Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
A Magia do Convencimento
Outro dia estava escrevendo uma cena para o novo livro quando me peguei pensando o que deveria fazer para tornar aquele momento o mais convincente possível para o leitor. Não são poucas as vezes em que ao preparar um momento da história acabo me bloqueando ao concluir que aquela proposta é demasiada inverossímil para convencer qualquer um de que ela possa ocorrer daquela forma.
É claro que alguns poderão dizer que "Em um mundo de fantasia não existem regras, tudo é possível", mas eu sou crítico em relação a isso. Eu sempre procurei escrever histórias que tenham um pé no céu e outro no chão. Não gosto de resolver todos os problemas dos personagens com uma simples imposição de mãos (usando magias) apesar de algumas vezes acabar me deixando seduzir por isso.
Afinal, o que faz de um mundo de fantasia algo realmente interessante e que desperte a atenção do leitor. É muito comum observar no Orkut diversas pessoas que clamam ter criado um novo mundo de fantasia, repleto de histórias, criaturas e aventuras fascinantes. Do ponto de vista "técnico", criar um mundo de fantasia é realmente muito fácil, podendo ser feito de forma relativamente satisfatória em poucas horas. Uma pessoa razoavelmente criativa é capaz de desenhar contornos em uma folha de papel, criar elementos geográficos, nomear cidades e estados e voilá, um mundo novo em folha.
O que me questiono é porque alguém escolheria ler um livro passado em meu mundo e não em outro qualquer. O que é necessário para convencer um completo estranho a se aventurar em Mirr?
Algumas pessoas falam em um certo "Sense of Wonder" ou Algo de Maravilhoso no bom português. Eu também sou muito crítico com esse conceito exatamente por ser algo muito subjetivo. O que maravilha alguns pode assustar ou cansar outros. Se fala muito também em fazer algo diferente e inovador, mas sabemos que isso é algo dificil de se fazer em fantasia. Geralmente a sua solução inovadora será uma mistura de diversas outras propostas já existentes.
O que dizer então das fórmulas consagradas? As histórias maniqueistas do bem contra o mal sempre funcionam!...ou não. Por conta disso, mais uma vez levei esse questionamento a comunidade de escritores de fantasia e lá obtive algumas respostas interessantes que vão de encontro ao meu pensamento. Pode parecer altamente contraditório, mas um bom mundo de fantasia deve possuir o máximo possivel de realidade.
Como disse bem o amigo Antonio no tópico que criei na comunidade, uma boa história só poderá ser aceita se as aflições e problemas da humanidade estiverem nelas representados. Os problemas podem ser os mesmos dos existentes em uma ficção realista, sendo que são as soluções que a fantasia nos oferece que tornam a leitura interessante. Ainda sim é preciso ter cuidado para que não se caia no vicio de resolver tudo da maneiras mais simples, justificando para si mesmo que "na fantasia tudo é possivel".
Parafraseando ainda o amigo Antonio, um bom mundo de fantasia deve ser socialmente, historicamente e antropologicamente coerentes de forma que o leitor possa se convencer que seu mundo não fica a milhares de anos luz de distância e sim logo ali, na outra esquina. O leitor deve ter em si despertado o desejo de viver nesse mundo, para só então perceber que este também possui sua própria carga de problemas. Os problemas permanecem, mas o que muda são as soluções.
Da minha parte, posso dizer que sempre busquei criar um mundo onde eu gostaria de viver. Acho que após tantos anos criando e desenvolvendo esse cenário, cheguei ao ponto de enxergar alguns personagens como pessoas de verdade, seres reais que poderia receber em minha casa em um final de semana casual. Chega a ser engraçado as vezes perceber que essas pessoas só existem na minha imaginação e que ainda sim são capazes de tomar decisões aquém de minha vontade.
Meu primeiro livro será a prova de fogo para saber o quão bem (ou mal) sucedido fui na tarefa de criar esse mundo e o quão interessante ele pode ser. Talvez precise fazer correções em livros futuros, sempre tendo o cuidado de manter a coerência do cenário e das pessoas que o habitam. Caberá a vocês futuros leitores (e espero que sejam muitos) a criticar meu trabalho e me ajudar a criar um mundo onde vocês também, gostariam de morar.
por Claudio Villa
Bel
Terça-feira, 12 de Junho de 2007
Sem esperar alterações no cronograma, venho por meio desta manifestar o meu repúdio a essa data para o lançamento do seu livro visto que, por motivos de força maior (vulgo, labuta), não poderei estar presente. Óqui procê! ;ppp Huahuahua... Parabéns, Paul!! ;DD
Igor Zolnerkevic
Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
A Ursula Le Guin diz que a chave para "convencer" o leitor é a coerência.
Uma dos objetivos do livro de fantasia é imergir o leitor dentro de um mundo diferente. Tudo pode acontecer: os cavalos falam, os dragões existem etc. Mas tudo tem que ser auto-consistente.
Essa é a diferença entre a fantasia e a sátira.
Veja aqui:
http://www.ursulakleguin.com/PlausibilityinFantasy.html
http://www.ursulakleguin.com/PlausibilityRevisited.html