feche em sí. Esse novo projeto pode realmente dar continuidade ao que acontece em O Vento Norte, mas será uma historia fechada e pretendo colocar elementos suficientes para, quem não leu os outros livros, consiga concluir o que esta acontecendo.

    A razão para sso é bastante simples. Ainda não consegui me desligar de meus personagens do segundo livro, e pior, não consegui me apaixonar por nenhum outro que tenha criado. É curioso pensar que, enquanto Colleen, Guinford, Lauren (se acalmem, vocês conhecerão todos eles) ainda são para mim como parentes distantes que não vejo pessoalmente a tempos, todos os outros personagens ainda me parecem como bonecos planos de papel, sem graça e sem personalidade.

    Pela primeira vez, tentei escrever sobre personagens que nunca vivenciei (diferente de Jonathan e Colleen) e talvez por isso esteja tendo essa imensa dificuldade em me conectar a suas vidas. Esse é um bloqueio que eventualmente precisarei superar, mas confesso que ainda não estou bem certo de como fazê-lo.

    Nesse meio tempo, ainda vou decidir o que fazer. Minha tentativa de escrever uma continuação ainda não superou as quatro páginas, mas me parece promissor. Quase posso sentir a voz de meus queridos personagens falando comigo novamente e só rezo para que eles esteja dispostos mais uma vez a sentar a meu lado e relatar suas aventuras.

  por Claudio Villa


Eric
Quinta-feira, 02 de Junho de 2011
Pausa para levantar a plaquinha no estádio "Eu já sabia!" Brincadeira, Claudio, mas, apesar de concordar com o que você fala de continuações, eu imaginava que um dia ou outro você mudaria de posição. Eu escrevo desde 2004, embora só em 2011 tenha lançado meu primeiro livro. E, ainda que seja só a primeira parte da estória, não foi a intenção. Escrevi "Os Herdeiros dos Titãs" em 2004 e resultou em cerca de mil páginas. A editora quase me obrigou a dividir, rs, e, após o primeiro livro de 352 pgs, o objetivo é concluir no segundo com aproximadamente 600. Daí em diante, segui escrevendo. Foram outras duas estórias longas em outros lugares do meu mundo, na mesma época, mas que podiam ser lidas independentemente. Conhecendo o mercado (fraco) como conheço, sei que uma delas inevitavelmente será publicada em duas partes. E aí, lá pelos idos de 2008, veio na cabeça a ideia de escrever em Atala, o país de Herdeiros, mas 20 anos depois, trazendo alguns personagens como coadjuvantes, outro cenário político, outras temáticas. É inevitável: criamos mundos, e nos apaixonamos por eles. O resultado? Foi minha maior obra (e mais completa, na minha opinião - que é uma das poucas, por enquanto); com certeza será uma trilogia, rs Eu acho que deve escrever. Faça um texto introdutório de uma ou duas páginas apresentando o básico para que o livro seja lido mesmo se o leitor não tiver o outro e mande bala! Asimov fez isso durante toda a sua série Fundação! E boa sorte na criação do enredo!

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