Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
A Arte da Crítica
Essa semana fui surpreendido com um post na RPG Brasil (uma das comunidades que modero no Orkut). Nesse post havia o link para um blog de um certo José Roberto Pereira que se declara em sua página como um editor, jornalista e escritor. No post em questão, José fazia uma crítica ao escritor Marcelo Cassaro, mais conhecido por escrever livros como Tormenta e Espada da Galáxia.
Até ai não haveria nenhuma novidade, pois uma vez que alguém se propõe a ser escritor, deve estar preparado para agradar alguns e desagradar tantos outros. Meu assombro foi constatar que a crítica dirigida ao Cassaro possuia uma quantidade absurda de ofensas, sarcasmos e argumentos que em nada respeitavam o mínimo da ética jornalistica.
É preciso esclarecer que não conheço Marcelo Cassaro e tão pouco esse José Roberto e admito também que não possuo uma formação em jornalismo para conhecer as nuances do ofício. Independente disso fica claro para qualquer pessoa com um mínimo de instrução que a crítica ali deixou de ser sobre a obra e se tornou sobre o autor. Observando esse artigo passei a me perguntar: até que ponto podemos fazer uso da "liberdade de expressão" para justificar ataques a um autor ou suas obras?
É fato que críticas nunca são fáceis e o autor, como um pai zeloso de sua obra, muitas vezes tem dificuldade em enxergar problemas em seu trabalho. Apesar de ainda não ter tido nenhuma crítica ostensiva sobre meu trabalho (por conta de tudo o que aconteceu) já tive a oportunidade de experimentar o sabor agridoce de ser criticado.
Meu principal crítico até o momento foi o Antonio (moderador da Escritores de Fantasia) e lhe sou muito grato por seu tempo e seu interesse em apontar suas opiniões em minha obra. Como já disse antes, muitas das críticas que recebi dele foram válidas, mas tantas outras eu discordei, o que é natural em qualquer relação autor X crítico. Ainda sim, a forma como ele criticou determinados pontos foi fundamental para perceber que esses pontos tinham sim sua carga de problemas uma vez que a todo instante ele foi bastante pontual em suas opiniões.
Por outro lado, analisando o texto do sr José Roberto, fica claro que a intenção dele nunca foi a de apontar erros e problemas nas obras do Cassaro com a intenção de que este pudesse repensar seu trabalho e melhorá-lo, mas única e exclusivamente de destruir sua obra, acusá-lo e supostamente erguer a bandeira de defensor da boa literatura.
Acho que cabe a cada um de nós escritores, em especial aqueles que como eu estão dando os primeiros passos nessa estrada pedregosa, o de medir e pensar tudo aquilo que pretendemos falar uns dos outros. Soube de um caso recente de dois desafetos de longa data que até mesmo agressões físicas acabaram por trocar.
Qualquer um que deseje praticar a fina arte de criticar deve sobretudo usar seu conhecimento para o bem do autor e de seus leitores e não para impor seu ponto ou seus gostos pessoais. A velha frase que diz "Se não pode fazer melhor, não critique" não pode ser usada por nenhum autor que se sinta diminuido por um crítico, assim como nenhum crítico pode ofender uma obra na base do "não gostei, não aprovo".
Acredito que se houvesse mais pessoas capacitadas a criticar e ajudar ao invés de atacar e destruir, nossa literatura fantástica teria hoje autores mais experientes e quem sabe mais próximos do público tão avesso à produção nacional.
por Claudio Villa
igor z
Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
Mandou bem, Cláudio.
Melhor mesmo só o bom e velho Machadão:
http://cienciaecultura.wordpress.com/2007/07/24/o-ideal-do-critico/
Rage
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
Lidar com críticas é algo que qualquer profissional hoje em dia tem que saber conviver. O fato como você bem explorou é quando o ato de criticar muda do ponto construtivo, para um aperfeiçoamento do seu trabalho, e passa ao desconstrutivo, com a nítida intenção de rebaixar sua tarefa/função. Como bem disse, os críticos tem que ter essa noção de que o comentário/crítica, serve para o aperfeiçoamento da obra e consequentemente do autor, para tanto devem expor de forma coerente e bem pensada, afinal, se não sabe fazer melhor não critique quem ao menos está tentando fazer.