Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

A História por Trás da História

    Hoje eu quero lhes falar um pouco sobre o que eu chamo de "a história por trás da história". Eu estava indo para o trabalho de carro e propositalmente deixei o rádio desligado com o objetivo de aos poucos retomar a história do novo livro que estou escrevendo. Aproveito para lhes contar que a revisão finalmente terminou e que o primeiro livro já está de volta na editora para fazer as emendas e lançá-lo em breve.

    Mas voltemos ao assunto da semana. Enquanto estava no trânsito pensando na história, lentamente fui raciocinando quais são as motivações de cada personagem para tomar as ações que pretendem tomar. Eu sempre me preocupei muito com isso pois não consigo aceitar que algum personagem tenha feito algo apenas para "satisfazer as necessidades da história" ou "apenas por fazer".

    Eu acredito que toda a história deva ter por trás de si um questionamento interno, algo que mova a história ou o personagem (mesmo que muitas vezes contra sua vontade) para o que o destino lhe reserva. Vejam que isso é bem diferente do personagem predestinado ou messiânico cujo futuro já está traçado e sobre o qual ele não possui controle.

    Em meu primeiro livro, Pelo Sangue e Pela Fé, eu busquei trazer para o papel o questionamento sobre o livre arbitrio de cada um de nós e como certas pessoas e situações podem transformar nossas atitudes e nosso futuro. Existe um ditado que diz que: "a beleza está nos olhos de quem vê", mas é valido lembrar que o mal também desfruta da mesma condição.

    O mal pode ser uma questão de ponto de vista e se ele não é algo inerente da alma humana, então ele pode ser desfeito, remediado ou amargado por todo o sempre. É possível se alcançar o verdadeiro perdão após se realizar um grande mal? O perdão não é algo que deve ser concedido por uma entidade superior mas sim conquistado em sua própria mente.

    Sei que esses questionamentos pseudofilosóficos podem ter soado como um daqueles textos de auto-ajuda, mas o que quis demonstrar aqui foi a mensagem, mesmo que inconsciente, que busquei passar no livro. Não sou afeito do estilo das fábulas de La Fontaine que ao final de cada história nos deixam uma lição de moral, sendo que prefiro contar uma história, expor as decisões tomadas pelos personagens e deixar que os leitores julguem se essas foram as melhores escolhas.

    Em meu segundo livro, que venho trabalhando atualmente, buscarei questionar o verdadeiro sentido de familia e liberdade. Ser livre é simplesmente poder se fazer tudo o que quiser ou será que a liberdade é algo mais relativo? Além disso, quero mostrar que o amadurecimento pode não ser um caminho suave, mas necessário para nos tornar-mos quem somos.

    Se minhas histórias conseguirão passar essa mensagem a meus leitores é um mistério que talvez eu nunca saiba a resposta. No entanto, se ao final do livro, cada um deles levar consigo parte de minha história poderei com certeza ter alcançado uma vitória.

  por Claudio Villa


Babi
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
Claudio, estou ansiosa para conferir a nova versão do seu novo livro. Quando sair me avise, hein? E ah, fui até a Fnac na quarta à noite, mas você não estava. Puxa, acho que ando sem sorte, pois passei por lá no feriado também e não tive. Acho que isso é um sinal de Willy Wonka, não é possível. Rs... Beijos!

Não preencha este campo:
Nome:
Comentário:


Livraria Saraiva Livraria Cultura Livraria Sobrado Siciliano Fnac Livraria Nobel