Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

A Mão que Escreve

    Peço licença ao autor pelo trocadilho com o nome de sua obra da mesma forma que peço desculpas para escrever mais um artigo sobre um livro que li. Alguns devem estar pensando: "Pô, agora ele só escreve resenha de livros que leu! E os posts sobre seu trabalho como escritor?".

    Acalmem-se os críticos, mas convenhamos que com essa oportunidade de pegar um livro por semana na Fnac desde o começo do mês foi só uma questão de unir a fome à vontade de comer. Mas vamos logo com isso pois prometo será indolor.

    O livro que irei resenhar hoje é a ficção alternativa chamada "A Mão que Cria". Fruto da imaginação do autor brasileiro Octávio Aragão. Para resumir a trama do livro sem fazer muitos spoilers, ele trata de uma terra diferente, supondo o que aconteceria se Julio Verne fosse eleito presidente da França e suas máquinas maravilhosas (presentes em seus romances) se tornassem reais. Nesse cenário acompanhamos a luta de dois rivais, um controlando os chamados híbridos (ou homens peixe) e o outro liderando o que o autor chama de Desmortos (uma espécie de zumbi).

    Para começar devo dizer que o livro era completamente diferente do que poderia imaginar e esse primeiro choque me pegou de surpresa. A história é narrada de diversos pontos de vista com cenas que podem durar um parágrafo até páginas inteiras. O tempo é totalmente relativo sendo que é difícil acompanhar exatamente a cronologia dos acontecimentos. Por conta desse ritmo frenético é realmente difícil entender o que está acontecendo sendo que só fui unir as peças do quebra cabeça lendo as notas do autor.

    Outra questão importante é a grande quantidade de personagens que se inserem nos vários momentos da trama. A grande maioria são homenagens que o autor rende a diversos autores clássicos como Julio Verne e H.G Wells etc... Essa estratégia para mim funciona como uma faca de dois gumes. Se por um lado a grande quantidade de personagens me confundiu, reconhecer alguns personagens de livros que li trouxe uma certa nostalgia e uma satisfação em saber o que aconteceu com eles após o término de seus romances de origem. Para mim, os únicos personagens que reconheci de pronto foram os protagonistas (ou melhor seus descendentes) de Vinte Mil Léguas Submarinas que li há poucos meses. Houveram outros que suspeitei de sua origem ou que já ouvi falar (como o Dr. Moreau), mas definitivamente a compreensão e o divertimento pleno do livro esta reservado aos já iniciados.

    Mas nem só de críticas se compõe o livro. As majestosas descrições e os diálogos bem escritos (muitas vezes despojados) dos personagens são o ponto alto da história. A acuidade da pesquisa histórica do autor é impressionante e não posso dizer que apesar de passar boa parte do livro perdido, ver nas notas do autor como os diversos personagens se entrelaçam, foi uma grande satisfação. A Mão que Cria é por fim um livro diferente de tudo o que já li antes e é essa fuga do convencional que pode se tornar seu maior atrativo.

  por Claudio Villa


1 comentário esperando autorização.

Drosó
Quinta-feira, 01 de Fevereiro de 2007
Deixa eu atualizar meu link...

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